segunda-feira, 16 de março de 2015

Designer espanhola produz couro ecológico com sobras de abacaxi

O material é produzido com base na preocupação social e ecológica.
Uma alternativa aos tradicionais tecidos disponíveis no mercado foi desenvolvida pela espanhola Carmen Hijosa. A designer encontrou uma maneira de aproveitar um subproduto da colheita do abacaxi para produzir fibras de tecido sustentável.

O material é composto pelo caule e folhas do abacaxi, restos que geralmente não são aproveitados. O processo é simples: as folhas passam pelo descasque - onde parte do subproduto gera um fertilizante natural -, e as fibras são separadas e encaminhadas para o processo industrial e assim tornar-se um produto têxtil.
O resultado é um tecido semelhante ao couro, que pode ser tingido, impresso e tratado para se ter diferentes tipos de textura, podendo ser utilizado na criação de sapatos, bolsas, estofados, entre outras peças. Para produzir um metro quadrado de tecido são necessários cerca de 480 folhas, o que é equivalente ao subproduto de 16 abacaxis.

Nem sempre a sustentabilidade foi uma preocupação para Carmen, que trabalhou na década de 90 como consultora na indústria de artigos de couro das Filipinas. Mas, foi durante esse trabalho que a designer teve contato com as fibras de abacaxi e teve a ideia de fundar uma empresa, a Ananas Anam. A invenção do tecido foi patenteada com o nome de Piñatex.

Em entrevista ao The Guardian, Carmen afirma que o couro está virando artigo de luxo, pois há menos animais disponíveis do que demanda. Além de ser uma alternativa aos produtos oriundos de origem animal e de petróleo, a designer afirma que seu produto é baseado na preocupação social e ecológica. Ela garante que o ciclo é de aproveitamento e não está usando mais terras para plantar e produzir o material. 

O tecido de abacaxi foi lançada em dezembro do ano passado em Londres. Um tênis da marca Puma está entre as peças apresentadas.



quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Estilistas do Futuro - Projeto da Malwee

Olá pessoal, tudo bem? Não sei se já contei para vocês que sou super fã da marca Malwee, principalmente pelas atitudes sustentáveis da empresa. E não sei se já contei também que dou aula de moda para crianças com foco na sustentabilidade?
E quão feliz fiquei quando eu minhas viagens pela internet encontro um projeto que a Malwee criou incrível que tem tudo a ver com o que eu adoro! O Projeto se chama "Estilistas do Futuro", eles pediram aos filhos dos funcionários que desenhassem "Como será que as pessoas vão se vestir no futuro?". Das 350 crianças que participaram, foram selecionados 12 com as melhores ideias.
Destas 12 eu selecionei duas que adorei! Principalmente pela preocupação ambiental delas.
Podem acessar o link no fim do post e conhecer todos os 12 selecionados.

VITÓRIA DOS SANTOS WIHGOSZ  - 10 ANOS
Filha de Mônica Alves dos Santos Wihgosz que trabalha no Departamento de Dobração, na Malwee Jaraguá do Sul/SC.
"Eu pensei em roupas para melhorar o futuro. Algo que não poluísse o ar, não poluísse a água... Uma delas é uma camiseta térmica, ou seja, se estiver calor, você escolhe mais gelada, se estiver frio, mais quente. A outra é uma roupa com asas que você não polui o ar, pois não precisa de carros. E a outra é uma roupa com controle remoto, que você compra uma camiseta só, aperta um botão e ela muda de cor. E tem um vestido também que você só passa um pano e já tá limpo."

YASMIN RAHN - 11 ANOS
Filha de Andréia Hornburg Rahn que trabalha no Departamento de Costura, na Malwee Pomerode/SC.
"O mundo já é muito virtual, então, por que as roupas não podem ser? Então, eu fiz uma roupa com controle, que é autolimpante e que troca o visual. Essa roupa é legal para o futuro porque a gente não vai gastar tanta energia na hora de limpar, nem gastar tanto dinheiro para comprar outro look, porque tem uma segunda opção."


domingo, 1 de fevereiro de 2015

Fantasias Sustentáveis de Carnaval para crianças

Selecionei essas ideias para que vocês tenham como inspiração, aproveitem as férias e passem um tempo com seus filhos confeccionando suas próprias fantasias, além de gastar muito pouco ainda estará reciclando! Se ficar alguma dúvida, no fim de cada fantasia existe o link da fonte da onde tirei a ideia, é só acessar e esclarecer.

Fantasia de Safári 
como fazer fantasias de carnaval infantil
- Para fazer o binóculos é preciso 2 rolinhos (esses que o papel higiênico vem enrolado), uma rolha de vinho e cordão. Depois é só unir os rolinhos, colando-os na rolha. Para que a criança fique com as mãos livres é só colocar o cordão.
- Para o colete é preciso de papel kraft e alguns botões. Recorte o papel em formato de colete e faça alguns bolsinhos com o papel e depois cole os bolso no colete.

Depois que a fantasia já estiver pronta, basta colocar uma roupa simples na criança. E se você quiser deixar a fantasia mais característica ainda, dá para a criança levar uma pelúcia em formato de animal, como uma girafa ou onça.

Fantasia de Minion
fantasia infantil de carnaval passo a passo
Para quem pretende criar uma fantasia infantil de Minions em casa, o passo a passo é bem simples.

- Materiais:
Touca de lã amarela
EVA preto
Tesoura
Elástico
Rolo de papelão (pode ser de papel higiênico, papel toalha, etc)
Tinta prateada
Grampeador
Cola quente

- Como fazer
Recorte tirinhas de EVA preto para fazer os cabelinhos, e depois cole-os na touca com cola quente;
Corte o rolo de papelão com uma espessura de mais ou menos dois dedos;
Pinte os rolos de papelão com a tinta prata;
Uma os rolos com um grampeador, e depois grampeie o elástico;
Agora é só inserir o acessório com o elástico na touca e a fantasia está pronta.
Para completar o visual dá para apostar em uma roupa amarela e azul!


Fantasia de Baiana


Para fazer a fantasia de baiana:  pistola de cola quente, tecidos simples com metragens e estampas variadas (valem retalhos que você já tem em casa), tesoura, colares de contas, paetês e botões variados.


Fantasia de Pintor
fantasia de pintor
Para quem tem um filho com a veia artística nada melhor que fantasiá-lo como um pintor! Olha que fofura essa idéia, essa fantasia é super fácil e prática e você nem precisará sair de casa para montá-la. Na imagem ele está vestindo um moletom de manga longa preto, mas não precisa seguir a risca essa idéia. Aqui no Brasil a melhor escolha seria uma regata de cor preta ou cinza. Se quiser pode até pegar uma blusa velhinha e junto com seu filho “pintar e bordar” nela.

Para completar o visual de pintor vista seu filho com uma calça ou bermuda preta, uma boina, faça um bigodinho com um lápis de olho e claro não se esqueça da Paleta de Pintura (paleta é uma chapa de madeira ou louça, com um orifício para colocar o polegar, e sobre a qual os pintores dispõem e combinam as tintas, enquanto pintam).

molde da paleta de pinturapaleta de pintura feita de papelão

Para fazer uma Paleta de Pintura você precisará de: Cartolina ou caixa de papelão, Tesoura e Tintas diversas.

Fantasia de Mergulhador
fantasia mergulhador
Mergulhe nessa fantasia que você pode montar com peças de verão do guarda-roupa do seu filho. Os óculos de proteção você pode encontrar em lojas especializadas ou até mesmo em lojas de “um real” e a melhor parte é que vocês dois poderão passar uma tarde juntos preparando o tanque de oxigênio!

Para fazer o tanque você precisará de: Duas garrafas de refrigerante, Tinta spray preta, Fita adesiva amarela, Cadarços de sapatos pretos, Pistola de cola quente

Para o tubo você precisará de: Um tubo preto com molas (você encontra em lojas de construção), Chupeta, Pistola de cola quente.
tanque de oxigênio

1. Cubra uma das extremidades do tubo com a fita adesiva amarela. 
2. Cole a chupeta na outra extremidade do tubo. Deixe secar durante a noite.

Fonte: Cashola.com.br

Fantasia de Borboleta
Fantasia - Borboleta
Materiais: Uma camiseta, preferencialmente, de mangas compridas e na cor preta, Papelão, Tesoura, Material para colorir: tinta, giz de cera, lápis de cor, etc. Elástico, Faixa para os cabelos, Dois canudinhos e Fita adesiva. 

Instruções: 
Passo 1: Desenhe o contorno de um par de asas no papelão e depois recorte-o.
Passo 2: Faça dois furos na parte da asa que ficará presa às costas (um na parte de cima do ombro e outro na parte próxima à axila).
Passo 3: Pinte as asas na cor desejada. Você também pode decorá-las usando lantejoulas e purpurina.
Passo 4: Corte dois pedaços de elásticos, passe-os pelos furinhos das asas e dê um nó, de forma que não fique muito apertado para você "vestir" as asas.
Passo 5: Para o corpo da borboleta, use simplesmente a camiseta preta.
Passo 6: Pinte seu rosto combinando com as asas.
Passo 7: Prenda os canudinhos na faixa de cabelos com fita adesiva para fazer as anteninhas.

Fantasia de Mágico
Fantasia - Mágico
Materiais: Tecido vermelho, Papelão, Tinta preta, Tesoura, Fita adesiva e Cola.

Instruções: 
Passo 1: Corte um círculo grande de papelão e, dentro dele, um círculo pequeno. Eles servirão de aba e topo da cartola.
Passo 2: Recorte um largo retângulo de papelão que dará forma à cartola.
Passo 3: Pinte os pedaços de papelão na cor preta e deixe secar.
Passo 4: Cole o retângulo, formando um cilindro.
Passo 5: Use a fita adesiva para montar a cartola com as abas e topo.
Passo 6: Para fazer a capa, peça um pedaço de tecido vermelho para a sua mãe. Corte o tecido em um retângulo e em seguida, pegue as duas pontas do retangulo e amarre bem de leve no pescoço. Pronto! Agora você pode vestir sua capa e colocar a cartola de mágico. Incremente sua fantasia com luvas brancas, uma varinha e um bichinho de pelúcia para tirar da cartola!

Fantasia de Pirata
Fantasia - Pirata
Materiais: Pedaço de papelão grande, Tinta, Esparadrapo, Fita adesiva, Tesoura e Cola.

Instruções:
Passo 1: Recorte o tapa-olho, já com as tiras para amarrar, no retalho de tecido preto.
Passo 2: Dobre o pedaço de papelão ao meio.
Passo 3: Recorte-o no formato de chapéu de pirata.
Passo 4: Cole as laterais do chapéu com fita adesiva.
Passo 5: Pinte o chapéu de preto.
Passo 6: Faça uma caveira com esparadrapo ou com tinta branca. Depois, peça para a sua mãe te ajudar com a maquiagem na hora de fazer o bigode e barba. Incrementar a fantasia com um lenço, cinto, colete e meias. Solte a imaginação e crie um pirata de verdade!

sábado, 31 de janeiro de 2015

Escola de samba mirim e Ecomoda apresentam projeto do primeiro desfile de carnaval sustentável da história do Sambódromo

Parceria entre a Petizes da Penha e programa da Secretaria de Estado do Ambiente vai vestir 1000 crianças com fantasias feitas com material reciclado

O fim de semana começou com samba e sustentabilidade na Lagoa Rodrigo de Freitas. No Espaço das Águas, administrado pela Secretaria de Estado do Ambiente (SEA) no Parque dos Patins, a escola de samba mirim Petizes da Penha apresentou os protótipo das fantasias que vai levar para a avenida em 2015. A agremiação vai contar a história da Vila da Penha, destacando a importância dos imigrantes de outros estados. O projeto da Petizes é inédito: cada uma das dezesseis alas – além das duas alegorias – foi concebida sob o conceito de aproveitamento total. 

''Nossa parceria com a Petizes trabalha com as crianças o respeito ao meio ambiente, à história de sua comunidade e a alternativa da reciclagem como um instrumento de inclusão. Estão contemplados, portanto, os três âmbitos da sustentabilidade: ambiental, social e econômico'', comentou Paulo César Vieira, subsecretário de Políticas de Educação Ambiental da SEA. 

A fantasia ‘A fartura’ é inspirada nas cabrochas do carnaval e principalmente na Pequena Notável que, com seus balangandãs, mostrou ao mundo a fartura brasileira. A saia tulipa com fenda lateral em patchwork em tons de verde e talheres descartáveis na barra, assim como babados de tule e organza. Corpet em patchwork de malha com franja de canutilho de PET, com manga de babados de tule e organza com aplicação de talheres descartáveis. Cabeça de coquinho com adereçamentos de frutas de tecido, garrafas PETs pequenas e pluma de fio. Brincos, pulseiras de PET e tecido, três colares de PET e tecido iguais para cada fantasia.

''As crianças estão muito empolgadas com a ideia de recolher os materiais necessários para confecção de suas próprias fantasias. E o mais interessante é observar que elas estão entendendo o processo da reciclagem e da importância de nossas ações para o futuro do planeta'', comemorou Patricia Orleans, presidente da Petizes da Penha. 

A diversão foi potencializada no segundo setor do desfile com festas populares e a lembrança ao Parque Shangai, fundado em 1919. Uma das mais irreverentes fantasias entre as que foram apresentadas neste sábado (13/12), a ala ‘Parque do Dragão’ pede interação coordenada e transforma o conjunto de carrinhos de bate-bate confeccionados com caixas de papelão em um imenso dragão – com as cabeças feitas em isopor e papel marche. 


O responsável pela comissão de carnaval é Almir França, coordenador do EcoModa, projeto da SEA, que capacita alunos na área de moda sustentável e transforma retalhos de todos os tipos de tecidos e materiais em novas roupas e acessórios. Os quatorze núcleos do EcoModa estarão envolvidos na realização do desfile de 2015 da Petizes, que servirá como um trabalho de conclusão de curso. Além disso, professores e alunos do projeto estão em intercâmbio com o núcleo mirim da escola, para que a mensagem da sustentabilidade não se esgote na quarta-de-cinzas. 

''Quando fomos procurados para desenvolver esse carnaval, tivemos a certeza de que se tratava de uma grande oportunidade para mostrar ao público um espetáculo bonito, no visual e conceitualmente. Tenho certeza que depois do desfile da Petizes de 2015 teremos cumprido nosso papel: plantar a semente da sustentabilidade na linha de produção da maior festa do mundo'', disse Almir França.

Fonte: Rj.gov.br


Projetos ecológicos capacitam mais de 1,1 mil pessoas

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Fonte/foto: Ascom governo do estado

O Governo do Estado do Rio de Janeiro formou, 1.173 alunos dos cursos de capacitação profissional dos projetos socioambientais Fábrica Verde, EcoModa, EcoBuffet, Comunidades Verde e TV Verde.
Realizadas pela Secretaria do Ambiente, as iniciativas beneficiam moradores de diversas comunidades. O governador Luiz Fernando Pezão participou da formatura, que aconteceu no Teatro João Caetano, no Centro do Rio.

– Esses projetos são extraordinários porque geram emprego e renda dentro das comunidades. Vamos dar continuidade a essas iniciativas, que promovem capacitação profissional e educação ambiental, orientado os alunos a reaproveitarem materiais – disse o governador.

Segundo o secretário do Ambiente, André Corrêa, as ações serão ampliadas este ano para estimular a conscientização e a adoção de medidas sustentáveis.

– São iniciativas que geram desenvolvimento nestas áreas e ajudam no processo de conscientização sobre a importância de medidas sustentáveis para proteger o meio ambiente – afirmou o secretário.
O evento contou com a apresentação da orquestra da Ação Social pela Música do Brasil, desfile de moda com roupas produzidas por formandos do EcoModa, além de sorteio de computadores montados a partir de lixo eletrônico por integrantes do Fábrica Verde.

Profissionalização e conscientização ambiental 

O EcoBuffet, que ensina técnicas de aproveitamento integral dos alimentos, formou 353 estudantes. Durante o curso, aprenderam a reduzir o desperdício, além de disseminar o conceito de gastronomia sustentável. O projeto possui núcleos em 13 áreas, incluindo comunidades com UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) como Chacrinha, na Tijuca, Jacarezinho e Complexo da Penha.

– Em casa, aplico todas as técnicas de reaproveitamento que aprendi no EcoBuffet e faço sucos e sobremesas saudáveis e gostosas para toda a minha família. O projeto me inspirou a continuar estudando e me especializando na área: pretendo fazer cursos de gastronomia e, no futuro, uma faculdade de nutrição – afirmou a formanda Suelen dos Santos, 23 anos, moradora do Jacarezinho.

O projeto Fábrica Verde capacitou 430 jovens e adultos nas áreas de manutenção e suporte técnico de serviços de informática, a partir de lixo eletrônico. A iniciativa oferece cursos em 14 comunidades, como Chacrinha, Rocinha, Vidigal e Vila Kennedy.

Presente em 12 comunidades – entre elas os complexos do Alemão e da Maré – o EcoModa formou 333 alunos em moda sustentável, por meio do reaproveitamento de roupas descartadas, retalhos de tecidos e diversos tipos de materiais recicláveis.

Moradora do bairro Rocha Miranda, na Zona Norte do Rio, Dayse Oliveira, de 52 anos, foi uma das beneficiadas pelo projeto EcoModa oferecido na Escola de Samba Portela, em Madureira. A formanda, que já trabalha na área de confecção de roupas, disse que a ação aprimorou sua qualificação e ajudou a abrir novos horizontes profissionais.

– O projeto não ensina apenas a fazer moldes e a costurar. Tive aulas de confecção de acessórios, bijuterias e adereços, e isso, já está gerando novas oportunidades de trabalho para mim. Comecei até a produzir alguns acessórios para a Portela, e espero poder trabalhar no Carnaval – disse Dayse.

A TV Verde, voltada para a capacitação técnica em audiovisuais, qualificou 32 alunos do Complexo do Alemão. Já o projeto Comunidades Verdes formou 25 pessoas em técnicas de jardinagem com ênfase no reflorestamento, no plantio de mudas e na implantação de hortos comunitários.

Com 18 anos, Gabrieli Leonardo Dias se formou no curso do TV Verde e pretende seguir carreira no mercado audiovisual.

– Sempre me interessei pela área e foi ótimo ter tido a oportunidade de fazer esse curso, que me ensinou muitas técnicas profissionais importantes. Agora, pretendo fazer uma graduação em Cinema, para continuar atuando no mercado. Esse tipo de projeto é muito importante porque oferece chance para muitos jovens de comunidades, que não teria

Acessórios de moda ao estilo amazônico se tornam tendências luxuosas e sustentáveis

Grifes e designers investem em um material que se encontra com fartura na Amazônia - o couro de peixe - e ganham adeptos da moda e da natureza em si

Ibama e Ministério da Agricultura crediam frigoríficos fornecedores

O criador da Osklen, Oskar Metsavaht, cantou a pedra há quase três anos: “o novo luxo é nobre e sustentável”. Foi essa filosofia que levou a grife brasileira a investir em um material que se encontra com fartura por aqui, o couro de peixe, tão resistente quanto o bovino. Exótica e peculiar, a matéria-prima amazônica chama a atenção pela presença das lamélulas, locais onde as escamas estão inseridas.
Quem trabalha com o couro de peixe há mais de 20 anos é a designer de joias Rita Prossi, que aplica peles de surubim, aruanã, pescada e tambaqui em suas biojoias e cintos. “O exotismo é o diferencial desse material, mas alguns não entendem muito bem que essa é uma matéria-prima sustentável”, conta Rita, que se queixa da falta de informação sobre o produto.
“Essa é uma das barreiras que encontrei ao trabalhar com couro de peixe, por isso tenho sempre que explicar que essa é uma pele que seria jogada fora porque os frigoríficos exportam somente os filés. Têm pessoas que acham que estamos matando os peixes para fazer isso”, comenta.
COLARES E PULSEIRAS
Aliar beleza e sustentabilidade a colares, tiaras, pulseiras e brincos também é a fonte de renda da artesã Luciana Martins. Um diferencial dos produtos dela é justamente a utilização da técnica do curtume do couro de peixe de peixes regionais como o pirarucu, o tambaqui e a pirarara.
“Aprendi a técnica do curtume em Manaus em uma visita ao Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), onde tive acesso à pesquisa pioneira do professor José Rebello em transformar a pele de animais em couro para a utilização na indústria, e também por meio de qualificação no Sebrae”, explica a artesã.
Os colares produzidos por ela custam de R$ 15 a R$ 100 reais; as pulseiras, de R$ 15 a R$ 25. Os acessórios podem ser encontrados no Feirão da Sepror, na avenida Torquato Tapajós (antiga Expoagro), de quinta-feira a sexta-feira, das 7 horas às 17 horas; aos sábados, na Feira da Asa, na avenida Coronel Teixeira; na Feira do Cassam, na avenida General Rodrigo Otávio; e aos domingos, na Feira da Eduardo Ribeiro, Centro.
SUSTENTABILIDADE
Outra artesã que embarcou na ideia de investir em couro de peixe é Greyci Oliveira, gerente da empresa Couro D’água Amazonas, que também é fornecedora da designer Rita Prossi. Greyci conta que qualquer espécie pode ser utilizada, sendo a pirarara e a pescada as mais utilizadas por ela na produção de bolsas, carteiras, pastas e acessórios.
As etapas pelas quais as peles passam durante o curtimento vão da lavagem, descarne, remoção das escamas até o recurtimento com produtos naturais, tingimento, secagem e lixamento. Tudo isso pode levar até 15 dias.

domingo, 7 de dezembro de 2014

Brechós se multiplicam em tempos de inflação e de empreendedorismo

Não à toa, esse mercado cresceu 210% em cinco anos, segundo o Sebrae-RJ

Rio - Em tempo de inflação alta, os brechós são alternativas para gastar até 75% menos. Não à toa, esse mercado cresceu 210% em cinco anos, segundo o Sebrae-RJ. A alta se deve em especial pela mudança de comportamento do consumidor, que passou a valorizar as roupas e acessórios usados. E para garimpar peças entre as lojas físicas e da internet, há mais de 11 mil estabelecimentos pelo país. 
Os pequenos negócios que oferecem roupas usadas passaram de 3.691 para 11.469, entre 2007 a 2012. Agora, são 95% do total das empresas do segmento especializado, que engloba além de vestuário e acessórios, móveis, utensílios domésticos e eletrodomésticos. 
“As pessoas adquiriam bastante acessórios usados, e agora compram as roupas. Isso mostra que o consumidor vem perdendo o preconceito com o usado”, explica Fabiana Pereira Leite, coordenadora de moda do Sebrae-RJ. 

Com a irmã e sócia Carla no colo, a empresária Mariana Lanzillotta usa a internet e as feiras de brechós pela cidade para vender as roupas e acessórios que não usa mais
Foto:  Alexandre Vieira / Agência O Dia

Para a especialista, os brechós também ganharam destaque devido à mudança cultural do consumidor. “O crescimento desse negócio pode ser explicado pelo surgimento da moda sustentável, baseada no reaproveitamento de peças e incentivo ao consumo consciente”, afirma. 
É o caso de Mariana Lanzillota, 29 anos, que montou o ateliê Kiuta. “Como eu tinha muitas roupas que não usava comecei a vendê-las”, lembra a dona do brechó, cujo nome vem de um apelido dado por um amigo. “Não sei de onde ele tirou, mas gostei”, afirma. 
Muitos produtos usados, que estão em bom estado de conservação, são oferecidos por Fernanda Arêas, 28 anos, dona do Coisas de Fernanda. “Um tênis da Arezzo que comprei por R$ 250 e usei poucas vezes foi vendido por R$ 80. Uma calça da marca Colcci, de R$ 200, foi vendida por R$ 50. Há produtos que chegam a ser 75% mais baratos”, diz.

INTERNET PARA FATURAR 
Formada em Design Gráfico, Carla Mendes, 34 anos, aproveitou a internet para ganhar dinheiro com as roupas de grife que possuía. Ela começou na antiga rede social Orkut, quando viu nos fóruns de moda pessoas procurando determinadas peças que ela mantinha em casa. 
“Eu fiz a oferta e compraram. Fácil assim”, conta Carla, que hoje oferece seus produtos no Facebook, Instagram e no próprio site do seu brechó ModaBazar. 
Mayra Sallie, 22 anos, se uniu as amigas Luana de Paula e Isabela Maria para criar as roupas customizadas no site a Mig Brechó. “Compramos as roupas de outras décadas, lavamos, tingimos e fazemos uma silhueta atual”, explica Mayra. 
Além do consumidor valorizar roupas e acessórios usados, a atual situação econômica do país influenciou no crescimento dos brechós. A inflação dos últimos 12 meses até setembro chegou a 6,75%, acima do teto da meta do governo, de 6,50%. 
Para o economista Eduardo Bassin, da Bassin Consultoria, o aumento da renda do trabalhador faz o consumidor trocar itens com mais frequência. Contudo, ele lembra que o cidadão está dando mais valor ao dinheiro que tem. 
“O brechó é uma boa opção para comprar por ser barato. E com o aumento da inflação, as pessoas também estão consumindo mais, apesar de muitas lojas de usados terem preços de grifes”, esclarece Bassin. 
Segundo o economista, a grande procura fez surgir novos empreendedores. A visão é compartilhada pela coordenadora de moda do Sebrae-RJ, acrescentando que a maioria abre por uma vontade antiga de possuir um negócio voltado ao setor de moda e design. 
“O investimento para ter um brechó é quase zero e o estoque inicial pode ser por consignação”, explica Fabiana. “Mas é preciso saber investir no visual da loja para ficar atrativo ao consumidor. Para o comércio eletrônico, por exemplo, é necessário aprender a formar preços, já que há outros custos como o frete de peças”, ensina.

FEIRA REÚNE ANTIGAS E NOVAS GRIFES

Hype Free Market terá 160 expositores e espera público acima de quatro mil

Novos designers e brechós estarão reunidos no próximo dia 2 de novembro, de 11h às 20h, na segunda edição do Hype Free Market, no Shopping Cittá America, na Barra. Com entrada franca, o evento é inspirado nas consagradas feiras de rua ao redor do mundo. A primeira edição reuniu quatro mil pessoas. 
Entre os 160 expositores estão Maria Cris, de moda feminina, e a Folk, de moda masculina, a Viva!, com camisetas unisex, e a Litori e a BKN Bikinis, de moda praia. Também estarão presentes como produtos de decoração a Porcelanas Lidia Quaresma, Andrea Pires Arte Luminárias e Almofadas Dia a Dia. Entre os estreantes no Hype Free Market estão Carolina Valadares e Tô Frida, de bijuterias, Eu Zé, de camisetas, e a Bossa Rio Presentes, de decoração, entre outras. Também haverá espaço gatronômico com bares e restaurantes. 
“Queremos dar a oportunidade para qualquer pessoa promover o seu brechó particular e, quem sabe, tomar gosto pelo comércio tornando-se um empreendedor”, afirma Robert Guimarães, um dos criadores da feira. 
“Vivemos um momento em que não existe mais o certo ou errado da moda. Hoje, cada pessoa cria seu estilo misturando peças novas e usadas”, acrescenta Fernando Molinari, curador do evento.

Cascas de laranja viram tecido vitaminado na Itália

Jovens desenvolvem tecnologia para transformar cascas, bagaço e sementes em fibras têxteis com substâncias que, segundo elas, nutrem a pele.
Adriana Santanocito e Enrica Arena criaram uma tecnologia, em parceria com o Instituto Politécnico de Milão, para transformar laranjas em tecido  (Foto: Divulgação)
Adriana Santanocito e Enrica Arena criaram uma tecnologia, em parceria com o Instituto Politécnico de Milão, para transformar laranjas em tecido (Foto: Divulgação)

Duas jovens italianas criaram, utilizando restos de laranja, um tecido hipertecnológico e sustentável, que libera nutrientes que podem ser absorvidos pela pele.
Graças à nanotecnologia - que permite a criação de novos materiais a partir da manipulação de átomos e moléculas -, óleos essenciais e a vitamina C derivados da fruta são fixados ao tecido em microcápsulas e transmitidos ao corpo gradualmente.
"O resultado é um tecido macio e brilhante, semelhante à seda. Além disso, as substâncias inseridas nas fibras têxteis nutrem a pele sem deixar resíduos ou perfume. É como usar um creme hidratante pela manhã", disse à BBC Brasil Enrica Arena, uma das criadoras do produto.
Nascidas na Sicília, ilha italiana conhecida também pela produção de laranjas e limões, as jovens conheceram-se em Milão, onde estudavam e onde ainda dividem o apartamento. Adriana Santanocito, 36 anos, é designer com especialização em materiais inovadores, enquanto Enrica, de 28 anos, é formada em Comunicação e Relações Internacionais.
"O projeto Orange Fiber nasceu em Milão, mas tem o coração na Sicília. Um dia, quando estávamos em casa, a Adriana me perguntou por que não produzir um tecido reciclando os restos de laranja. A partir daí, decidimos tentar juntas", conta Enrica.
A tecnologia para a transformação de cascas, bagaço e sementes de laranjas e limões em fibras têxteis foi desenvolvida em parceria com o instituto Politécnico de Milão, com a qual obtiveram a patente internacional. A segunda fase do processo, que garante a fixação ao tecido de microcápsulas com substâncias derivadas das frutas, é realizada por uma indústria cosmética.
A ideia de um tecido vitaminado feito com restos de laranja agradou três empresários sicilianos, que compraram cotas da sociedade. Sucessivamente, o projeto passou a receber um financiamento europeu, distribuído pela Província Autônoma de Trento.
Graças ao programa Seed Money, elas receberam não apenas recursos econômicos e consultoria, mas também infraestrutura para a iniciar a confecção de protótipos antes do ingresso do produto no mercado nacional.

Do lixo ao luxo
Tecido, segundo elas, transmite vitaminas à pele  (Foto: Divulgação)
Tecido, segundo elas, transmite vitaminas à pele (Foto: Divulgação)

Além de ter recebido diversos prêmios e ter sido selecionada para participar da Expo Milão 2015, a novidade atraiu também a atenção do mundo da moda.
Segundo as criadoras, os tecidos da Orange Fiber devem integrar a coleção de pelo menos uma grife italiana no próximo ano.
"Recebemos encomendas por parte de algumas marcas de luxo, inclusive de fora da Itália. Estamos nos preparando para conseguirmos oferecer uma quantidade e variedade de tecido suficientes para inserir nossos produtos em coleções de moda. A primeira delas deve ficar pronta em fevereiro de 2015", diz Enrica, mantendo em segredo o nomes das empresas.
A primeira fase do processo de industrialização será realizada na Sicília, em uma fábrica de sucos adaptada para receber as máquinas que extraem celulose dos resíduos cítricos. Nesta etapa, serão reaproveitadas cerca de dez toneladas de restos de laranja, suficientes para produzir quatro mil metros de tecido.
"Nosso objetivo é realizar a fase inicial dentro das próprias usinas para evitar o transporte dos resíduos e sermos ainda mais sustentáveis", afirma Enrica.

Resistência às lavagens
Com a tecnologia atual, a empresa garante a presença dos nutrientes nas fibras têxteis por até dez lavagens. "Queremos aumentar o tempo de resistência das microcápsulas ou até mesmo torná-las recarregáveis, com o uso de amaciantes criados especificamente", afirma.

Uma fábrica de sucos foi adaptada para receber as máquinas que produzem as fibras têxteis  (Foto: Divulgação)
Uma fábrica de sucos foi adaptada para receber as máquinas que produzem as fibras têxteis (Foto: Divulgação)

As empresárias pensam também em diversificar a oferta de cosméticos a serem encapsulados com auxílio da nanotecnologia.
O mercado de cosmetotêxteis, como são conhecidos os tecidos que contém compostos bioativos, tem crescido graças aos avanços da ciência nas áreas de microencapsulação e nanotecnologia em cosméticos.
A maioria, porém, é utilizada em artigos esportivos ou roupas íntimas como cintas modeladoras e faixas contra a celulite. Dados do Instituto Francês de Moda indicam que o setor movimentou cerca de 500 milhões de euros em 2013 e preveem um crescimento de 35% ao ano.
"Estamos em uma fase de semi-industrialização e, portanto, nosso tecido cosmético ainda é um produto de nicho, mas nosso objetivo é torná-lo difuso e acessível a todos", afirma Enrica.