segunda-feira, 6 de abril de 2015

Novas maneiras de se pensar a moda

A tendência da vez é trazer o fashion unido a ações que visam o consumo consciente. Conheça algumas delas


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PUBLICADO EM 05/04/15 - 03h00 - BÁRBARA FRANÇA
As estampas com o divertido “mascote lula” e a predominância de tons de azul são assinatura da Raw for the Oceans, uma linha de roupas elaborada pela grife G-Star Raw, em parceria com o astro Pharrell Williams, que esteve no Brasil no último fim de semana (27 e 28 de março) para se apresentar no festival Lollapalooza, em São Paulo. Os motivos marítimos presentes em jaquetas, jeans, camisetas e bonés, no entanto, não são apenas fruto da imaginação dos designers. A lula e a cor, bem como outros elementos, fazem referência à matéria-prima que dá origem a cada uma das peças: o plástico retirado dos oceanos.

“Raw for the Oceans”, que acaba de lançar sua segunda coleção com peças para a primavera/verão do Hemisfério Norte, utiliza um fio ecológico, derivado de garrafas PET como forma de contribuir para a despoluição das águas salgadas. Afinal, como informa a página oficial da grife, “hoje, nossos oceanos contêm seis vezes mais plástico que vida marinha”. O dado, aterrador, foi um dos motivos que levaram Pharrell Williams a se mexer para transformar a realidade, mas, felizmente, esta não se trata da uma iniciativa isolada na moda.

A chamada “moda ética” já pode ser considerada um movimento. Segundo a designer e pesquisadora do assunto Luciana Duarte, ela engloba tanto aspectos da moda sustentável, que diz respeito à relação, à utilização de tecidos ecológicos e às produções mais limpas, quanto ao aspecto sociais, como a garantia de direitos trabalhistas, a redução de desigualdade social e a valorização dos produtos e mãos de obra regionais.

Para ela, em um momento em que se fala tanto sobre escassez de recursos naturais e más condições de trabalho, até escravidão, dentro de empresas que produzem roupas para gigantes do mercado que tanto estamos acostumados a comprar e admirar, a moda ética chama a atenção sobre as consequências do consumo.

“Quando você compra alguma peça da moda ecológica, por exemplo, você está consumindo uma outra coisa chamada informação. Então, mesmo se o produto for um pouco mais caro, isso vai justificar um preço. Afinal, as pessoas precisaram consumir a informação sobre a origem dos produtos, sobre a mão de obra justa, sobre o impacto no meio ambiente, sobre a utilização, ou não, de testes em animais, o que é muito valioso”, comenta.

Então, para mostrar que o mundo glamouroso das tendências também pode, e deve, ser lugar de ética e sustentabilidade, o Pandora reuniu algumas iniciativas do Brasil, e inclusive, de Belo Horizonte que lidam com as mais variadas matérias-primas, põem em prática relações de trabalho diferentes e se preocupam com o bem-estar do ser humano e do planeta.

Circulando

No próximo sábado (11), a avenida Afonso Pena vai se transformar numa verdadeira loja de rua, mas visando uma “clientela” bem especial. Organizada por Luciana Duarte e mais de cem voluntários, o evento vai oferecer roupas e acessórios para moradores de rua. Batizada de “The Street Store”, a iniciativa, que surgiu na África do Sul e já rodou por diversos países, recebe doações e expõe os produtos na rua, em cabides e suportes, como se fosse uma loja a céu aberto.

Lá, os “compradores” podem escolher o que quiserem, motivados pelos seus próprios gostos e necessidades. (Saiba mais sobre pontos de doação e sobre o dia do evento acessando modaetica.com.br/the-street-store-bh-contexto-como-doar-e-como-ser-voluntario/). Além da conscientização sobre as pessoas que habitam as ruas e da solidariedade que o projeto propõe, ele também questiona o consumo excessivo e ajuda na diminuição da produção de lixo. “É legal colocar as roupas pra circular mais tempo na sociedade”, destaca Luciana, indo de encontro à “fast fashion”, termo em inglês para “moda rápida”, que designa uma relação com as peças praticamente descartáveis, dada a constante transformação das vitrines a partir da chegada de novas tendências.

Devagar

Ao contrário da moda rápida, a “slow fashion” (algo como “moda lenta”), procura questionar o consumo desenfreado e desnecessário sempre em busca de novidades. Por meio do conceito é que a designer Celina Hissa deu vida à Catarina Mina, uma marca nascida no Ceará que tem como carro-chefe o crochê e que valoriza, sobretudo, o trabalho manual.

A ideia, segundo a idealizadora, é oferecer algo durável para os clientes e que respeite também o tempo das crocheteiras, que têm participação importantíssima no produto que chega às lojas. São aproximadamente sete fixas, que trabalham em casa, participam da concepção estética das peças e no lucro das vendas e possuem carteira assinada.

“No meu trabalho como designer, eu via que na cadeia de produção como um todo, quem produz era sempre o último a ser reconhecido. Os interesses estavam voltados para a imagem do produto. Então, comecei a questionar isso, afinal, a criação só de um designer, ninguém faz nada sozinho”, comenta Hissa, que não desvaloriza a preocupação com a apresentação do produto.

“Claro que queremos oferecer algo bonito, nos preocupamos, e muito, com a imagem. O que fazemos é balancear um pouco mais essa cadeia, que é muito desequilibrada pra quem produz”.

É bonito sim

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Tiê Moda Ecológica, em BH, faz peças a partir de produtos reciclados, como pneus e fibra de bambu.

A Tiê Moda Ecológica, que inaugurou uma loja em Belo Horizonte em novembro passado, compartilha da preocupação com a beleza das peças. Oferecendo sapatos, roupas masculinas e femininas e acessórios feitos de matérias-primas como pneus, cápsulas de café, couro de tilápia e fibra de bambu, a ideia, de acordo com a proprietária Emanuelle Matoso, é desmistificar a qualidade dos produtos reciclados.

“Quando trabalhamos as peças, não é só pegar o produto in natura e colocar de qualquer jeito. Há todo um trabalho em torno dele. É como se lapidássemos o material que vai ser utilizado. Você vê um lacre de latinha de refrigerante, por exemplo, mas não é só isso. Todo o trabalho que é realizado em cima dele faz com que vire algo bonito e que você pensa: ‘Nossa, eu usaria isso!’ A moda ecológica pode ser usada com orgulho”.

Deu o que falar

No início do ano, um reality show norueguês deu o que falar nas redes sociais pelos absurdos expostos com relação ao bastidores do mundo da moda. Em cinco capítulos, o "Sweatshop Deadly Fashion" levou três blogueiras de moda para viver durante um mês como típicas trabalhadoras têxteis no Camboja. O objetivo do programa era mostrar a rotina dos trabalhadores nas “sweatshops”, fábricas têxteis com baixos salários e péssimas condições de trabalho, contrastando com a realidade das meninas, acostumadas a gastar até 600 euros em uma única peça de roupa e ganhar algumas para mostrar em seus blogs. Todos os episódios estão disponíveis no site da emissora Aftenposten.

Outras iniciativas perto de você 

A designer de moda Iáskara Isadora desenvolveu como trabalho de conclusão de curso uma coleção de rendas que utilizava como matéria-prima sacos de cimento. Ela também já criou peças que levam fibras de bananeira.

Ar do Brasil: ateliê que trabalha a cerâmica produzindo bijuterias inspiradas na natureza brasileira. O processo é todo artesanal.

Green Co. desenvolve roupas, calçados e acessórios utilizando matérias-primas sustentáveis e tecnológicas. Há lojas na Savassi e no Boulevard Shopping.

A Natura foi a primeira empresa a trazer frascos com vidro reciclado pós-consumo do mercado brasileiro. Na primeira etapa desta iniciativa foram utilizadas aproximadamente 472 toneladas de vidro reciclado, o que evita o descarte de material equivalente a 1,368 milhão de garrafas de 600 ml (com peso de 0,345 kg cada).

Para saber mais: O Museu das Minas e do Metal (MM Gerdau) discutirá a sustentabilidade e a ética na moda em uma palestra na próxima quinta-feira, 9 de abril, às 19h30, com entrada franca.

segunda-feira, 30 de março de 2015

Algodão colorido conquista mercado internacional de moda

A pluma marrom teima em crescer no meio da paisagem seca do agreste paraibano. (Fonte: Embrapa
Foto: Sérgio Cobel)

De símbolo regional em lojas de artigos para turistas, o algodão colorido alcançou o status de peças de luxo em feiras internacionais. As coleções são exportadas para a França, Itália, Espanha, Alemanha, Japão, Estados Unidos e países escandinavos. Em abril de 2015, o algodão colorido produzido no Semiárido estará presente na feira "1.618 Luxo Sustentável", em Paris. O evento seleciona as melhores iniciativas voltadas para o consumo sustentável ao redor do mundo.

No Assentamento Margarida Maria Alves, a 100 km da capital João Pessoa (PB), quinze famílias de assentados cultivam o algodão colorido que vira peças de luxo para o mercado externo. Segundo a estilista Francisca Vieira, presidente da Associação da Indústria do Vestuário da Paraíba (Aivest-PB) e do grupo Natural Cotton Color, o perfil do consumidor das peças de algodão colorido é um público consciente e com alto poder aquisitivo, que se preocupa com a origem do produto que consome. "O nosso consumidor quer saber se eu pago um preço justo para o produtor, para as rendeiras, bordadeiras, costureiras... Ele quer um produto com uma boa história para contar", afirma.

Para atrair esse público exigente, Francisca Vieira aposta no design. "Nosso produto não é simplesmente uma peça regional. Nós temos um design arrojado, que usa a intervenção do artesanato em função da moda", define. Para diversificar as cores disponíveis, a estilista lança mão de tingimentos naturais à base de cascas e folhas de plantas como cajueiro, mangueira e barbatimão.

A Casulo Arte Natural, empresa de bolsas e acessórios sediada em Campina Grande (PB), fabrica em média três mil bolsas tipo exportação e de cinco a oito mil bolsas para o mercado interno, de acordo com a disponibilidade de matéria-prima. "Nós trabalhamos com dois tipos de clientes: os turistas, em busca de souvenirs e pouco dispostos a gastar, e o mercado externo, para o qual contratamos uma estilista a partir de uma consultoria da Associação Brasileira de Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) e Sebrae-PB, que desenvolveu coleções para esse público", conta o proprietário da empresa Marcelo Lacerda. "Além do algodão colorido, nós utilizamos o couro caprino natural, que é outra matéria-prima da nossa região, para o acabamento dos produtos", acrescenta.

Da Paraíba a Paris - A pluma marrom teima em crescer no meio da paisagem seca do agreste paraibano, onde nem o feijão e o milho resistiram à falta d'água. O cultivo de algodão colorido orgânico é uma das principais fontes de renda do Assentamento Margarida Maria Alves, situado no município de Juarez Távora. A área de 18 hectares não chega a aparecer nas estatísticas oficiais de produção do algodão no Brasil, mas chama a atenção do mundo da moda sustentável por ser uma alternativa ao sistema de produção tradicional com alto uso de insumos e de água. 

Quinze famílias de assentados cultivam o algodão colorido em sistema de sequeiro, sem nenhum tipo de adubo ou inseticida sintético. O algodão é certificado pela Associação de Certificação Instituto Biodinâmico (IBD) e a partir do próximo ano receberá o selo de certificação orgânica participativa, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o que representará uma redução dos custos de produção, tendo em vista que o produto será avaliado pelos próprios agricultores, com a supervisão da Superintendência Federal da Agricultura no Estado da Paraíba.

O agricultor Aluísio Rodrigues dos Santos cultivava o algodão branco desde criança e há quatro anos ouviu falar do algodão colorido, ficou curioso e resolveu experimentar. "Apareceu essa semente de algodão que vinha das bandas de Remígio (Município da Paraíba), aí eu disse: ‘eu quero uns cinco quilos da semente desse algodão para ver se é bom'. Recebi dez quilos e a renda é melhor que o branco. Então resolvi só plantar ele. A renda é melhor, tem mais preço."

O algodão é beneficiado no próprio assentamento na miniusina descaroçadora desenvolvida pela Embrapa para os pequenos produtores de algodão. A máquina separa a semente da fibra; a semente fica no assentamento para o próximo plantio e para alimentação animal; e a fibra segue para a indústria de fiação em Campina Grande e João Pessoa e, depois, para teares mecânicos rústicos que ainda existem em diversos municípios paraibanos.

Neste ano, foram colhidos cerca de cinco mil quilos de fibra, negociada antecipadamente com a Associação da Indústria do Vestuário da Paraíba a R$ 10,00 o quilo. 

Como já nasce colorida, a fibra dispensa o uso de produtos químicos para tingir o tecido e economiza 83% de água no processo de acabamento da malha, em comparação com os tecidos coloridos artificialmente. Essas características tornam o produto muito procurado pelas empresas voltadas para a chamada "moda verde".

Os desafios da produção

Além da escassez de água, o algodão colorido precisa sobreviver ao bicudo-do-algodoeiro (Anthonomus grandis), uma das principais pragas da cultura. O inseto contribuiu para a diminuição gradativa das plantações de algodão branco na região Semiárida, que já foi a maior área de produção algodoeira do País.

O bicudo ataca o botão floral do algodoeiro e deposita o ovo dentro dele. Depois de furado pelo bicudo, o botão cai e em aproximadamente 25 dias surge um novo inseto adulto. "Uma fêmea pode perfurar até 200 botões e se não for feito o controle, pode botar toda a safra a perder", explica o analista da Embrapa Algodão, Isaias Alves.

Para conviver com o bicudo, seu Aluísio apanha e destrói os botões infestados pela larva do inseto. "Antigamente, ninguém catava os botões que o bicudo furava e, se não apanhar os botões que caem, nasce cada vez mais bicudo. Por orientação da Embrapa, a gente começou a apanhar e o bicudo foi acabando. Faz quatro anos que eu planto e olha aí a produção." 

Depois da colheita os animais são soltos no campo. A criação de gado bovino e caprino é outra fonte de renda para os produtores do assentamento. "Os bichos comem os restos das plantas, a gente corta o que sobra e deixa o campo limpo pra plantar no próximo ano", diz. 

O presidente da associação de produtores do assentamento, Luiz Rodrigues da Silva, conhecido como seu Betinho, destaca que outra medida importante para o controle do bicudo na área é concentrar o plantio numa mesma época para que a praga não migre de uma plantação para outra e tenha sempre alimento disponível. "Se alguém plantar fora da época atrapalha os outros", enfatiza.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Loja reutiliza cobertores para dar nova vida a moda do crochê

Se há uma tendência no mundo da moda que está de volta, ela atende pelo nome de crochê. Ao menos na Califórnia, Estados Unidos, bermudas, calças, shorts e casacos desse tipo fazem o maior sucesso, inclusive entre os homens, que aderiram em peso. Ao pensar nisso, Schuyler Ellers, dono da loja Lord von Schmitt, passou a produzir roupas de crochê com material 100% reciclável.

Todas as peças são alegres, coloridas e estilo vintage, tendo como principal diferencial a sustentabilidade. Os modelos são produzidos através de cobertores afegãos, peças originais de arte popular, feitas à mão por artesãos da América, há anos. Com uma tesoura e uma máquina de costura, os cobertores sem uso são transformados em peças únicas, produzidas manualmente e com muito amor.





Designer brasileira transforma sacos de cimento em vestidos de noiva

Os vestidos são feitos de maneira totalmente artesanal.
O casamento é o dia mais esperado de uma noiva. Mas, já pensou passar este momento em um vestido feito de sacos de cimento? Ao contrário do que se possa imaginar, isso é possível e ainda em grande estilo, graças ao trabalho da designer de moda Iáskara Isadora.

Com apenas 26 anos, a jovem de Minas Gerais se inspirou na técnica do artista plástico brasileiro Hilal Sami Hilal para transformar materiais recicláveis em tecido. As principais matérias-primas usadas por ela são os sacos de cimento e fibras de bananeira, que passam por um processo de manufatura e ganham uma forma totalmente diferente.  

Segundo a designer, o primeiro passo é a higienização do material. Depois de lavados, os sacos são rasgados, colocados de molho e batidos em um liquidificador industrial até virar uma pasta. A partir daí, as fibras de bananeira são acrescentadas ao processo, descoloridas e tingidas naturalmente, quando necessário. Os materiais se transformam em uma pasta, que tomará a forma de tecido.

Em entrevista ao CicloVivo, Iáskara explica que unir sustentabilidade e moda sempre foi algo de seu interesse. “Desde que ingressei na graduação desenvolvo pesquisas relacionadas à introdução da sustentabilidade na moda. Desta forma, utilizo os meus conhecimentos para confeccionar os produtos.”
A primeira coleção sustentável foi feita para o Trabalho de Conclusão de Curso, quando a jovem cursava Design de Moda na Universidade Federal de Minas Gerai. As primeiras peças foram usadas apenas para exposição, mas com o aprimoramento da técnica e a inserção de novas fibras e resinas, foi possível chegar a um tecido resistente o suficiente para criar uma coleção que pode ser usada na rua.
Quem vê os vestidos de noiva criados a partir do material sustentável nem imagina que são feitos com uma fonte bastante alternativa. “As pessoas ficam intrigadas e perplexas quando descobrem a matéria-prima utilizada nas peças”, comenta a mineira.
Os vestidos são feitos de forma totalmente artesanal. A pasta obtida no processo de reciclagem é colocada em uma bisnaga, que Iáskara usa para desenhar manualmente todos os detalhes sobre um tule. O formato de renda já garante certa resistência à água, mas a designer trabalha agora em uma resina derivada da bananeira para que a matéria-prima seja totalmente impermeável.
Todo este trabalho faz com que o processo de fabricação leve, em média, três meses. Os vestidos são comercializados a partir de três mil reais.
Foto: Nilson Domingos
Acessórios: Fernanda Oliveira
Make up: Miriam Daniela
Hair: Vanessa Machado


Fonte: Ciclovivo.com.br

Designer espanhola produz couro ecológico com sobras de abacaxi

O material é produzido com base na preocupação social e ecológica.
Uma alternativa aos tradicionais tecidos disponíveis no mercado foi desenvolvida pela espanhola Carmen Hijosa. A designer encontrou uma maneira de aproveitar um subproduto da colheita do abacaxi para produzir fibras de tecido sustentável.

O material é composto pelo caule e folhas do abacaxi, restos que geralmente não são aproveitados. O processo é simples: as folhas passam pelo descasque - onde parte do subproduto gera um fertilizante natural -, e as fibras são separadas e encaminhadas para o processo industrial e assim tornar-se um produto têxtil.
O resultado é um tecido semelhante ao couro, que pode ser tingido, impresso e tratado para se ter diferentes tipos de textura, podendo ser utilizado na criação de sapatos, bolsas, estofados, entre outras peças. Para produzir um metro quadrado de tecido são necessários cerca de 480 folhas, o que é equivalente ao subproduto de 16 abacaxis.

Nem sempre a sustentabilidade foi uma preocupação para Carmen, que trabalhou na década de 90 como consultora na indústria de artigos de couro das Filipinas. Mas, foi durante esse trabalho que a designer teve contato com as fibras de abacaxi e teve a ideia de fundar uma empresa, a Ananas Anam. A invenção do tecido foi patenteada com o nome de Piñatex.

Em entrevista ao The Guardian, Carmen afirma que o couro está virando artigo de luxo, pois há menos animais disponíveis do que demanda. Além de ser uma alternativa aos produtos oriundos de origem animal e de petróleo, a designer afirma que seu produto é baseado na preocupação social e ecológica. Ela garante que o ciclo é de aproveitamento e não está usando mais terras para plantar e produzir o material. 

O tecido de abacaxi foi lançada em dezembro do ano passado em Londres. Um tênis da marca Puma está entre as peças apresentadas.



quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Estilistas do Futuro - Projeto da Malwee

Olá pessoal, tudo bem? Não sei se já contei para vocês que sou super fã da marca Malwee, principalmente pelas atitudes sustentáveis da empresa. E não sei se já contei também que dou aula de moda para crianças com foco na sustentabilidade?
E quão feliz fiquei quando eu minhas viagens pela internet encontro um projeto que a Malwee criou incrível que tem tudo a ver com o que eu adoro! O Projeto se chama "Estilistas do Futuro", eles pediram aos filhos dos funcionários que desenhassem "Como será que as pessoas vão se vestir no futuro?". Das 350 crianças que participaram, foram selecionados 12 com as melhores ideias.
Destas 12 eu selecionei duas que adorei! Principalmente pela preocupação ambiental delas.
Podem acessar o link no fim do post e conhecer todos os 12 selecionados.

VITÓRIA DOS SANTOS WIHGOSZ  - 10 ANOS
Filha de Mônica Alves dos Santos Wihgosz que trabalha no Departamento de Dobração, na Malwee Jaraguá do Sul/SC.
"Eu pensei em roupas para melhorar o futuro. Algo que não poluísse o ar, não poluísse a água... Uma delas é uma camiseta térmica, ou seja, se estiver calor, você escolhe mais gelada, se estiver frio, mais quente. A outra é uma roupa com asas que você não polui o ar, pois não precisa de carros. E a outra é uma roupa com controle remoto, que você compra uma camiseta só, aperta um botão e ela muda de cor. E tem um vestido também que você só passa um pano e já tá limpo."

YASMIN RAHN - 11 ANOS
Filha de Andréia Hornburg Rahn que trabalha no Departamento de Costura, na Malwee Pomerode/SC.
"O mundo já é muito virtual, então, por que as roupas não podem ser? Então, eu fiz uma roupa com controle, que é autolimpante e que troca o visual. Essa roupa é legal para o futuro porque a gente não vai gastar tanta energia na hora de limpar, nem gastar tanto dinheiro para comprar outro look, porque tem uma segunda opção."


domingo, 1 de fevereiro de 2015

Fantasias Sustentáveis de Carnaval para crianças

Selecionei essas ideias para que vocês tenham como inspiração, aproveitem as férias e passem um tempo com seus filhos confeccionando suas próprias fantasias, além de gastar muito pouco ainda estará reciclando! Se ficar alguma dúvida, no fim de cada fantasia existe o link da fonte da onde tirei a ideia, é só acessar e esclarecer.

Fantasia de Safári 
como fazer fantasias de carnaval infantil
- Para fazer o binóculos é preciso 2 rolinhos (esses que o papel higiênico vem enrolado), uma rolha de vinho e cordão. Depois é só unir os rolinhos, colando-os na rolha. Para que a criança fique com as mãos livres é só colocar o cordão.
- Para o colete é preciso de papel kraft e alguns botões. Recorte o papel em formato de colete e faça alguns bolsinhos com o papel e depois cole os bolso no colete.

Depois que a fantasia já estiver pronta, basta colocar uma roupa simples na criança. E se você quiser deixar a fantasia mais característica ainda, dá para a criança levar uma pelúcia em formato de animal, como uma girafa ou onça.

Fantasia de Minion
fantasia infantil de carnaval passo a passo
Para quem pretende criar uma fantasia infantil de Minions em casa, o passo a passo é bem simples.

- Materiais:
Touca de lã amarela
EVA preto
Tesoura
Elástico
Rolo de papelão (pode ser de papel higiênico, papel toalha, etc)
Tinta prateada
Grampeador
Cola quente

- Como fazer
Recorte tirinhas de EVA preto para fazer os cabelinhos, e depois cole-os na touca com cola quente;
Corte o rolo de papelão com uma espessura de mais ou menos dois dedos;
Pinte os rolos de papelão com a tinta prata;
Uma os rolos com um grampeador, e depois grampeie o elástico;
Agora é só inserir o acessório com o elástico na touca e a fantasia está pronta.
Para completar o visual dá para apostar em uma roupa amarela e azul!


Fantasia de Baiana


Para fazer a fantasia de baiana:  pistola de cola quente, tecidos simples com metragens e estampas variadas (valem retalhos que você já tem em casa), tesoura, colares de contas, paetês e botões variados.


Fantasia de Pintor
fantasia de pintor
Para quem tem um filho com a veia artística nada melhor que fantasiá-lo como um pintor! Olha que fofura essa idéia, essa fantasia é super fácil e prática e você nem precisará sair de casa para montá-la. Na imagem ele está vestindo um moletom de manga longa preto, mas não precisa seguir a risca essa idéia. Aqui no Brasil a melhor escolha seria uma regata de cor preta ou cinza. Se quiser pode até pegar uma blusa velhinha e junto com seu filho “pintar e bordar” nela.

Para completar o visual de pintor vista seu filho com uma calça ou bermuda preta, uma boina, faça um bigodinho com um lápis de olho e claro não se esqueça da Paleta de Pintura (paleta é uma chapa de madeira ou louça, com um orifício para colocar o polegar, e sobre a qual os pintores dispõem e combinam as tintas, enquanto pintam).

molde da paleta de pinturapaleta de pintura feita de papelão

Para fazer uma Paleta de Pintura você precisará de: Cartolina ou caixa de papelão, Tesoura e Tintas diversas.

Fantasia de Mergulhador
fantasia mergulhador
Mergulhe nessa fantasia que você pode montar com peças de verão do guarda-roupa do seu filho. Os óculos de proteção você pode encontrar em lojas especializadas ou até mesmo em lojas de “um real” e a melhor parte é que vocês dois poderão passar uma tarde juntos preparando o tanque de oxigênio!

Para fazer o tanque você precisará de: Duas garrafas de refrigerante, Tinta spray preta, Fita adesiva amarela, Cadarços de sapatos pretos, Pistola de cola quente

Para o tubo você precisará de: Um tubo preto com molas (você encontra em lojas de construção), Chupeta, Pistola de cola quente.
tanque de oxigênio

1. Cubra uma das extremidades do tubo com a fita adesiva amarela. 
2. Cole a chupeta na outra extremidade do tubo. Deixe secar durante a noite.

Fonte: Cashola.com.br

Fantasia de Borboleta
Fantasia - Borboleta
Materiais: Uma camiseta, preferencialmente, de mangas compridas e na cor preta, Papelão, Tesoura, Material para colorir: tinta, giz de cera, lápis de cor, etc. Elástico, Faixa para os cabelos, Dois canudinhos e Fita adesiva. 

Instruções: 
Passo 1: Desenhe o contorno de um par de asas no papelão e depois recorte-o.
Passo 2: Faça dois furos na parte da asa que ficará presa às costas (um na parte de cima do ombro e outro na parte próxima à axila).
Passo 3: Pinte as asas na cor desejada. Você também pode decorá-las usando lantejoulas e purpurina.
Passo 4: Corte dois pedaços de elásticos, passe-os pelos furinhos das asas e dê um nó, de forma que não fique muito apertado para você "vestir" as asas.
Passo 5: Para o corpo da borboleta, use simplesmente a camiseta preta.
Passo 6: Pinte seu rosto combinando com as asas.
Passo 7: Prenda os canudinhos na faixa de cabelos com fita adesiva para fazer as anteninhas.

Fantasia de Mágico
Fantasia - Mágico
Materiais: Tecido vermelho, Papelão, Tinta preta, Tesoura, Fita adesiva e Cola.

Instruções: 
Passo 1: Corte um círculo grande de papelão e, dentro dele, um círculo pequeno. Eles servirão de aba e topo da cartola.
Passo 2: Recorte um largo retângulo de papelão que dará forma à cartola.
Passo 3: Pinte os pedaços de papelão na cor preta e deixe secar.
Passo 4: Cole o retângulo, formando um cilindro.
Passo 5: Use a fita adesiva para montar a cartola com as abas e topo.
Passo 6: Para fazer a capa, peça um pedaço de tecido vermelho para a sua mãe. Corte o tecido em um retângulo e em seguida, pegue as duas pontas do retangulo e amarre bem de leve no pescoço. Pronto! Agora você pode vestir sua capa e colocar a cartola de mágico. Incremente sua fantasia com luvas brancas, uma varinha e um bichinho de pelúcia para tirar da cartola!

Fantasia de Pirata
Fantasia - Pirata
Materiais: Pedaço de papelão grande, Tinta, Esparadrapo, Fita adesiva, Tesoura e Cola.

Instruções:
Passo 1: Recorte o tapa-olho, já com as tiras para amarrar, no retalho de tecido preto.
Passo 2: Dobre o pedaço de papelão ao meio.
Passo 3: Recorte-o no formato de chapéu de pirata.
Passo 4: Cole as laterais do chapéu com fita adesiva.
Passo 5: Pinte o chapéu de preto.
Passo 6: Faça uma caveira com esparadrapo ou com tinta branca. Depois, peça para a sua mãe te ajudar com a maquiagem na hora de fazer o bigode e barba. Incrementar a fantasia com um lenço, cinto, colete e meias. Solte a imaginação e crie um pirata de verdade!

sábado, 31 de janeiro de 2015

Escola de samba mirim e Ecomoda apresentam projeto do primeiro desfile de carnaval sustentável da história do Sambódromo

Parceria entre a Petizes da Penha e programa da Secretaria de Estado do Ambiente vai vestir 1000 crianças com fantasias feitas com material reciclado

O fim de semana começou com samba e sustentabilidade na Lagoa Rodrigo de Freitas. No Espaço das Águas, administrado pela Secretaria de Estado do Ambiente (SEA) no Parque dos Patins, a escola de samba mirim Petizes da Penha apresentou os protótipo das fantasias que vai levar para a avenida em 2015. A agremiação vai contar a história da Vila da Penha, destacando a importância dos imigrantes de outros estados. O projeto da Petizes é inédito: cada uma das dezesseis alas – além das duas alegorias – foi concebida sob o conceito de aproveitamento total. 

''Nossa parceria com a Petizes trabalha com as crianças o respeito ao meio ambiente, à história de sua comunidade e a alternativa da reciclagem como um instrumento de inclusão. Estão contemplados, portanto, os três âmbitos da sustentabilidade: ambiental, social e econômico'', comentou Paulo César Vieira, subsecretário de Políticas de Educação Ambiental da SEA. 

A fantasia ‘A fartura’ é inspirada nas cabrochas do carnaval e principalmente na Pequena Notável que, com seus balangandãs, mostrou ao mundo a fartura brasileira. A saia tulipa com fenda lateral em patchwork em tons de verde e talheres descartáveis na barra, assim como babados de tule e organza. Corpet em patchwork de malha com franja de canutilho de PET, com manga de babados de tule e organza com aplicação de talheres descartáveis. Cabeça de coquinho com adereçamentos de frutas de tecido, garrafas PETs pequenas e pluma de fio. Brincos, pulseiras de PET e tecido, três colares de PET e tecido iguais para cada fantasia.

''As crianças estão muito empolgadas com a ideia de recolher os materiais necessários para confecção de suas próprias fantasias. E o mais interessante é observar que elas estão entendendo o processo da reciclagem e da importância de nossas ações para o futuro do planeta'', comemorou Patricia Orleans, presidente da Petizes da Penha. 

A diversão foi potencializada no segundo setor do desfile com festas populares e a lembrança ao Parque Shangai, fundado em 1919. Uma das mais irreverentes fantasias entre as que foram apresentadas neste sábado (13/12), a ala ‘Parque do Dragão’ pede interação coordenada e transforma o conjunto de carrinhos de bate-bate confeccionados com caixas de papelão em um imenso dragão – com as cabeças feitas em isopor e papel marche. 


O responsável pela comissão de carnaval é Almir França, coordenador do EcoModa, projeto da SEA, que capacita alunos na área de moda sustentável e transforma retalhos de todos os tipos de tecidos e materiais em novas roupas e acessórios. Os quatorze núcleos do EcoModa estarão envolvidos na realização do desfile de 2015 da Petizes, que servirá como um trabalho de conclusão de curso. Além disso, professores e alunos do projeto estão em intercâmbio com o núcleo mirim da escola, para que a mensagem da sustentabilidade não se esgote na quarta-de-cinzas. 

''Quando fomos procurados para desenvolver esse carnaval, tivemos a certeza de que se tratava de uma grande oportunidade para mostrar ao público um espetáculo bonito, no visual e conceitualmente. Tenho certeza que depois do desfile da Petizes de 2015 teremos cumprido nosso papel: plantar a semente da sustentabilidade na linha de produção da maior festa do mundo'', disse Almir França.

Fonte: Rj.gov.br