quarta-feira, 17 de junho de 2015

Tem Muita Moda Consciente Sendo Feita Por Mulheres No Brasil

Por Bruna Miranda

Desde o início da conquista de espaços no mercado de trabalho, as mulheres vêm se destacando em cargos importantes, mesmo com as dificuldades e as desigualdades de gêneros impostas pela sociedade. Com a moda, desde sempre, não foi diferente. Basta pensarmos por alguns segundos que nos vem à cabeça nomes como Gabrielle Chanel e Mary Quant, revolucionárias em adequar, à beleza e estilo das roupas que criaram, uma necessária e já tardia liberdade.

Décadas mais tarde, com o avanço do fast-fashion e de suas enormes corporações, a consciência de uma moda mais justa, humana e ambientalmente eficiente começou a ganhar força no trabalho desenvolvido por mulheres. A britânica Vivienne Westwood, que, desde a época do punk incorporava às suas coleções mensagens de ativismo e insatisfação com as regras de conduta de uma sociedade desigual e intolerante, começou a agir com o mesmo entusiasmo em prol de uma moda menos insustentável.

Ela passa a questionar o consumo desenfreado, criar e apoiar campanhas ambientais – como sua Climate Revolution e outras tantas em defesa ao meio ambiente. Sua frase “Buy Less, Choose Well, Make It Last” (Compre Menos, Escolha Melhor, Faça Durar), já é lema entre os defensores da moda slow e do consumo consciente.

Também de Londres e igualmente renomada, a designer Stella McCartney praticamente dispensa apresentações de seu “ativismo fashion”. Vegetariana convicta e defensora da causa, assim como seu pai, o Beatle Paul McCartney, deixa claro que não usa matéria prima animal, como couro e peles. Frequentemente participa de eventos e campanhas pela moda cruelty free, apoiando ONGs como o Fashion Revolution, ITC Ethical Fashion Initiative e o PETA – People For The Ethical Treatment of Animals (Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais). Em seu site, é possível acompanhar todas as ações e projetos que recebem seu suporte.

As duas estilistas, que se encontram no topo da pirâmide da moda consciente, são, felizmente, inspirações e incentivo para a criação de uma moda com responsabilidade harmonizada ao estilo, elegância, identidade, estética e luxo – características que fizeram com que a área se transformasse, ao longo dos anos, nessa arte notória. No Brasil, já temos nossas representantes, exemplares da moda consciente. Designers que inovaram com coragem e persistência e agora, mais do que nunca, começam a se destacar e ganhar reconhecimento, também inspirando novas gerações de profissionais.

Flávia Aranha

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Das pioneiras no país, em sua marca Flávia Aranha se especializou em modelagens atemporais, tecidos de algodão puro e linho e tingimento com corantes naturais, como folhas, cascas de árvores e chá. Desenvolve projetos com comunidades para a troca de experiências e o desenvolvimento de novas matérias primas, preza pelo artesanal e a busca da brasilidade, perdidos pelo ritmo acelerado da moda e pela globalização e massificação do estilo. Flávia representa o slow fashion brasileiro exportando suas peças para a Europa e o Japão.

Fernanda Cannalonga
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Estilista, empreendedora, engajada e antenada, ainda novinha, com apenas 13 anos, Fernanda criou a marca Violet Shop, pioneira loja virtual voltada ao público adolescente. Depois de alguns anos de muito sucesso e já formada em moda, criou a Canna, marca de acessórios 100% brasileiros que são produzidos de forma artesanal e em pequena escala, privilegiando o design minimalista. Sua matéria prima é produzida em unidades fabris ecológicas na Bahia e no Rio Grande do Sul, que realizam reciclagem de matéria prima e de resíduos industriais, além de reaproveitamento quase total da água. As peças da Canna também são vegan-friendly, feitas apenas com materiais sintéticos e vegetais. O comércio justo também é prioridade da designer e seus artesãos recebem pagamento acima da média e um horário de trabalho flexível.

Gabriela Mazepa
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Foto: Cortesia Gabi Mazepa

Nós já falamos aqui do trabalho com upcycling dessa estilista curitibana, que, em seu ateliê no Rio, onde mora, (des)costura e transforma com sua marca Gabriela Mazepa, reaproveitando o que já está pronto e “abrasileirando” suas criações, para que cada uma delas carregue sua própria história. Ela já chegou a fazer parceria com uma das maiores facções do Sri Lanka, transformando peças com pequenos defeitos e coleções passadas em roupas e acessórios novos. Seu talento com o reaproveitamento na moda foi reconhecido no Prêmio Brasil Criativo, onde foi semifinalista, e, atualmente, faz parte do movimento Roupa Livre.

Ana Sudano
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Foto: Reprodução

Estilista há 15 anos, a mineira de Nova Lima, logo ao lado de Belo Horizonte, já trabalhou com profissionais e marcas de renome, como Graça Ottoni, Printing, Patricia Motta, Alphorria, Gilda Midani e Animale. No ano passado, seguindo a proposta consciente da moda em que acredita, lançou sua própria marca, a Grama Roupas Ecológicas, onde ações e políticas empresariais socioambientais são o foco. Atuam com diversas comunidades e ONGs em Nova Lima, incluindo um grupo carcerário, para empoderamento e comércio justo. A marca já participou, com premiações, do Minas Trend Preview e do Paraty Eco Fashion. Também desfilou seu Inverno 2015 no Vancouver Fashion Week, em março desse ano, no Canadá.

Pamela Magpali e Bárbara Mattivy
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Foto: Pamella, Bárbara e Laura // Reprodução

A Insecta Shoes, outra marca presente em diversos momentos aqui no Modefica não teria como ficar de fora dessa lista, pelo trabalho cada dia mais reconhecido das sócias gaúchas Pamela Magpali e Bárbara Mattivy, que agora contam também com Laura Madalosso. A ideia surgiu quando Barbara não sabia o que fazer com algumas roupas XXL que tinha comprado e veio o clique de reutilizar o tecido das peças produzindo sapatos artesanais, veganos, ecofriendly e feitos no Brasil. O mix de boas atitudes deram tão certo que, além da loja virtual que entrega em todo o mundo, elas inauguraram, há pouco tempo, a primeira loja física da Insecta em Porto Alegre. O espaço também segue a proposta e mantém práticas sustentáveis diversas. Como elas não param, já vem mais novidade por aí: uma linha criada com tecidos de garrafas pet recicladas e com as estampas, desenvolvidas por elas, impressas em tintas à base d’água.

Débora Nardello
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Foto: Reprodução

Gaúcha que mora no Rio de Janeiro, Débora escolheu trabalhar com o upcycling em sua marca Lusco Fusco para colocar em prática a consciência para questões ambientais. Sua base é o aproveitamento total de tecidos e retalhos vindos de confecções, para o mínimo possível de desperdício e o apoio à mão de obra local. Além das roupas, ela mantém um blog da marca onde escreve sobre os conceitos da moda sustentável e o consumo consciente. Nesse ano, lançou também o FanZine Semente, uma publicação independente que aborda moda, design e sustentabilidade mostrando projetos sustentáveis que estão fazendo a diferença pelo Brasil. É gratuito para os assinantes de sua newsletter.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Seca na Califórnia ameaça denim e obriga indústria a repensar processos

Em abril, pela primeira vez na história da Califórnia, o governador Jerry Brown decretou estado de emergência devido à seca e ordenou um corte de água generalizado de 25%.

A decisão do executivo do estado mais populoso dos EUA surge na sequência do agravamento da seca que assola a região americano há quatro anos, em resultado da reduzida queda de neve durante o último inverno, que se fixou nos valores mais baixos já registrados.

 
A região sul da Califórnia produz 75% de todo o denim fabricado nos EUA e é um elemento-chave no ecossistema da moda de Los Angeles, um mercado que gera anualmente 10 milhões de dólares em receitas, contribuindo em cerca de 10% para as suas vendas anuais.

Os Pioneiros

Uma das principais entidades no universo do denim californiano, a Levi’'s, preparou-se (para a crise de água) com antecedência. A marca de jeans lançou seu processo de finalização 'Water Less'.

A empresa estima que são utilizados 3.800 litros de água no ciclo de vida do denim, com 68% aplicados na produção de algodão, 9% na fabricação e 23% na utilização feita pelo cliente final.

A Levi’'s encoraja, também, o consumidor a reduzir o seu próprio uso doméstico de água, limitando o número de lavagens dos jeans.

Inovações

As máquinas de ozônio, que substituem o processo de branqueamento de máquinas de lavar tradicionais, oferecem uma alternativa às marcas premium de denim na redução do consumo de água, uma vez que o processo exclui a sua utilização.

A marca Citizens of Humanity usa máquinas de ozônio há mais de cinco anos. "O nosso compromisso na preservação dos recursos naturais começou anos antes da implementação das mais recentes medidas de emergência. Nos últimos anos, aumentamos nosso investimento em tecnologias inovadoras de forma a reduzir o consumo, não apenas de água, mas também de gás e eletricidade", explica a presidente, Amy Williams.

A produtora de denim Eco Prk, sediada em Los Angeles, tem investigado formas de replicar a lavagem do denim tradicional, utilizando ozônio, e introduziu a nova tecnologia 'Wiser Wash', que usa menos 80% de água face aos métodos tradicionais.

"O ozônio é usado já há muito tempo, mas ninguém foi capaz de atingir um look desbotado bonito com ozônio até agora", afirma Kevin Youn, CEO da Eco Prk.

O processo tem o benefício adicional de permitir a reciclagem de 99% da água usada, que pode ser reutilizada em futuras lavagens.

A utilização de máquinas de ozônio implica o acréscimo de um dólar ao preço final de um par de jeans premium e, até o momento, as marcas têm absorvido este custo suplementar.

As máquinas de ozônio custam habitualmente 65.000 dólares cada, o que significa que "este sistema requer um investimento inicial, mas o custo (de produção) é muito mais barato e o ambiente de trabalho é melhor – não há água quente, nem produtos químicos", revela Youn.

Adriano Goldschmied, designer italiano responsável pela criação das marcas Diesel e AG, acredita que as inovações de empresas como a Eco Prk podem ajudar pequenas marcas da indústria californiana a sobreviverem à ameaça de seca através de tecnologias pioneiras.

"A Eco Prk pode ajudar diretamente pequenas marcas a alcançarem seus objetivos, mas elas podem também ser um exemplo a seguir por toda a indústria, não apenas na Califórnia, mas em todo o mundo", comenta o especialista na ganga.

A lavandaria de denim Blue Creations, que dentre os clientes figuram as marcas Frame Denim, CJ by Cookie Johnson e BCBG, usa a tecnologia de ozônio desde 2011 e planeia adquirir outra máquina no próximo ano.

"Várias marcas procuram, cada vez mais, usar máquinas de ozônio. Eventualmente, queremos usar ozônio em quase todas as nossas lavagens de denim", explica Oscar Quintero, diretor de vendas e marketing da empresa.

"Até o momento, poupamos cerca de 50% de água em comparação com os métodos tradicionais, permitindo-nos cerca de 15.000 a 20.000 dólares", acrescenta.

As marcas estão, simultaneamente, a testar outros métodos limitadores do uso de água, entre eles as técnicas de laser. De acordo com Lynda Grose, professora associada de Design de Moda da California College of Arts e especialista em marketing no Projeto Algodão Sustentável, esta tecnologia pode ser usada para criar diferentes variações de cor.

"A Levi’s já trabalhou com isso", explica ela. "Eles usaram (essa tecnologia) para obter um efeito estampado em t-shirts, mas pode ser usada em qualquer tecido ou em denim, é verdadeiramente boa".

Williams revela que a Citizens of Humanity usa o laser para replicar lavagens vintage no denim e está desenvolvendo tecidos que requerem menor quantidade de água na sua fabricação.

"Neste momento, todos os tecidos são fabricados para lavagem com água", explica o CEO da Eco Prk. "Mas, se as tecelagens compreenderem o novo processo de lavagem sem água e se fabricarem tecidos que necessitem menos água, seremos capazes de fazer jeans sem água".

O que acontece agora?

Enquanto a chuva se nega a cair, os fabricantes preocupam-se com a futura imposição de normas mais rígidas. "Se forem impostos custos ou normas restritas, teremos de recusar ciclos futuros de produção ou investir fortemente em mais máquinas de ozônio e outros métodos que permitam a economia de água", afirma Quintero, acrescentando que a Blue Creations está atualmente a executar testes em laboratório que procuram determinar qual a água que é reciclável.

No entanto, as marcas continuam determinadas em manter a sua produção na Califórnia. "Ficar na Califórnia significa que as marcas aceitam jogar o jogo da qualidade e da inovação de produto", aponta Adriano Goldschmeid. "A água é um problema global, não apenas da Califórnia", ressalta.


Fonte: Fashionmag.com

terça-feira, 2 de junho de 2015

Gosta de moda? Confira 7 nichos promissores para investir

Pesquisa do Sebrae aponta áreas que têm potencial de crescimento, como roupas voltadas a gordinhos e evangélicos

Se o Brasil tem cerca de 800 mil pequenas empresas ligadas ao mundo da moda, como quem está começando um negócio agora nesse setor pode fazer diferença? A resposta pode estar nos nichos, afirma a coordenadora de varejos de moda do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Wilsa Sette.
A aposta em segmentos específicos, segundo ela, permite atuar junto a pessoas com características e interesses comuns. “Para o pequeno é sempre mais vantajoso, pois você atende de perto as necessidades do seu consumidor. Além disso, é uma forma de escapar de bater de frente com uma grande rede”, comenta.

Wilsa liderou um estudo para investigar quais os nichos mais promissores para investir no momento. Usou, para isso, o cadastro de empresas do Sebrae. “Separamos aqueles que mais cresceram nos últimos anos, que têm mais fornecedores e menor concorrência, oferecendo as melhores oportunidades”, diz. Confira a seguir.

Moda Plus Size – além de faturar alto (movimentou R$ 5 bilhões no último ano), este mercado tem um grande potencial. Segundo dados do Ministério da Saúde, 50,88% dos brasileiros estão acima do peso, e 17,5% são classificados como obesos. 
Dica: aposte em peças com bom caimento e conforto e que, ao mesmo tempo, estejam antenadas com as tendências da moda.
 Foto: iconogenic / Shutterstock

Moda Brechó – Consumir peças usadas, exclusivas e reaproveitadas, tem se tornado uma alternativa de consumo na moda. É um segmento de baixo risco e pouca concorrência, público diversificado e fiel e investimento inicial relativamente baixo. Não por acaso, o número de pequenos negócios com este viés cresceu 210% nos últimos cinco anos. 
Dica: ofereça atrativos, como bar, café e música ambiente. Isto ajuda a atrair novas pessoas que podem tanto consumir como se tornar fornecedores de peças usadas.
 Foto: nito / Shutterstock

Moda Streetwear – este estilo nasceu nos anos 90 relacionado à prática do skate. Porém, ampliou-se e hoje forma um estilo que inclui pessoas que nem se atrevem a colocar os pés numa tábua rolante – mas valorizam características como frescor e juventude. 
Dica: dê ênfase a canais de venda on-line e ações nas redes sociais.
 Foto: Ataka / Shutterstock

Moda Sustentável – mais do que a estética, o preço ou o conforto, o público aqui valoriza as marcas que seguem princípios relacionados a preservação ambiental e respeito às pessoas. Portanto, entrar neste nicho é obrigatoriamente se comprometer com isso – qualquer deslize pode ser fatal para a imagem do negócio. 
Dica: busque bons fornecedores com viés ecológico e invista no e-commerce para ser visto por aqueles que buscam alternativas “verdes”.
 Foto: mangostock / Shutterstock

Moda Country – um dos ritmos mais ouvidos no Brasil, o sertanejo também inspira outras áreas. No campo da moda, caracteriza-se por um corte mais alto da calça, uso de fivelas e cintos, manga longa nas camisas, estampa xadrez, botas, chapéu, entre outros elementos. 
Dica: Faça parcerias com duplas sertanejas, casas de shows e festas do gênero para promover a marca.
 Foto: Oscar C. Williams / Shutterstock

Moda Gestante – trata-se de um nicho interessante por conta das mudanças constantes no corpo da mulher, que a levam a rever o vestuário várias vezes ao longo de nove meses. Por outro lado, as gestantes são consumidoras bastante exigentes e que passam por um momento de ansiedade, impaciência e insegurança. 
Dica: ofereça peças que melhorem a autoestima e valorizem a silhueta da mulher.
 Foto: Ivory27 / Shutterstock

Moda Gospel – os adeptos da religião evangélica buscam elegância, estilo e conforto, mas geralmente com um visual menos ousado. Focar seu negócio nisso pode garantir o acesso a um amplo público consumidor –  afinal, de acordo com o Censo 2010, o Brasil tem 42 milhões de evangélicos. 
Dica: algumas peças de pouco apelo junto ao público geral encontram grande aceitação neste nicho, como saias mais compridas e blusas sem decote.
 Foto: Blend Images / Shutterstock

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Designer transforma resíduos que iriam para o lixo em joias luxuosas

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Silvia Blumberg se notabiliza por transformar lixo em luxo

Arte, design e moda são palavras que se complementam. Se no século passado somente as joias com metais preciosos eram valorizadas, o mesmo não pode-se dizer sobre o século 21, onde artistas contemporâneos estão sempre em busca de novas maneiras de instigar o consumidor e transmitir novos valores por meio de materiais e técnicas inovadores.

Esse é o caso da designer de joias Silvia Blumberg, que realiza um trabalho baseado em tudo o que vivenciou quando trabalhava como assistente social. Capaz de transformar lixo em luxo, a profissional tem um trabalho que chama a atenção: o uso de materiais não-convencionais, aliados à prata, ao ouro e às pedras preciosas para dar vida às suas joias. Pó de madeira, papel, cimento são apenas alguns dos itens que a artista utiliza em suas criações.

Curvas, ângulos, formas, caminhos e pedras incrustadas fazem a diferença em suas coleções desenvolvidas com materiais ecologicamente corretos e bastante inusitados
O seu trabalho com foco na sustentabilidade teve início em 2008, quando Santa Catarina sofreu com as enchentes que castigaram a região. Nessa época teve um insight e percebeu que deveria rumar para o lado da ecologia. Começou então a estudar sobre as causas e sobre legislação urbanística. A partir desse fato passou a introduzir materiais que seriam descartados em suas criações.

Resíduos
Primeiro vieram os resíduos da construção civil. Logo, Silvia passou a visualizar outras possibilidades, além de receber sugestões de pessoas que trabalham com transformação dos resíduos em materiais como pastilhas de bagaço de cana, asas de besouros, chifres, papel e muitos outros. A própria prata que utiliza na criação de suas joias é fruto de reciclagem de radiografias.

As joias desenhadas por Silvia não lembram em nada produtos artesanais, pois possuem um design arrojado, contemporâneo e elegante. Curvas, ângulos, formas, caminhos e pedras incrustadas fazem a diferença em suas coleções desenvolvidas com materiais ecologicamente corretos e bastante inusitados, tais como: anéis com detalhes em cimento tingido, brincos coloridos por sumos de vegetais e braceletes com areia da praia.

Descubra seis maneiras de transformar suas roupas velhas em novos objetos

Alguns itens são tão comuns em nossas vidas que nós dificilmente reconhecemos a possibilidade de transformá-los em uma outra coisa. Um destes exemplos são as nossas roupas. Há diversas formas de reutilizar aquela camisa velha, a calça com marcas de queimadura de ferro e, até mesmo aquela sapatilha fora de moda.

Com a febre da sustentabilidade, reciclar é a palavra de ordem. Com isso, elaboramos uma lista com 6 maneiras de transformar suas roupas velhas em novos objetos. Quer descobrir como? Então acompanhe esse post.
Divulgação
Descubra novas formas re utilizar aquela roupa que você não usa mais

Reuse a moda
A moda é cíclica e o que foi popular no inverno, não será no verão e vice-versa. Aquela saia longa que está ultrapassada, pode facilmente ser transformada em uma minissaia ou em uma saia midi. A calça jeans que está desgastada, pode ser transformada em um short jeans bem estiloso! É só você acrescentar algumas tachinhas para vestuário ou botões diferentes e, até mesmo, desfiar a barra e ganhar um ar "desleixado" que está com tudo.

PatchWork
Para aquelas peças que não têm mais jeito, o ideal é transformar em cobertores, toalhas de mesa, tapetes e demais itens de decoração. Como? É fácil! Recorte em quadrados de mesmo tamanho o tecido das roupas e, em seguida, vá costurando um ao lado do outro, até formar o item do seu desejo. Como a atividade é lenta e exige concentração, ainda se tornará um hobby relaxante para as tardes preguiçosas.

Ecobags
Ah, mas e aquela camiseta que você A-DO-RA e não quer se livrar? Transforme ela em uma ecobag facilmente costurando a parte de baixo para formar a base da bolsa e transforme as mangas em alças. Simples e sustentável.

Almofadas
Ainda reaproveitando camisetas com estampas legais, você também pode transformá-las em capas para almofadas estilosas. Se você tiver habilidade na costura, pode fazer você mesmo apenas cortando as mangas e parte da camisa para transformá-la em um quadrado e costurar o que sobrar. Caso não, peça para alguém fazer para você. Sua sala ganhará um ar muito mais extrovertido e você não perderá a sua amada camisa.

Objetos de cara nova
Um abajur pode ganhar novos ares ao ser encapado com tecidos mais finos. As pulseiras e braceletes de plástico podem também ser envoltos com o tecido e ficarem renovados. Porta-trecos, porta-retratos e até mesmo móveis velhos, podem ser revestidos, com ajuda de cola. Ainda na onda do revestimento com tecidos, você pode transformar aquela sapatilha sem graça em um item luxuoso com a aplicação de pedaços de renda.

Pedaços de Tecido
Tecidos velhos que sobraram das suas aventuras podem ser transformados em faixas para cabelo. É só costurar um elástico para ficar preso à sua cabeça. No caso de camisas com manga de lã ou qualquer outro tecido grosso, ela ainda pode ser utilizada para se tornar um porta-celular. A reciclagem não para por aí. Você ainda pode usar os pedaços menores para rechear travesseiros, pufes e até mesmo bonecos e ursos de pelúcia.

Reciclar é muito fácil. Você só precisa ter criatividade. Ficou inspirado com esse post pra dar cara nova a algo velho que tem no guarda roupa? Já reutilizou alguma vez uma roupa antiga sua? Conta pra gente deixando seu comentário. Se tiver alguma sugestão ou dúvida, deixe também o seu comentário.

Empresa italiana faz sapatos fashion de papel reciclado

Um empreendedor italiano encontrou a medida certa entre a sustentabilidade e a moda. Há um ano ele produz sapatos fashion com papel reciclado. O empresário Maurizio Colucci e o especialista em moda Mirko Paladini pesquisaram dois anos as tecnologias que permitiriam processar o material. No ano passado, chegaram à fórmula e abriram a Cartina, que produz tênis e sapatilhas com design para lá de original.
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Tênis de papel reciclado da Cartina, com trabalho em patchwork, que custa 299 euros

Segundo a companhia, ser moderno é pensar no futuro, não apenas no da moda, mas acima de tudo no do planeta. “É por isso que queremos disseminar a ideia de uma moda ética em total sincronia com o progresso e a sustentabilidade”, defendem os executivos da Cartina.

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Os sapatos da Cartina, que são feitos de papel reciclado, têm texturas como trançados

Além de fazer sapatos sustentáveis, a Cartina está adaptando as lojas, o escritório e as fábricas para usar apenas energias verdes. Na decoração dos interiores, a filosofia da empresa se mantém: ela será feita com materiais reciclados.
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Os sapatos, que podem ser encontrados em diversas cores, são à prova d'água

Nesse pouco mais de um ano de atividade, a companhia já usou 20 mil quilos de papel reciclado, salvou 1.215 árvores e economizou 65 mil kW de energia. A empresa, que está localizada em Scandicci, na região da Toscana, investe em sapatos multicoloridos e com texturas, como patchwork e entrelaçados. Os preços variam de 177 euros a 299 euros. Em tempo: todos os calçados são à prova d’água.

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A Cartina investe na diversidade de cores nos calçados produzidos com papel reciclado

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Novas maneiras de se pensar a moda

A tendência da vez é trazer o fashion unido a ações que visam o consumo consciente. Conheça algumas delas


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PUBLICADO EM 05/04/15 - 03h00 - BÁRBARA FRANÇA
As estampas com o divertido “mascote lula” e a predominância de tons de azul são assinatura da Raw for the Oceans, uma linha de roupas elaborada pela grife G-Star Raw, em parceria com o astro Pharrell Williams, que esteve no Brasil no último fim de semana (27 e 28 de março) para se apresentar no festival Lollapalooza, em São Paulo. Os motivos marítimos presentes em jaquetas, jeans, camisetas e bonés, no entanto, não são apenas fruto da imaginação dos designers. A lula e a cor, bem como outros elementos, fazem referência à matéria-prima que dá origem a cada uma das peças: o plástico retirado dos oceanos.

“Raw for the Oceans”, que acaba de lançar sua segunda coleção com peças para a primavera/verão do Hemisfério Norte, utiliza um fio ecológico, derivado de garrafas PET como forma de contribuir para a despoluição das águas salgadas. Afinal, como informa a página oficial da grife, “hoje, nossos oceanos contêm seis vezes mais plástico que vida marinha”. O dado, aterrador, foi um dos motivos que levaram Pharrell Williams a se mexer para transformar a realidade, mas, felizmente, esta não se trata da uma iniciativa isolada na moda.

A chamada “moda ética” já pode ser considerada um movimento. Segundo a designer e pesquisadora do assunto Luciana Duarte, ela engloba tanto aspectos da moda sustentável, que diz respeito à relação, à utilização de tecidos ecológicos e às produções mais limpas, quanto ao aspecto sociais, como a garantia de direitos trabalhistas, a redução de desigualdade social e a valorização dos produtos e mãos de obra regionais.

Para ela, em um momento em que se fala tanto sobre escassez de recursos naturais e más condições de trabalho, até escravidão, dentro de empresas que produzem roupas para gigantes do mercado que tanto estamos acostumados a comprar e admirar, a moda ética chama a atenção sobre as consequências do consumo.

“Quando você compra alguma peça da moda ecológica, por exemplo, você está consumindo uma outra coisa chamada informação. Então, mesmo se o produto for um pouco mais caro, isso vai justificar um preço. Afinal, as pessoas precisaram consumir a informação sobre a origem dos produtos, sobre a mão de obra justa, sobre o impacto no meio ambiente, sobre a utilização, ou não, de testes em animais, o que é muito valioso”, comenta.

Então, para mostrar que o mundo glamouroso das tendências também pode, e deve, ser lugar de ética e sustentabilidade, o Pandora reuniu algumas iniciativas do Brasil, e inclusive, de Belo Horizonte que lidam com as mais variadas matérias-primas, põem em prática relações de trabalho diferentes e se preocupam com o bem-estar do ser humano e do planeta.

Circulando

No próximo sábado (11), a avenida Afonso Pena vai se transformar numa verdadeira loja de rua, mas visando uma “clientela” bem especial. Organizada por Luciana Duarte e mais de cem voluntários, o evento vai oferecer roupas e acessórios para moradores de rua. Batizada de “The Street Store”, a iniciativa, que surgiu na África do Sul e já rodou por diversos países, recebe doações e expõe os produtos na rua, em cabides e suportes, como se fosse uma loja a céu aberto.

Lá, os “compradores” podem escolher o que quiserem, motivados pelos seus próprios gostos e necessidades. (Saiba mais sobre pontos de doação e sobre o dia do evento acessando modaetica.com.br/the-street-store-bh-contexto-como-doar-e-como-ser-voluntario/). Além da conscientização sobre as pessoas que habitam as ruas e da solidariedade que o projeto propõe, ele também questiona o consumo excessivo e ajuda na diminuição da produção de lixo. “É legal colocar as roupas pra circular mais tempo na sociedade”, destaca Luciana, indo de encontro à “fast fashion”, termo em inglês para “moda rápida”, que designa uma relação com as peças praticamente descartáveis, dada a constante transformação das vitrines a partir da chegada de novas tendências.

Devagar

Ao contrário da moda rápida, a “slow fashion” (algo como “moda lenta”), procura questionar o consumo desenfreado e desnecessário sempre em busca de novidades. Por meio do conceito é que a designer Celina Hissa deu vida à Catarina Mina, uma marca nascida no Ceará que tem como carro-chefe o crochê e que valoriza, sobretudo, o trabalho manual.

A ideia, segundo a idealizadora, é oferecer algo durável para os clientes e que respeite também o tempo das crocheteiras, que têm participação importantíssima no produto que chega às lojas. São aproximadamente sete fixas, que trabalham em casa, participam da concepção estética das peças e no lucro das vendas e possuem carteira assinada.

“No meu trabalho como designer, eu via que na cadeia de produção como um todo, quem produz era sempre o último a ser reconhecido. Os interesses estavam voltados para a imagem do produto. Então, comecei a questionar isso, afinal, a criação só de um designer, ninguém faz nada sozinho”, comenta Hissa, que não desvaloriza a preocupação com a apresentação do produto.

“Claro que queremos oferecer algo bonito, nos preocupamos, e muito, com a imagem. O que fazemos é balancear um pouco mais essa cadeia, que é muito desequilibrada pra quem produz”.

É bonito sim

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Tiê Moda Ecológica, em BH, faz peças a partir de produtos reciclados, como pneus e fibra de bambu.

A Tiê Moda Ecológica, que inaugurou uma loja em Belo Horizonte em novembro passado, compartilha da preocupação com a beleza das peças. Oferecendo sapatos, roupas masculinas e femininas e acessórios feitos de matérias-primas como pneus, cápsulas de café, couro de tilápia e fibra de bambu, a ideia, de acordo com a proprietária Emanuelle Matoso, é desmistificar a qualidade dos produtos reciclados.

“Quando trabalhamos as peças, não é só pegar o produto in natura e colocar de qualquer jeito. Há todo um trabalho em torno dele. É como se lapidássemos o material que vai ser utilizado. Você vê um lacre de latinha de refrigerante, por exemplo, mas não é só isso. Todo o trabalho que é realizado em cima dele faz com que vire algo bonito e que você pensa: ‘Nossa, eu usaria isso!’ A moda ecológica pode ser usada com orgulho”.

Deu o que falar

No início do ano, um reality show norueguês deu o que falar nas redes sociais pelos absurdos expostos com relação ao bastidores do mundo da moda. Em cinco capítulos, o "Sweatshop Deadly Fashion" levou três blogueiras de moda para viver durante um mês como típicas trabalhadoras têxteis no Camboja. O objetivo do programa era mostrar a rotina dos trabalhadores nas “sweatshops”, fábricas têxteis com baixos salários e péssimas condições de trabalho, contrastando com a realidade das meninas, acostumadas a gastar até 600 euros em uma única peça de roupa e ganhar algumas para mostrar em seus blogs. Todos os episódios estão disponíveis no site da emissora Aftenposten.

Outras iniciativas perto de você 

A designer de moda Iáskara Isadora desenvolveu como trabalho de conclusão de curso uma coleção de rendas que utilizava como matéria-prima sacos de cimento. Ela também já criou peças que levam fibras de bananeira.

Ar do Brasil: ateliê que trabalha a cerâmica produzindo bijuterias inspiradas na natureza brasileira. O processo é todo artesanal.

Green Co. desenvolve roupas, calçados e acessórios utilizando matérias-primas sustentáveis e tecnológicas. Há lojas na Savassi e no Boulevard Shopping.

A Natura foi a primeira empresa a trazer frascos com vidro reciclado pós-consumo do mercado brasileiro. Na primeira etapa desta iniciativa foram utilizadas aproximadamente 472 toneladas de vidro reciclado, o que evita o descarte de material equivalente a 1,368 milhão de garrafas de 600 ml (com peso de 0,345 kg cada).

Para saber mais: O Museu das Minas e do Metal (MM Gerdau) discutirá a sustentabilidade e a ética na moda em uma palestra na próxima quinta-feira, 9 de abril, às 19h30, com entrada franca.

segunda-feira, 30 de março de 2015

Algodão colorido conquista mercado internacional de moda

A pluma marrom teima em crescer no meio da paisagem seca do agreste paraibano. (Fonte: Embrapa
Foto: Sérgio Cobel)

De símbolo regional em lojas de artigos para turistas, o algodão colorido alcançou o status de peças de luxo em feiras internacionais. As coleções são exportadas para a França, Itália, Espanha, Alemanha, Japão, Estados Unidos e países escandinavos. Em abril de 2015, o algodão colorido produzido no Semiárido estará presente na feira "1.618 Luxo Sustentável", em Paris. O evento seleciona as melhores iniciativas voltadas para o consumo sustentável ao redor do mundo.

No Assentamento Margarida Maria Alves, a 100 km da capital João Pessoa (PB), quinze famílias de assentados cultivam o algodão colorido que vira peças de luxo para o mercado externo. Segundo a estilista Francisca Vieira, presidente da Associação da Indústria do Vestuário da Paraíba (Aivest-PB) e do grupo Natural Cotton Color, o perfil do consumidor das peças de algodão colorido é um público consciente e com alto poder aquisitivo, que se preocupa com a origem do produto que consome. "O nosso consumidor quer saber se eu pago um preço justo para o produtor, para as rendeiras, bordadeiras, costureiras... Ele quer um produto com uma boa história para contar", afirma.

Para atrair esse público exigente, Francisca Vieira aposta no design. "Nosso produto não é simplesmente uma peça regional. Nós temos um design arrojado, que usa a intervenção do artesanato em função da moda", define. Para diversificar as cores disponíveis, a estilista lança mão de tingimentos naturais à base de cascas e folhas de plantas como cajueiro, mangueira e barbatimão.

A Casulo Arte Natural, empresa de bolsas e acessórios sediada em Campina Grande (PB), fabrica em média três mil bolsas tipo exportação e de cinco a oito mil bolsas para o mercado interno, de acordo com a disponibilidade de matéria-prima. "Nós trabalhamos com dois tipos de clientes: os turistas, em busca de souvenirs e pouco dispostos a gastar, e o mercado externo, para o qual contratamos uma estilista a partir de uma consultoria da Associação Brasileira de Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) e Sebrae-PB, que desenvolveu coleções para esse público", conta o proprietário da empresa Marcelo Lacerda. "Além do algodão colorido, nós utilizamos o couro caprino natural, que é outra matéria-prima da nossa região, para o acabamento dos produtos", acrescenta.

Da Paraíba a Paris - A pluma marrom teima em crescer no meio da paisagem seca do agreste paraibano, onde nem o feijão e o milho resistiram à falta d'água. O cultivo de algodão colorido orgânico é uma das principais fontes de renda do Assentamento Margarida Maria Alves, situado no município de Juarez Távora. A área de 18 hectares não chega a aparecer nas estatísticas oficiais de produção do algodão no Brasil, mas chama a atenção do mundo da moda sustentável por ser uma alternativa ao sistema de produção tradicional com alto uso de insumos e de água. 

Quinze famílias de assentados cultivam o algodão colorido em sistema de sequeiro, sem nenhum tipo de adubo ou inseticida sintético. O algodão é certificado pela Associação de Certificação Instituto Biodinâmico (IBD) e a partir do próximo ano receberá o selo de certificação orgânica participativa, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o que representará uma redução dos custos de produção, tendo em vista que o produto será avaliado pelos próprios agricultores, com a supervisão da Superintendência Federal da Agricultura no Estado da Paraíba.

O agricultor Aluísio Rodrigues dos Santos cultivava o algodão branco desde criança e há quatro anos ouviu falar do algodão colorido, ficou curioso e resolveu experimentar. "Apareceu essa semente de algodão que vinha das bandas de Remígio (Município da Paraíba), aí eu disse: ‘eu quero uns cinco quilos da semente desse algodão para ver se é bom'. Recebi dez quilos e a renda é melhor que o branco. Então resolvi só plantar ele. A renda é melhor, tem mais preço."

O algodão é beneficiado no próprio assentamento na miniusina descaroçadora desenvolvida pela Embrapa para os pequenos produtores de algodão. A máquina separa a semente da fibra; a semente fica no assentamento para o próximo plantio e para alimentação animal; e a fibra segue para a indústria de fiação em Campina Grande e João Pessoa e, depois, para teares mecânicos rústicos que ainda existem em diversos municípios paraibanos.

Neste ano, foram colhidos cerca de cinco mil quilos de fibra, negociada antecipadamente com a Associação da Indústria do Vestuário da Paraíba a R$ 10,00 o quilo. 

Como já nasce colorida, a fibra dispensa o uso de produtos químicos para tingir o tecido e economiza 83% de água no processo de acabamento da malha, em comparação com os tecidos coloridos artificialmente. Essas características tornam o produto muito procurado pelas empresas voltadas para a chamada "moda verde".

Os desafios da produção

Além da escassez de água, o algodão colorido precisa sobreviver ao bicudo-do-algodoeiro (Anthonomus grandis), uma das principais pragas da cultura. O inseto contribuiu para a diminuição gradativa das plantações de algodão branco na região Semiárida, que já foi a maior área de produção algodoeira do País.

O bicudo ataca o botão floral do algodoeiro e deposita o ovo dentro dele. Depois de furado pelo bicudo, o botão cai e em aproximadamente 25 dias surge um novo inseto adulto. "Uma fêmea pode perfurar até 200 botões e se não for feito o controle, pode botar toda a safra a perder", explica o analista da Embrapa Algodão, Isaias Alves.

Para conviver com o bicudo, seu Aluísio apanha e destrói os botões infestados pela larva do inseto. "Antigamente, ninguém catava os botões que o bicudo furava e, se não apanhar os botões que caem, nasce cada vez mais bicudo. Por orientação da Embrapa, a gente começou a apanhar e o bicudo foi acabando. Faz quatro anos que eu planto e olha aí a produção." 

Depois da colheita os animais são soltos no campo. A criação de gado bovino e caprino é outra fonte de renda para os produtores do assentamento. "Os bichos comem os restos das plantas, a gente corta o que sobra e deixa o campo limpo pra plantar no próximo ano", diz. 

O presidente da associação de produtores do assentamento, Luiz Rodrigues da Silva, conhecido como seu Betinho, destaca que outra medida importante para o controle do bicudo na área é concentrar o plantio numa mesma época para que a praga não migre de uma plantação para outra e tenha sempre alimento disponível. "Se alguém plantar fora da época atrapalha os outros", enfatiza.