quinta-feira, 25 de julho de 2013

Moda ecológica: mais do que tendência

O uso verde na moda vence os limites de mania passageira e se firma como conceito duradouro em passarelas e araras
 
Passarelas e vitrines cheias de glamour são, por essência, mutantes. Quando a escassez de recursos começa a ser uma verdade, o luxo ganha outro conceito. O Brasil conhece agora o início de uma transformação que já está arraigada em grandes territórios da moda, como Londres, Nova York e Paris. A peça de roupa do momento é feita de matéria-prima renovável, polui menos para ser fabricada e paga um valor justo aos trabalhadores envolvidos na fabricação.
É algo muito além da modelagem e do belo. O valor da roupa agora passa pela ética. Como toda grande tendência fashion que chega, porém, custa mais caro. Por enquanto. A jornalista Alice Lobo, que mantém o blog Verdinho Básico, voltado à moda sustentável, acredita que essa transformação é um caminho sem volta. A banalização de produtos conscientes nas araras deve seguir a lei da oferta e da procura e reduzir os preços para o consumidor.
– Hoje o sustentável é um nicho na moda. Mas a alta costura já foi nicho um dia, e o luxo, também – relembra Alice para quem acredita que o eco é uma tendência passageira.
Enquanto colocamos o primeiro pé na passarela, os gringos desfilam com passos firmes no quesito responsabilidade. Em eventos paralelos às semanas de moda, como o Estethica, salão de moda ética de Londres, os novos conceitos são elaborados e trocados entre diferentes produtores. Até mesmo conhecidas lojas de departamento, como as inglesas H&M e TopShop, lançam coleções inteiras feitas a partir de algodão orgânico ou de tecido reciclado.
Aqui, as ações continuam sendo pontuais. Parte vem de investimento de estilistas arrojados como Alexandre Herchcovitch, que lançou, na edição passada da São Paulo Fashion Week, peças de alfaiataria masculina feitas com tecido reciclado. A outra parte vem de novos nomes, como a gaúcha Débora Ydalgo, que, mesmo autônoma, produz peças com tecido que tem PET reciclado em sua composição.
A modelo veste blusa e colete de malha de garrafa PET Débora Ydalgo, e chapéu de lã orgânica Osklen
Foto:  Júlio Cordeiro
Ainda que as ações sejam isoladas, a consultora de moda especializada em sustentabilidade Danielle Ferraz relata um movimento crescente das marcas nos últimos dois anos:
– Hoje, muitas já nascem nos padrões da moda do futuro, enquanto as antigas se enquadraram ao conceito.
Apresentadora do canal GNT e consultora de moda, Chiara Gadaleta deseja que o tempo transforme os valores da sustentabilidade, que hoje são diferenciais de mercado, em princípios básicos da moda. Na TV e em seu blog, Ser Sustentável com Estilo, Chiara ensina a customizar e estimula o uso de roupas de brechó.
Para ela, o desejo de individualidade nas produções pode equilibrar a balança das compras em excesso. Nesse sentido, a ideia de brasilidade, com o uso de técnicas artesanais e materiais naturais, já aprovada no Exterior, pode reforçar o conceito sustentável nas roupas. Questionada sobre a possível efemeridade do que é eco no mundo fashion, Chiara é incisiva:
– Quem pensa que a moda sustentável vai acabar não entendeu nada.
 
Fonte: Hagah
 
 

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