terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Reduzir, reutilizar e reciclar estão se tornando o novo grito da moda

A moda sustentável se baseia na criação de produtos projetados para durar que sejam feitos de matérias primas ambientalmente amigáveis como fibras orgânicas sem produtos químicos e fibras feitas de materiais pós-industrializados como plástico, resíduos têxteis e resíduos orgânicos. A sustentabilidade, por definição, deve satisfazer as necessidades da geração atual sem comprometer as gerações futuras.

O grande desafio da sustentabilidade é a cooperação entre os fornecedores, marcas de moda, organizações de normas ambientais e consumidores. Para a indústria da moda, o verde é o novo preto e investir em práticas sustentáveis está se tornando a norma devidos aos problemas socioambientais causados pela obsolescência programada que fez com que toneladas de produtos pós-industrializados fossem parar nos aterros sanitários e até nos oceanos.

Por isso novas tecnologias sustentáveis estão sendo criadas para reciclar o material descartado em novos tecidos. É a economia circular do “berço ao berço” sendo aplicada por diversas empresas de moda para criar novos produtos reciclados de forma inteligente e sustentável. Os 3 Rs da sustentabilidade: reduzir, reutilizar e reciclar, estão se tornando o novo grito da moda.

Reduzir, reutilizar e reciclar estão se tornando o novo grito da moda stylo urbano

Veja a seguir algumas empresas que estão fazendo trabalhando para reciclar materiais como plásticos e tecidos velhos para transformá-los em novos produtos.

Timberland fez uma parceria com a thread, uma fabricante americana de tecidos sustentáveis, para criar uma coleção de calçados e bolsas criados a partir de garrafas de plástico reciclado pós-consumo. A colaboração busca criar oportunidades econômicas nos países em desenvolvimento como o Haiti e Honduras, onde as garrafas são primeiramente recolhidas para depois serem fiadas nos Estados Unidos.

A coleção sustentável da Timberland utiliza resíduos pós-consumo como borra de café e garrafas de plástico recicladas para criar os tecidos de seus casacos. A empresa desenvolveu também o ReCanvas, um material que parece, sente e age como uma lona de algodão tradicional, mas é feita 100% de garrafas de plástico reciclado pós-consumo (PET).


A recolha de garrafas plásticas além de deixarem os bairros mais limpos acabam criando emprego nesses países. Além do programa de reciclagem, a Timberland completou seu compromisso de cinco anos para plantar 5 milhões de árvores no Haiti. O objetivo era criar uma “cooperativa agro-florestal auto-sustentável” para milhares de pequenos agricultores que pudesse aumentar a produtividade de suas terras e aumentar os seus rendimentos.



O campeão mundial de surfe, Kelly Slater, fundou sua marca de roupa Outerknown focada 100% em tecidos reciclados e sustentáveis. Kelly queria criar uma maneira melhor de fazer roupas usando menos recursos na fabricação e utilizando materiais descartados que estavam poluindo os oceanos como plásticos e redes de pescas de nylon.

Sua marca Outerknown utiliza os tecidos Econyl , um tecido de nylon criado a partir de redes de pesca e outros resíduos recuperados dos oceanos. O material é produzido pela fabricante de fibras sintéticas italiana Aquafil que afirma que o Econyl pode ser reciclado infinitas vezes sem qualquer perda de qualidade.

A Aquafil faz parceria com uma ONG que vasculha o fundo do oceano retirando redes de pesca velhas que poderiam prender e matar animais marinhos. A empresa também compra redes velhas de pescadores para reciclá-las em novos fios.

Em abril de 2016, foi anunciado que o tecido de nylon reciclado também será utilizado na coleção de jeans masculinos da Levi.

A campanha “upcycling the oceans” da marca de moda espanhola Ecoalf, visa retirar toneladas de plástico do oceano para transforma em tecidos. O impacto ecológico sobre os mares está crescendo ano após ano. Atualmente 6,4 milhões de toneladas de lixo nos oceanos e os plásticos constituem cerca de 90% disso.

Diante dessa realidade, a Ecoalf que é conhecida por fazer suas coleções com materiais totalmente reciclados como borras de café, pneus velhos, garrafas PET, redes de pesca e fibras de algodão e lã reciclados, lançou o projeto colaborativo “upcycling the oceans”, cujo objetivo principal é limpar os oceanos através da participação ativa dos pescadores.

Este projeto que é pioneiro a nível mundial, começou suas andanças nos mares do Mediterrâneo e os resíduos de plástico resgatados resultaram na coleção de primavera / verão 2017, apresentada em Florença na Pitti Uomo.

Além disso, a Ecoalf fez parceria com a Ecoembes, uma organização da Espanha que cuida do meio ambiente e promove a sustentabilidade através da reciclagem de embalagens. A Ecoalf e uma marca de vanguarda que utiliza tecidos oriundos de materiais descartados dando-lhes uma nova vida através de roupas bonitas, modernas e atemporais.

Seguindo os passos da Ecoalf, a linha de roupas G-Star Raw for the Oceans inclui uma gama de produtos feito de denim que utilizam cerca de nove toneladas de plástico retirado do oceano. Utilizar toneladas de plástico retirados do oceano que são transformados em fios de poliéster reciclado para fabricar denim, é uma maneira de vender um tecido sustentável aos consumidores que podem assim assumir alguma responsabilidade ambiental sem sacrificar o estilo.

Uma das questões mais importantes relacionadas com a economia circular é ter certeza que usaremos os recursos existentes de forma eficiente, reciclando todos os resíduos que antes iam parar no lixo. Pensando nisso foi criada em 2013 a Pure Waste, uma marca de roupas ecológicas da Finlândia que produz tecidos  e roupas 100% reciclados de resíduos de algodão e poliéster.

A Pure Waste funciona da seguinte forma: a empresa compra todas as sobras de tecidos dos fabricantes de tecidos que normalmente iam parar no lixo, classifica esses resíduos por cor, depois tritura o tecido de algodão para transformá-lo em fios e, finalmente, transforma os fios em tecidos utilizáveis.

O produto final é um tecido de alta qualidade com 85% de algodão reciclado e 15% de poliéster reciclado, que teria sido eliminado como resíduos. Como a empresa classifica os resíduos por cor, não é preciso nenhum novo tingimento adicional durante o processo. Usar somente algodão reciclado economiza 11.000 litros de água por quilograma, comparado ao uso de algodão novo, segundo o site da empresa.
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No entanto, de acordo com um dos fundadores da Pure Waste, Hannes Bengs, a tarefa de encontrar tecidos 100% reciclados foi bem difícil:

“Naquela época, começamos a pensar sobre o uso de tecidos totalmente reciclados e por isso, começamos a olhar para tecidos que fossem 100% reciclados. Para nossa surpresa, nós não conseguimos encontrar fornecedores de tecidos reciclados. Então, ficamos animados e percebemos que poderíamos nós mesmos começarmos a fornecer tecidos reciclados a outras empresas.”

Toda fabricação dos tecidos é feita na Índia. O modelo de negócio da Pure Waste é relativamente simples. A empresa compra sobras de tecidos de fabricantes, os transforma em tecidos utilizáveis ou roupas e os vende para outras empresas ou para consumidores individuais. O que é particularmente interessante sobre o modelo de negócios da empresa são os recursos não utilizados que a empresa está tentando utilizar.

Cerca de 10 a 15% dos tecidos utilizados na fabricação de roupas são geralmente desperdiçados, o que gera milhares de toneladas de tecidos que vão ser jogados fora. Se essas sobras de tecido puderem ser reciclados de forma eficiente para criar novos tecidos de qualidade, se torna um negócio rentável pois matéria prima é que não vai faltar.

O vídeo abaixo mostra como é feito o processo até se tornar uma camiseta.


Que tal usar uma blusa de tricô feita de jeans reciclado? Diga Olá para “Bille Jean”, uma nova coleção de fios feito de jeans upcycled da empresa Wool And The Gang, uma marca de vestuário com sede em Londres que oferece tanto os fios para você tricotar e roupas feitas do fio de jeans reciclado.

Os fios são feitos de roupas e retalhos de jeans velhos que são moídos em fibras, que depois são novamente tecidos em fios. Billie Jean não usa produtos químicos nem corantes na sua criação. Os fios também reutilizam os 20.000 litros de água que foram gastos inicialmente para fabricar as roupas jeans que passaram por upcycled. Fantástica não?
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A icônica marca americana de jeans, Levi Strauss & Co., juntou as mãos com uma start-up de tecnologia têxtil chamada Evrnu para produzir o primeiro par de jeans do mundo feito de resíduos de algodão pós-consumo 100% reciclados, usando cinco camisetas de algodão descartados para criar um par de jeans 511 Levi.

Fundada em 2014, a Evrnu tem base no estado de Washington, e procura enfrentar o impacto ambiental da indústria da moda. De acordo com a Evrnu, o seu jeans foi feito usando uma nova tecnologia de reciclagem que pode converter os resíduos de algodão velho em fibras renováveis e usar 98% menos água do que o algodão virgem. Essa tecnologia irá ajudar a Levi a reduzir o seu impacto ambiental global.

Esta nova tecnologia de Evrnu para criar um par de jeans com resíduos de algodão é um grande avanço em sustentabilidade e inovação na fabricação de vestuário para ajudar a reduzir significativamente o impacto global sobre o planeta.

Stacy Flynn, diretora executiva da Evrnu acrescentou, “Levi Strauss and Co. foi nosso primeiro parceiro que apostou na nossa tecnologia e capacidade por ser uma empresa americana icônica com um produto que é reconhecido em todo o mundo. A nossa aspiração é construir um par de jeans Levi que seja tão bonito e forte como o original e nós estamos fazendo um grande progresso em direção a esse objetivo para que possa ser produzido em larga escala.”

Como pode ver, as novas tecnologias de reciclagem são uma excelente alternativa para diminuir de forma eficiente e sustentável parte do impacto ambiental causado pela indústria da moda. Viva a tecnologia e inovação!
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PET de hoje, roupa de amanhã

Materiais recicláveis, como garrafas plásticas, viram tendência na moda mundial

Movimentos que propõem cada vez mais a exposição de todos os processos de fabricação de uma roupa andam colocando a moda em uma berlinda. Um dos desafios dos tempos atuais é tornar o consumo cada vez mais sustentável por meio de alternativas que visam à diminuição do impacto ambiental.
E uma dessas iniciativas vem por meio da garrafa PET, que atualmente vive um de seus melhores momentos no universo da moda. É que por meio de um processo de reciclagem, o plástico da garrafa é transformado em fibras que, por sua vez, resultam em um tecido forte, porém macio. Embora ainda soe como uma novidade, há marcas no mercado, como a My Basic, responsáveis por tornar realidade a reciclagem do PET como roupa já há algum tempo. Uma camiseta básica vendida no e-commerce da grife, por exemplo, equivale a aproximadamente duas garrafas retiradas do meio ambiente.
Buscando alternativas mais ecológicas e reverberando a preocupação com o futuro, a nova safra de estilistas também vem se empenhando para popularizar este tecido e, de alguma forma, torná-lo mais viável.
Antônio Fernando Santos, coordenador do curso de Design de Moda da Fumec, entende que os alunos recém-formados estão, sim, mais empenhados na questão da sustentabilidade e mais conscientes da importância da reciclagem. “O tecido feito a partir da garrafa PET se parece muito com a viscose, tanto no caimento quanto no toque. Em geral, ele é combinado com algodão ou linho, que conferem um toque ainda mais confortável e diminui ainda mais o custo”, explica.
Mais vantagens
O estilista Célio Dias, nome por trás da marca mineira LED, conheceu o tecido PET há quase um ano e investe na matéria-prima para produzir parte de suas peças a cada coleção lançada. “Uma das vantagens desse tecido é a facilidade para estamparia, porque ele ‘aceita’ mais facilmente técnicas diversas, como a sublimação. O custo, por conta da tecnologia da reciclagem, é um pouco mais alto, mas o fato de trabalhar com tecidos sustentáveis é gratificante e menos danoso ao meio ambiente”, defende.
Além da responsabilidade socioambiental, da facilidade para estamparia e da durabilidade, Célio também aponta mais um benefício no uso dessa matéria-prima: o conforto. “Ele funciona como o poliéster, que é nada mais, nada menos que plástico que é poluente. Mas o tecido que uso é combinado com outras fibras naturais, o que favorece o caimento e não esquenta tanto quanto um sintético”, conta.
Ecologicamente bonito
Bruna Miranda, idealizadora da Review Slow Living – plataforma sustentável que faz um mapeamento de marcas que trabalham com o consumo consciente –, explica que a indústria da moda sustentável ainda carrega o estigma de estar associada a produtos sem estética. Se antes, na moda, termos como “ecológico” e “sustentável” eram sinônimos de peças com nenhum design, estilistas estão provando, cada vez mais, que é possível trabalhar as tendências com criatividade e bom gosto.
“Algum tempo atrás, uma peça ou era sustentável, ou era bonita. Hoje, não é só assim. As marcas estão investindo em design e informação de moda nesse tipo de tecido e transformando-o em peças desejáveis e vendáveis dentro de uma estética mais atemporal e minimalista, acessível a todos os gostos”, aponta.
Quem compartilha dessa opinião é a estilista Ana Sudano, que trabalha há três anos com maneiras socioambientais e tecidos tecnológicos junto à marca Grama. Para ela, a indústria têxtil caminha a passos cada vez mais largos em direção à criação de artigos que unam estilo e alternativas mais limpas.
No entanto, ela ressalta que um dos empecilhos para a popularização da técnica ainda é a falta de conhecimento do produto. “Ainda existem consumidores que, ao saber que a roupa foi feita de um tecido gerado a partir de garrafa plástica reciclada, associam o produto a lixo. Moda é muito impacto visual. Quando a roupa gera desejo, a mensagem por trás vem automaticamente”, acredita.
Alternativa mais durável para calçados
Vegetariana já há alguns anos, a designer mineira Luisa Jordá encontrou nos tecidos desenvolvidos a partir de embalagens PET recicladas a matéria-prima capaz de substituir o couro animal e outros produtos utilizados na indústria calçadista para criar peças para sua marca estúdio NHNH. Segundo ela, o tecido ecológico não só é bem resistente, como durável e fácil de trabalhar.
“Os fabricantes estão começando a aprender que existem outros materiais que podem ser bem-explorados sem que agridam exaustivamente o meio ambiente, como acontece com o couro animal”. Ainda de acordo com ela, há sim, no mercado, uma demanda significativa por produtos afins, vinda de pessoas que procuram por produtos que não sejam fabricados com materiais de origem animal. 
“As pessoas adquirem a peça porque gostam do design, mas a consciência da produção da indústria vem embutida. É algo que as empresas deveriam adotar, já que a ideologia pode atingir os clientes, e é uma onda que só vem crescendo”, relata.
 
Recentemente, a Adidas desenvolveu um tênis de corrida usando lixo plástico recolhido dos oceanos. A iniciativa é fruto de uma parceria com a organização ambiental Parley for the Oceans. Cada par usa 11 garrafas plásticas, transformadas em fios, na fabricação de sua parte superior. Já a sola, o cadarço e a meia embutida são confeccionados com resíduos de garrafas PET recicladas. Outras marcas de calçados, como a Insecta Shoes, também acreditam que utilizar garrafas recicladas para fazer peças é uma maneira correta de eliminar resíduos. Para Bruna Miranda, do Review Slow Living, a produção sustentável tem um valor maior, e as marcas, de maneira geral, estão procurando por isso. “Fazer com que as pessoas fiquem interessadas em usar esse tipo de material e que percebam que é possível alinhá-lo à estética é uma boa maneira de tornar essas iniciativas mais acessíveis de maneira geral, e não apenas a um nicho de pessoas que já são comprometidas com a sustentabilidade”.

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Dana Cohen utiliza resíduos têxteis para sua coleção de moda sustentável

A talentosa estilista Dana Cohen para sua coleção de formatura na Shankar College of Engineering and Design em Israel, criou a coleção de moda sustentável “Worn Again“, feita através de upcycled de tecidos velhos. Dana Cohen transformou resíduos têxteis em verdadeiras obras de arte vestíveis, mostrando que a beleza pode ser criada a partir de algo descartado.

Sua linda coleção de vestidos foram feitos através da reciclagem mecânica de roupas velhas que depois de trituradas numa máquina de reciclagem mecânica se transformaram num feltro que depois foi prensado, misturando vários fibras de tecido colorido. Blusas usadas se transformaram em fibras para criar novos tecidos utilizando processos têxteis diferentes. Malhas tricotadas foram integradas ao novo tecido reciclado, mostrando a transformação e união entre os resíduos do tecido antigo com o novo tecido para criar roupas modernas e super estilosas.

Tendo um controle total sobre a criação dos tecidos, a estilista pode criar listras e misturas de fibras coloridas que criaram um impacto visual fantástico.  Originalmente inspirada por uma pintura do artista pop Jackson Pollock, ela decidiu que cada combinação de cores de suas roupas faria referência a uma de suas pinturas, cuja técnica de gotejamento de tinta sobre tela inspirou Dana Cohen, que buscou criar uma semelhança nas texturas aleatórias que foram criados durante o processo têxtil. 

Ganhadora do Prêmio Fini Leitersdorf Excellence Award por criatividade e originalidade em Moda, e o Rozen Award for Design and Sustainable Technologies em 2015, Dana Cohen agora está focada em como poderia encontrar maneiras dos tecidos feitos de resíduos têxteis reciclados serem incorporados na produção em massa. Considerando-se que cerca de 17.000 toneladas de tecidos são jogados fora a cada ano em Israel, a reutilização dos resíduos como recursos, poderia aliviar o enorme fardo que a indústria da moda impõe ao meio ambiente.
Dana Cohen utiliza resíduos têxteis para sua coleção de moda sustentável stylo urbano-1

De acordo com a estilista, “Eu encontrei uma maneira de criar um novo ciclo de vida para as malhas usadas, picotando-as e unindo as fibras obtidas para criar novos tecidos. Eu gosto da ideia de que a cor original dos tecidos reciclados consistem de muitas malhas diferentes, cada uma com sua própria história. Depois eu tricoto novas malhas e as integro ao novo tecido reciclado, unido o antigo ao novo para criar peças únicas.”

O trabalho de Dana Cohen também representa a influência do nosso passado em nosso presente. “Cada peça simboliza a possibilidade de criar beleza a partir de algo que pensávamos que já tinha terminado“.  Esses são os estilistas de vanguarda, que desenvolvem novas maneiras de criar tecidos e roupas com materiais descartados pela própria efemeridade da indústria da moda.

Dana Cohen utiliza resíduos têxteis para sua coleção de moda sustentável stylo urbano-2

Levi's lança nova coleção masculina de jeans feita de redes de pesca velhas

Quando se trata de ética e preocupações ambientais, a icônica marca de jeans Levi Strauss & Co. tem uma boa reputação. A partir da introdução de novas tecnologias para diminuir o consumo e reciclagem da água nos processos de tingimento e lavanderia em suas fábricas e incentivar as pessoas a não lavarem com frequência suas peças jeans, a empresa está sempre procurando novas maneiras de melhorar.

A Levi fez uma parceria com a fabricante de nylon italiana Aquafil que desenvolveu um material sintético chamado Econyl feito 100% de resíduos de nylon regenerado. Os resíduos de materiais pré e pós-consumo incluem redes de pesca descartados e tapetes antigos. A Aquafil tem uma parceria com a ONG Healthy Seas Initiative cujos mergulhadores vasculham do fundo do oceano a procura de redes de pesca velhas descartadas por pescadores, reduzindo ligeiramente as 640.000 toneladas de redes de pesca que estão atualmente à deriva nos oceanos, o que representam uma ameaça constante à vida marinha.

Outra razão pela qual a Levi está buscando materiais reciclados é a preocupação de que a produção de algodão, o principal ingrediente para a fabricação do denim,  não possa manter uma demanda crescente devido à falta de terra disponível para o cultivo e também pela quantidade absurda de pesticidas e água necessária para produzir algodão. É necessário procurar opções alternativas e de preferência de circuito fechado.

Econyl é uma poliamida e segundo a Aquafil, “O  ECONYL® é o sistema industrial mais eficiente do mundo para a produção de Nylon 6 e é o único que possui nenhuma perda de qualidade após a recuperação e transformação de resíduos de nylon.” O Econyl está sendo incorporado no jeans Levi 522 masculino, com uma composição de 61% algodão, 38% poliamida (Econyl), e 1% elastano.

Essa poliamida reciclada é usada para produzir uma ampla gama de produtos têxteis para moda praia, moda esportiva, roupa de banho e tapetes. O futuro da moda é a sustentabilidade, e a melhor forma de fazer isso é desenvolver  novas tecnologias para reciclar de forma eficiente e sem desperdício os materiais industrializados que são descartados. Felizmente a cada dia surgem mais empresas empenhadas nisso.
Levi lança nova coleção masculina de jeans feita de redes de pesca velhas stylo urbano

A descolada moda upcycling do renomado estilista Greg Lauren

O talentoso estilista americano Greg Lauren cria fantásticas coleções masculinas e femininas feitas inteiramente de materiais upcycled. Com foco nos tecidos militares descartados como as tendas do exército americano, ele também trabalha com uniformes de escoteiros, cobertores, denim e até pára-quedas. Suas coleções são uma incrível mistura de Cowboys, Dandis e Mad Max criando um visual de estilo nômade, onde cada item foi habilmente adaptado, rasgado e remendado criando um padrão inteiramente original.
A descolada moda upcycling do renomado estilista Greg Lauren stylo urbano-1
Trabalhando com materiais americanos icônicos, a estética de Greg Lauren é uma visão romantizada de moda masculina. Uma sensação áspera de nostalgia é encontrada nos tecidos com aparência de gastos pelo tempo, oferecendo uma segunda vida ao material que havia sido descartado. Greg além de estilista é artista plástico e já fez sucesso como ator de filmes e série.

Talvez seja por isso que ele faz uma mistura incrível do vintage com o futurista em cada coleção, com looks que lembram cowboys, dândis, operários e nômades da virada do século misturados com guerreiros urbanos, heróis futuristas e lutadores. A pegada de Greg é essencialmente masculina mas a sua linha feminina também é muito bem elaborada utilizando materiais descartados. Para sua nova coleção de Outono o estilista se inspirou no arquétipo do herói.
A descolada moda upcycling do renomado estilista Greg Lauren stylo urbano-2
A estética das coleções de Greg Lauren focam no design upcycled dos mais diferentes tecidos que encontra em suas pesquisas com uma paleta de cores ditadas pela natureza dos materiais como o verde militar, índigo denim, preto, terra e ocre além do branco como marcantes pitadas de cor.  Greg Lauren cria coleções mágicas. 

Veja a notícia completa em: Stylourbano.com.br

segunda-feira, 14 de março de 2016

Práticas sustentáveis para criação e produção de Moda são tema de curso em 5 módulos no LAB Fashion

No dia 16/03, próxima terça-feira, o espaço de coworking vai receber o primeiro módulo, que aborda o design de moda sustentável - São Paulo, 10 de Março de 2016


Espaço voltado para a discussão de temas relacionados ao universo de Moda, o LAB Fashion recebe na próxima terça-feira, 16/03, o primeiro módulo, de um curso de 5 etapas, que tem como tema as práticas sustentáveis nos processos criativos e produtivos da moda.
Desenvolvido pela UN, agência especializada em moda e sustentabilidade criada pelas consultoras e representantes do Fashion Revolution Brasil, Fernanda Simon e Eloisa Artuso, o curso PANORAMA DE PRÁTICAS SUSTENTÁVEIS NOS PROCESSOS CRIATIVOS E PRODUTIVOS DA MODA oferece uma visão prática para quem deseja incluir métodos éticos e sustentáveis no processo de desenvolvimento de moda.
O curso está dividido em 5 módulos, de 2h30 cada, com duração total de 12:30h. É possível fazer a inscrição para o curso completo ou para cada um dos módulos individualmente:

Módulo 1 – Design de moda sustentável: como transformar os processos de criação e produção
Dia 16 de março às 19:30h

Módulo 2 – Comportamento de consumo consciente: como os designers de moda podem se preparar para essa nova demanda?
Dia 06 de abril às 19:30h

Módulo 3 – Tecnologia para um futuro sustentável
Dia 11 de maio às 19:30h

Módulo 4 – Têxteis e sustentabilidade: Tradição e Inovação
Dia 15 de junho às 19:30h

Módulo 5 – Moda ética e novos modelos de negócio que fomentam boas relações socioculturais
Dia 5 de Julho às 19:30h

Valores:
Modulo individual – R$ 176,00
Pacote 5 módulos – R$ 748,00

Inscrições ou outras informações podem ser obtidas no e-mail: contato@labfashion.com.br

www.labfashion.com.br

Tel.: 11 3467 – 1747

Informações para a Imprensa:
Gisele Araújo
gisele@ralcoh.com.br 
(11) 3257.4741 - ramal 16



sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Será que os resíduos têxteis serão a próxima fronteira da moda sustentável?

Mais uma notícia interessantíssima do site Stylo Urbano:
Será que a reciclagem dos resíduos têxteis é a próxima fronteira da moda sustentável? Com certeza esse seria um passo necessário para fechar o ciclo na indústria têxtil, mudando-a de uma economia linear predatória para uma economia circular eficiente. Os seres humanos são a única espécie no planeta que criam resíduos, e as toneladas de lixo que criamos anualmente foi ampliado pelo aumento da revolução industrial.

O que precisamos fazer urgentemente é manter essas toneladas de resíduos sob controle e reciclá-los sempre que possível. Só no Brasil, 95% dos resíduos vão parar nos aterros. Existem dois tipos de resíduos criados quando você compra um produto. O resíduo de pré-consumo que é desperdiçado no processo de fabricação de um item para venda e consumo. O resíduo de pós-consumo que é o que sobra depois de consumir o produto adquirido: a embalagem, o próprio item, ou outros itens que sobraram.

Será que os resíduos têxteis serão a próxima fronteira da moda sustentável? stylo urbano-18
Os resíduos que criamos podem gerar uma fonte infinita de recursos sem sobrecarregar o meio ambiente. Em 30 anos, devido ao crescimento das redes de fast fashion, o consumo de moda cresceu 400% no mundo todo e isso gerou toneladas de resíduos têxteis que vão para no lixo.

No século XXI, quem é da vanguarda da moda sabe que a sustentabilidade é o único futuro possível num mundo que enfrenta cada vez mais problemas de falta de água e de recursos naturais. A marca espanhola Ecoalf faz um incrível trabalho de reciclagem de materiais para criar coleções de moda sustentáveis e modernas.  O último projeto da marca foi o Upcycling the Oceans criado para limpar os oceanos dos resíduos plásticos, em pareceria com pescadores.

Será que os resíduos têxteis serão a próxima fronteira da moda sustentável? stylo urbano-1
Lembrando que na fabricação desses materiais que foram descartados, se gastou toneladas de água, energia elétrica e matéria prima que depois foram parar no lixo. Isso não é racional. Por isso grandes empresas de moda estão cada vez mais investindo em novas tecnologias sustentáveis para resolver de uma vez o problema da reciclagem de toneladas de roupas e tecidos que são descartados todos os anos. O concurso internacional de economia circular Global Change Award 2015 criado pela H&M é uma dos exemplos disso.

De acordo com Annie Leonard da divertida série “A história das coisas”, gasta-se em média 70 latas de lixo para produzir o excesso de pré-consumo para fazer os itens que você joga fora em sua lata de lixo a cada semana. É apenas lógico pensar que os resíduos que criamos podem gerar uma fonte infinita de recursos sem sobrecarregar o ambiente ainda mais.

Em termos de materiais têxteis, o poliéster se tornou o tecido número um fabricado no planeta. É um produto à base de petróleo, que responde por cerca de 2%  do consumo mundial de petróleo. Como o barril de petróleo está super barato hoje, o consumo de tecidos de poliéster aumentou e ajudou a diminuir o consumo de algodão.

Mas as roupas e tecidos sintéticos não são biodegradáveis como os tecidos naturais ou artificiais, assim precisam ser reciclados para não contaminar o solo. O algodão é o segundo tecido mais utilizado no planeta, e é um produto muito dependente da água. Gasta-se 2.900 litros para fabricar uma simples camisa de algodão comum e 1 quilo de jeans exigiria cerca de 11.800 litros. Em comparação aos 400 a 715 litros de água que se gasta para fazer uma camiseta de algodão orgânico.
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Um exemplo do impacto ambiental da produção de algodão pode ser encontrada no Mar de Aral , na fronteira do Cazaquistão e Uzbequistão. No passado ele foi o quarto maior lago de água doce do planeta. Agora, ele está 90% seco, porque seus afluentes foram desviados para irrigação do cultivo de algodão. Basta dizer que, quanto menos água doce tivermos no mundo,  teremos também menos acesso ao algodão.

Uma fábrica média de roupas joga fora cerca de 27.215 Kg de materiais de pré-consumo a cada semana. Isso inclui fios, botões, aviamentos e retalhos de tecidos que sobram depois de um produto é feito. A economia circular visa dar um novo uso a esses resíduos e os usar eficientemente para criar novos produtos que podem ser reciclados na cadeia produtiva de moda criando novos tecidos e materiais.

Os dias da moda descartável devem terminar se realmente desejamos criar produtos sustentáveis. Então, se é preciso transformar todos os resíduos de materiais descartados em novos materiais para a moda, então sim, os resíduos têxteis realmente são a próxima fronteira de moda sustentável. Vamos chegar lá juntos.
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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Para as marcas de moda, ser sustentável já não é mais uma escolha

Gosto muito das postagens do site Stylo Urbano, principalmente as que se relacionam com os assuntos de Moda & Sustentabilidade. Essa abaixo é mais uma delas.

Devido a seca sem precedentes de quatro anos no estado da Califórnia, muitas empresas da região foram obrigadas a resolver suas taxas de consumo de água. Várias marcas de jeans do estado mais rico dos EUA desenvolveram maneiras de reduzir as centenas de litros de água que são necessários para produzir um par de calça jeans. A resposta que encontraram foi usar máquinas a laser e lavagem de ozônio, que exigem menos água do que as máquinas convencionais.

Essa mudança não está acontecendo só na Califórnia mas em centenas de empresas de moda em todo mundo, que estão fazendo mudanças a fim diminuir sua pegada ambiental e também seus gastos com água e energia. Uma década atrás, esse não era o caso. Antes que chavões como “sustentabilidade”, “consumo consciente”, “moda ética” e “economia circular” se tornassem assunto corriqueiro na mídia e redes sociais, as pessoas costumavam associar esses termos a “moda hippie”. Em 2014, a empresa Nielsen fez uma pesquisa com mais de 30.000 pessoas em todo o mundo, e mais de metade disseram que elas estão dispostas a pagar mais por itens feitos por empresas “comprometidas com impacto social e ambiental positivo.”
Para as marcas de moda, ser sustentável já não é mais uma escolha stylo urbano-1
52% dos entrevistados pela pesquisa da Nielsen disseram que verificam os rótulos dos produtos antes de comprarem para garantir que a marca está empenhada no impacto social e ambiental positivo. As compras ​​que são mais influenciados pelas informações sustentáveis na embalagem são: Ásia-Pacífico (63%), América Latina (62%) e Oriente Médio / África (62%) e em menor medida na Europa (36%) e Estados Unidos (32% ).

Da mesma forma que as as grandes redes de fast fashion, as marcas de luxo também não estão podendo ignorar a sustentabilidade na fabricação de seus produtos.  O mercado de luxo que é formado por jóias, carros esportivos, relógios, bebidas premium, sapatos de alta qualidade e roupas, é a combinação de alta qualidade, glamour, celebridade e atitude.

Para as marcas de moda, ser sustentável já não é mais uma escolha stylo urbano-2
Com poucas exceções, essa tem sido uma indústria que tradicionalmente não estava associada com as preocupações sobre impactos ambientais, direitos humanos e bem-estar, mesmo quando essas tendências estavam tomando conta do setor de consumo de produtos. Mas de acordo com o novo relatório “Previsões para a Indústria de luxo 2016: Sustentabilidade e Inovação“, a indústria do luxo também vai ter que se reinventar.

Duas organizações que trabalham em estreita colaboração com empresas de luxo, a Luxury Institute e o Positive Luxury, produziram também um estudo. Diana Verde Nieto, a fundadora do Positive Luxury e principal autora do estudo, apresenta um argumento convincente de que a sustentabilidade e a responsabilidade social são agora requisitos obrigatórios para as marcas de luxo.

O relatório estabelece algumas pressões importantes.

Primeiro, a pressão direta: as leis estão mudando. O relatório aponta para a aprovação da “Lei da Escravidão Moderna” na Inglaterra em 2015, o que exige que grandes empresas que fazem negócios no país façam uma declaração pública anual contra a escravidão e tráfico de seres humanos. Este tipo de lei exige claramente muito mais transparência e monitoramento da cadeia de fornecimento. E é uma coisa boa, pois 71% dos varejistas e fornecedores da Inglaterra acreditam que é provável que existam escravos em sua cadeia de fornecimento.

Em segundo lugar, a pressão indireta é mais poderosa: as normas sociais estão mudando, começando com formadores de opinião de alto perfil. Celebridades estão mais do que nunca investindo em sustentabilidade e promovendo novas formas de tornar a moda mais ética e sustentável como é o caso de Lavia Firth esposa do ator Colin Firth, e diretora criativa da consultoria de marcas sustentáveis Eco-Age, e criadora do “Desafio do Tapete Verde”. Para o Metropolitan of Art’s Costume Institute Gala 2015,  Lavia Firth apareceu com um lindo vestido vermelho desenhado pelo estilista Antonio Berardi feito 100% de garrafas pet recicladas para promover o consumo responsável no século 21.

Em uma escala maior, as expectativas das empresas estão mudando devido á influência da Geração Y que têm diferentes pontos de vista sobre como as empresas devem agir. O relatório cita pesquisa mostrando que 88% dos integrantes das gerações Y e Z na Inglaterra e  EUA, acreditam que as marcas precisam fazer o melhor, e não apenas o “menos ruim”. Esta geração está questionando o consumo em geral e a maioria deles dizem que estão gastando mais em experiências (o que significa, menos ênfase em coisas), o que é uma ameaça para o mundo do luxo.

E eles estão dirigindo uma tendência de “marca limpa” , onde as empresas sentem a pressão para explicar de onde vieram e como foram feito seus produtos. Em terceiro lugar, o relatório destaca o fato de que os investidores estão prestando mais atenção nas marcas de consumo que fazem um gerenciamento ambiental e social eficiente. Finalmente, há a dura realidade dos limites biofísicos que comprometem seriamente a capacidade dessas empresas e a fonte de matéria prima de seus produtos. A mudança climática está alterando a disponibilidade de água e produção de algodão e outras culturas ao redor do mundo.

A gigante do fast fashion H & M e o grupo de luxo Kering se uniram para juntas, investirem em novas tecnologias para criar uma economia sustentável de moda e fechar o ciclo sobre os resíduos têxteis. A Kering pretende ser o conglomerado de produtos de luxo mais sustentável do mundo e a H & M Conscious Foundation financia o Global Change Award para criar tecnologias inovadoras que possam criar novos tecidos sustentáveis feitos de resíduos têxteis e materiais plásticos.

Todo esse investimento em sustentabilidade não visa somente “salvar o meio ambiente” mas também criar mais eficiência e economia para as empresas na redução do consumo de água, energia elétrica, produtos químicos e desperdício de matérias primas valiosas que vão parar no lixo e que podem ser reaproveitadas na fabricação de novos produtos. A sustentabilidade e a economia circular estão se tornando o “novo normal” e com certeza não vai ser uma das inúmeras tendências passageiras na indústria da moda.
Para as marcas de moda, ser sustentável já não é mais uma escolha stylo urbano-8