quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Saiba mais sobre a moda ecológica

Indústria da moda vem respondendo à demanda por moda ecologicamente sustentável e bonita
Os consumidores vêm se conscientizando cada vez mais com relação às mudanças climáticas, a perda de biodiversidade e as más condições de trabalho no setor têxtil, especialmente na Ásia.
Alguns processos convencionais como a limpeza de lã, o curtimento e descoramento de couros e o tingimento e estampamento de tecidos consomem grandes quantidades de água, energia ou substâncias químicas tóxicas, além de emitir efluentes.
Lucas Assunção, da Conferência das Nações Unidas sobre o Comércio e o Desenvolvimento (UNCTAD), disse que a indústria da moda vem respondendo à demanda por moda ecologicamente sustentável e fibras naturais que sejam belas.
Hoje a moda ecológica atrai entre R$ 270 milhões (US$ 150 milhões) e R$ 362 milhões (US$ 200 milhões) em vendas por ano, o que para ele representa "uma parcela cada vez mais importante do mercado.
A estilista britânica Sarah Ratty, da Ciel, usa tecidos feitos de fibras naturais ou produzidos de maneira ambientalmente correta, muitos dos quais ainda não chegaram ao conhecimento da maioria dos consumidores.
- Quando pensam em moda verde, muitas pessoas pensam apenas em algodão orgânico. Mas há muitas outras fibras que podemos usar, como sedas de cânhamo, um tecido muito verde que devolve nitrogênio ao solo.
O estilista cameronês de alta-costura ecológica Anggy Haif trabalha há dez anos com fibras naturais que incluem ráfia, casca de árvores e sementes colhidas na floresta.
- Comecei porque vi que, em meu país, os têxteis modernos tinham tomado o lugar dos tradicionais, que estavam desaparecendo. A ideia foi revigorar o artesanato tradicional local. Hoje o mercado está ótimo em meu país e está se espalhando na África.
Mas o estilista dinamarquês Ingwersen disse que a moda verde pode perder força se os consumidores não encontrarem roupas que tiverem vontade de vestir.
- Se não inspirarmos outros estilistas, o usuário final e a mídia da moda, esta tendência vai morrer dentro de dois ou três anos e não terá passado de um modismo passageiro.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

De tendência para comportamento, a moda sustentável alça vôo


Pessoal, encontrei essa notícia no site Eco Desenvolvimento, onde tem meu nomezinho, lá em baixo no final. Fiquei muito feliz quando li. Leiam também toda ela, está muito interessante.


 A marca inglesa People Tree é a queridinha entre celebridades e pioneira no comércio justo - um exemplo de empresa de moda verde


Enfim, a moda sustentável alçou vôo no século 21 e passou de uma simples tendência para um comportamento. Deixando o básico de lado para buscar destaque em vitrines e passarelas de todo o mundo, a moda responsável encontrou espaço entre os estilistas e hoje é um rentável ponto de encontro entre as grandes marcas e a elegante consciência verde.


"Indústria" da moda sustentável


Indo além dos tecidos “inteligentes” (menos agressivos ao meio ambiente), promovendo o comércio justo e com responsabilidade social atrelada à produção, a moda sustentável abraçou o ideal de equilíbrio entre natureza, economia e sociedade para alcançar o novo consumidor, mais exigente e preocupado com as pegadas que deixa sobre o planeta.


Incorporando às criações de vestuário valores como consumo consciente e personalidade, a moda engajada ganhou poderosos defensores em todo o mundo, que vão desde as cooperativas de moda artesanal ao mais alto público da moda de luxo. A editora da revista Vogue, Anna Wintor, uma das primeiras a citar em um editorial o tema moda atrelado à ecologia, deixou o recado: “fashion não é sobre olhar para trás, é sobre olhar para frente”.

 A fusão entre uma grande marca e uma estilista preocupada com a sua pegada ecológica só poderia resultar em um produto viável, rentável e responsável - este foi o caso da parceria entre Stella McCartney e a gigante Adidas
 E foi percebendo que o "verde é o novo pretinho básico" que produtores e consumidores transformaram o conceito em sinônimo de glamour, originalidade e responsabilidade, e deram início a criação de uma nova cadeia de produção de moda, voltada, justamente, para o olhar “a frente”.
Entre os nomes que têm despontado na nova vertente da indústria fashion, um dos mais influentes é o da estilista inglesa Stella McCartney. Com suas roupas sofisticadas - objetos de desejo de mulheres em todo o mundo – a filha do músico Paul McCartney é prova de que é possível unir elegância, responsabilidade e rentabilidade em uma mesma peça.
Entre as suas positivas transformações na moda mundial, Stella apresentou coleções luxuosas sem o uso de couro de vaca e peles de animais, criou uma linha exclusiva para a Adidas produzida com tecidos de PET reciclado e algodão orgânico, e desenvolveu uma linha de lingerie feita somente com a fibra natural. E mesmo com as suas lojas abastecidas por energia eólica e utilizando sacolas de papel reciclado ou feitas de milho biodegradável para entregas, o novo símbolo do movimento eco fashion assume não ser totalmente sustentável e defende que “alguma coisa é melhor do que nada”. “Nós temos que pensar e agir responsavelmente”, afirma Stella.

Uma questão de consciência, mas também de estilo

A bolsa de algodão da designer Anya Hindmarch que trazia a frase 'I'm not a plastic bag' ('Eu não sou de plástico') causou frisson no mundo da moda e virou sinônimo de consciência e estilo em todo o mundo


Quem adota uma postura semelhante é a estilista Vivienne Westwood. Famosa por vestir ícones da moda, como a personagem Carrie Bradshaw, no filme Sex and the City, Vivienne desenvolveu um manifesto em prol do consumo com qualidade e não com quantidade. “Temos que comprar menos e escolher melhor”, defende.
“A moda vai e vem muito rápido. Gostaria de não ter que produzir tantas coleções. Gostaria de fazer menos e cada vez melhor”, completa a estilista, apoiada por antigos “conselhos” da lendária Coco Chanel, que não se conformava com as mulheres que dispensavam um guarda-roupa inteiro a cada estação. “A atitude denota muito dinheiro, mas pouco estilo”, dizia Chanel.
E mais indícios de que a moda sustentável veio para ficar surgem a todo o momento. Grandes grifes como Armani e Levis já se renderam à causa e lançaram linhas especiais de roupas com algodão orgânico. A gigante Cartier, que lidera um programa mundial de certificação na exploração de pedras preciosas, e a “bonequinha” da moda Tiffany & Co, que abriu mão dos corais naturais na fabricação das suas joias, também são exemplos de que o conceito já faz parte do comportamento da moda mundial.

Estilistas brasileiros na vanguarda


Sapatos, acessórios, vestidos e peças intímas: tudo ganhou sua respectiva versão "sustentável" para chegar ao público "sustentável"
Aqui no Brasil, o pioneirismo fica por dos estilistas, que trabalham defendendo conceitos como a reutilização de tecidos, a redução de resíduos e a reciclagem do que parecia perdido para o mundo fashion. Nomes como Geová Rorigues, Priscila Gomide e Carollina França caminham a passos largos na representatividade brasileira dentro do cenário dos estilistas susntentáveis.
Entre as grifes nacionais, pequenas marcas, que utilizam materiais alternativos menos agressivos e valorizam as pequenas comunidades que participam da cadeia produtiva, também ganharam força e hoje se transformaram em grandes nomes do mercado da moda, sempre ligados aos conceitos sustentáveis.
É o caso da grife brasileira Osklen, que utiliza mais de 20 tipos de materiais de origem reciclada, orgânica, natural e artesanal em suas roupas, como fibras de PET, bambu e cânhamo. A empresa ainda trabalha com produtos de comunidades e cooperativas, ajudando no desenvolvimento sócio-econômico dos grupos envolvidos ao longo da cadeia de produção, como a juta de Castanhal, no Pará, que produz os acessórios da coleção da grife.



 Em destaque, o tecido de paetês da Osklen, feito com látex sustentável, extraído responsavelmente e em parceria com comunidades de borracheiros

Outra marca bem sucedida é a Éden Organic Style. Localizada no bairro de Vila Madalena, a marca paulista possui fornecedores próprios de algodão orgânico, todos certificados pelo Instituto Biodinâmico (IBD), e utiliza produtos químicos alternativos, como açúcar invertido e corantes naturais, para garantir que a textura, lavagem e cores das peças (inclusive de calças jeans) fiquem bonitas de maneira responsável.
Desafios
O mercado em crescimento, porém, não esconde as dificuldades encontradas por quem quer produzir ou comprar esses produtos. Para a fundadora do Instituto Ecotece, Ana Cândida Zanesco, o problema para quem fabrica é se adequar a uma nova lógica de produção, diferente da que já está operando há décadas.
“Pesquisa, consultoria e adequação nas produções requerem investimento e isso pode inicialmente impactar o financeiro da empresa”, afirma. Já para os consumidores, a maior dificuldade é encontrar esse tipo de produto. “Ainda é pequeno o mercado de roupas sustentáveis”, afirma a designer de moda e adepta à moda sustentável, Micheli Hoffmann.
Fonte:http://www.ecodesenvolvimento.org.br/noticias/moda-sustentavel-de-tendencia-para-comportamento


quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Novidades e Comemoração!!!

Olá meus leitores queridos...

Estou aqui hoje por vários motivos, primeiro gostaria de agradecer a todos por e-mails e comentários! Peço desculpas se eu não tenha respondido seu comentário, é porque não tinha e-mail para resposta. Já os e-mails que recebo tento responder a todos sempre. E sempre procuro ajudar, quando posso. Obrigado a todos pela confiança e apoio!

Além de tudo, estou comemorando hoje 70.000 mil acessos e 52 seguidores!!!!! OBRIGADOOOOOOOOOO...

Fico muito feliz! Pessoas com o mesmos pensamentos em prol do meio ambiente!

Então trago para vocês mais algumas empresas, que conheci nas minhas pesquisas pela internet, que fabricam tecidos ecológicos, segue abaixo o site delas:

http://www.parkotex.com/ - Está empresa é da Turquia, mas eles fabricam vários tecidos com algodão orgânico inclusive tecido plano. O site tem várias línguas, então é só conferir. Vale a pena!

http://www.lonatex.com.br - Está fábrica é de Minas Gerais e tem entre seus produtos tecidos de PET reciclado e de Lona reciclada.

http://www.ecosimple.com.br - Está empresa é de São Paulo, cidade de Americana. Eles fabricam tecidos feitos com materiais reciclados de restos de outros tecidos. Não são tingidos, pois são separados antes da reciclagem, então a cor já é do material base. Muito boa a idéia!

http://tecelsaojose.com.br/ - Está fabrica produz dentro todos os seus tecidos, o Jeans de Algodão Orgânico. Fica no Nordeste, estado de Pernambuco.


Agora se você procura onde comprar roupas ecológicas, abaixo segue os sites das lojas virtuais que conheço. Sei que deve existir várias outras, em breve falarei de outras.

http://www.ecoroupa.com.br/ - Diversas roupas (modelos) de roupas ecológicas.

http://www.ecochoice.com.br - Muita variedade de roupas ecológicas, de diversas marcas, além de acessórios, como bolsas, etc.

http://www.philosecologica.com.br/loja/ - Várias roupas Eco.

http://www.camisetafeitadepet.com.br/ - Este site vende somente camisetas feitas com PET reciclado.

http://www.fujiro.com.br - Também vende camisetas de PET , dentre outros produtos ecológicos como eco-bolsas.

http://www.cicloambiental.com - Camisetas de PET, bolsas ecológicas, inclusive Moda Casa.

Pessoal, ai estão vários sites para se divertirem pesquisando no fim de semana...

Beijão a todos e obrigado pelas visitas, e-mails e comentários!!!! Continuem!!!

domingo, 15 de agosto de 2010

Jeans antigos viram peças novas e exclusivas

Em minhas pesquisas pela internet, descobri esta nota no Site:
http://sersustentavelcomestilo.blogspot.com/2010/08/jeans-antigos-viram-pecas-novas-e.html

A dona do Blog Ser Sustentável com estilo fala sobre um jovem estilista que reutiliza jeans transformando em peças novas, segue abaixo a nota do blog:

"O estilista Gustavo Silvestre foi meu assistente durante algumas coleções e além de ter uma habilidade notável em trabalhos manuais, foi um ótimo assistente. Tenho saudades. Bom, dias desses, ele me mandou um email contando sobre a maneira que encontrou de reciclar jeans de estoques antigos e transformá-los em peças novas. É claro, o "Ser Sustentável com Estilo" amou a notícia.
O processo começa separando as calças que estão encalhadas em estoques, desde os anos 90. Depois com os vários pedaços em mãos e com a ajuda das costureiras, Gustavo confecciona as mantas em jeans e com esse tecido, desenvolve peças novinhas em folha.
Esse trabalho é feito em parceria com a Será o Benedito, fábrica que desenvolve tecidos a base de materiais reciclados.

 desmontando as calças jeans na fábrica
 separando os pedaços para construção de outras peças
com o sucesso das vendas novas costureiras serão capacitadas e contratadas
 
as mantas em jeans  
Gustavo começou a se interessar pelo reaproveitamento no inverno passado, quando se surpreedeu com o ótimo resultado das peças feitas com as mantas. "Produzimos mini vestidos, calças, shorts, pequenas malas , saco de marinheiro e mochilas".
 
Gus pretende continuar esse projeto nas suas próximas coleções e se aprimorar cada vez mais. "Estou muito feliz com os resultados, pretendo desenvolver também sapatos e botas com reaproveitamento de materiais", finaliza.
As peças do Gustavo serão vendidas da loja "Surface to Air " na Al. Lorena aqui na capital de São Paulo.
E nós aqui do "Ser Sustentável com Estilo" vamos aguardar ansiosamente os próximos trabalhos do Gus e publicar aqui no blog.
bjs
Chiara" 
Fonte: http://sersustentavelcomestilo.blogspot.com
 

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Terço, bijuterias e acessórios feitos de paciência e de papel


O mineiro Afonso aprendeu a fazer rolinhos de papel quando criança, na pré-escola e achava divertido. Cresceu, tornou-se professor e prestes a se aposentar voltou a enrolar papéis como hobby e complemento de renda. Sua maior diversão é encontrar papéis com grafismos pra fazer peças com cores diferenciadas. Seu últimos garimpos foram posteres de filmes descartados por uma locadora de DVD. Eles se transformaram em bijuterias artesanais cheias de estilo. O artesão corta os papéis em tiras e com os canudinhos faz terços e mini-terços, brincos, pulseiras e colares. Ele também gosta de customizar hashis e lápis de cor com as tirinhas de papel. Estes fazem muito sucesso como brinde corporativo. As peças têm acabamento impecável e são impermeabilizadas com resina atóxica para maior durabilidade. Algumas bijuterias têm até purpurina para dar um brilho especial.

 Brincos artesanais feitos com papel

Criatividade: hashi customizado com tiras de papel

As peças já estão disponíveis na vitrine da Babel das Artes e em breve também na loja virtual. Tente — faça você mesmo! Requer apenas paciência e capricho.
PASSO-A-PASSO
Recorte o papel (escolha o tipo de corte de acordo com o volume que quer dar ao canudo de papel – A, B ou C). Passe uma camada fina de cola em um lado do papel. Enrole com um palito de dente. Passe fio de por dentro do canudinho de papel e intercale com miçangas.

 Está notícia e outras muito boas você encontra em: http://babeldasartes.com.br/blog

Mais biojóias: Patricia Moura

 
Vou falar um pouco da Artista Patricia Moura, que faz biojóias com produtos naturais, semenstes e etc.
Além da preocupação ambiental, o trabalho dela é baseado na valorização social e além do Projeto Jovens de Fibra, que ela desenvolve em Fernando de Noronha (no site também tem informações sobre ele), atualmente  é voluntária do projeto Rendarte, do hospital de Câncer de Pernambuco, que oferece cursos e oficinas de artesanato a pacientes em tratamento e seus acompanhantes na instituição. 
Sintetizando, ela diz "entendo que para desenvolver a moda sustentável, não basta apenas ser ecologicamente correta, mas principalmente, socialmente justa, unindo os dois, estarei agregando reais valores ao meu processo criativo."
 
E isso então, abaixo segue fotos de um pouco do trabalho dela. Espero que gostem!


domingo, 1 de agosto de 2010

Biojoias usam algodão colorido da Paraíba

As bijuterias da Babel das Artes chamam a atenção pelo uso do algodão orgânico da Paraíba — produto especial e cobiçado porque já nasce colorido em quatro tons: marfim, rubi, marrom e verde.
Algumas peças da coleção de bijuterias desenvolvidas por Erica Medeiros e Mariana Borba associam o algodão às sementes da floresta e/ou miçangas. O sucesso rompeu fronteiras. Graças à internet já foram enviadas para revendedores na França e em Portugal.
Algumas cores do algodão são mais raras do que outras porque o produto é sazonal, com época certa para plantio e colheita. Além disso, o algodão da Paraíba é exportado, principalmente para o mercado europeu e o Japão — com 400% de valor agregado, o que encarece e retrai o consumo interno.
Veja neste post, os colares da coleção “In Natura” que mais fazem sucesso na vitrine.

Fio de morototó com flores de crochê com fio de algodão colorido
 Algodão, fuxico, miçangas e madeira
 Dread e fuxicos de algodão colorido
Malha e fio de algodão colorido e fuxicos
Algodão colorido e flor de sisal (removível)

Para ver mais e saber mais, acessem: http://babeldasartes.com.br/blog/

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Indústria têxtil européia adere à ECOMODA

A cada temporada, a expectativa do mundo da moda é surpreender durante os principais eventos do setor. No entanto, enquanto nas passarelas os nomes mais destacados da alta costura disputam a atenção da grande imprensa e os holofotes da fama, nos bastidores do cenário fashion uma revolução silenciosa e menos divulgada também começa a conquistar o seu próprio espaço. Trata-se da chamada ecomoda, uma ideia incorporada por alguns nomes da indústria têxtil europeia que sugere coleções totalmente produzidas sem química.
No Velho Continente, instituições comunitárias, associações ambientalistas e estilistas redobram a atenção dedicada ao uso de produtos químicos em tecidos e peças de roupa.
Em países como Alemanha, Espanha e Itália, por exemplo, o número de iniciativas a favor de tecidos naturais cresce significativamente e o tema é um dos mais discutidos entre os representantes do ramo. O interesse pelo assunto é tanto que na Biofach – evento realizado em Nuremberg, entre 19 e 22 de fevereiro de 2009 – um pavilhão inteiro foi dedicado à moda ecológica, reunindo nomes como Natural Fashion, Disana e Organics Brasil.
Na Europa, os principais apelos contra o emprego de produtos químicos em peças de roupa são promovidos pelos ambientalistas do Greenpeace. Em Madri, a associação organiza o desfile chamado “Moda sin tóxicos”; um projeto que conta com a participação de renomados estilistas espanhóis como Ágatha Ruíz de la Prada, Antonio Pernas, Carlos Díez, e as marcas Jocomomola, Mango e Txell Miras, entre outros. Não se trata de trabalhar exclusivamente com o linho ou a seda, mas evitar o tratamento dos tecidos com substâncias prejudiciais à saúde.
A direção do Greenpeace relembra que, nos últimos sessenta anos, a indústria química produziu mais de cem mil moléculas novas, mas que muitas delas são tóxicas. É o caso, por exemplo, do cromo utilizado para tratar o couro, dos pigmentos de chumbo e níquel empregados no tingimento de tecidos e dos ftalatos, uma série de substâncias comumente usadas na confecção de botões e também no amaciamento de tecidos. “Os ftalatos causam problemas no sistema reprodutivo e comprometem o desenvolvimento dos testículos de crianças”, alerta Yannick Vicaire, idealizador do desfile. “O nosso objetivo é demonstrar que é possível produzir produtos de largo consumo respeitando as mais rigorosas normas de saúde, além de diminuir o fenômeno de doenças crônicas”, completa.
Legislação europeia - O maior problema é que, frequentemente, a etiqueta dos tecidos comprados pelos estilistas não contém uma descrição detalhada de todos os seus componentes. Assim, não é raro que tecidos aparentemente naturais como o algodão ou o linho apresentem, por exemplo, vestígios de formalina, elemento declarado cancerógeno pelo International Agency for Research on Cancer (IARC).
Para tentar contrastar este fenômeno e incentivar as indústrias a redobrar a atenção com os itens presentes em seus próprios produtos, a Europa adotou um novo quadro normativo em matéria de registro, avaliação e autorização de produtos químicos. A legislação comunitária chamada Reach (Registration, Evaluation, Authorization and Restriction of Chemicals) substitui aquela originada há cerca de 40 anos e introduz algumas novidades. No segundo semestre de 2008, as empresas que exportam produtos para o Velho Continente foram obrigadas a realizar, na agência europeia competente, em Helsinki, um pré-registro dos componentes contidos em seus produtos. A partir deste ano, no entanto, passaram a ser exigidos o registro e a análise dos itens que deverão ser submetidos a rigorosos testes de riscos à saúde e ao meio ambiente.
Especialistas do setor estimam que os custos para a adaptação às exigências da nova normativa corresponderão a 0,05% do faturamento anual das empresas, o que garantirá ao sistema sanitário europeu uma economia de cerca de 50 bilhões de euros em trinta anos. “Esse é o modo correto para demonstrar que é possível continuar produzindo e utilizando substâncias alternativas e não acredito que o Reach destrói a competitividade das indústrias europeias, mas, ao contrário, impulsiona a pesquisa no continente”, comentou a deputada europeia Monica Frassoni, em um desfile de moda sem produtos químicos organizado no Parlamento europeu.
Apesar de inicialmente bem recebido, nos últimos meses o Reach tem sido alvo de duras críticas por parte de associações ambientalistas. Isso porque as informações fornecidas à agência competente variam de acordo com a quantidade produzida ou importada. O vértice do World Wide Fund for Nature (WWF), por exemplo, acredita que 60% das substâncias químicas contempladas no Reach são produzidas em quantidades inferiores a dez toneladas e, portanto, poderão circular com facilidade pela Europa.
100% biológico - O impacto da nova normativa também é evidente no mundo fashion. Uma prova concreta de que a ecomoda não é um fenômeno passageiro está no crescimento da demanda europeia de algodão biológico, cultivado sem pesticidas ou produtos químicos. Segundo os dados divulgados pelo Organic Exchange, o número de marcas que oferecem aos consumidores produtos confeccionados com algodão quadruplicou nos últimos anos e o faturamento previsto para este mercado em 2008 foi estimado em 2,6 bilhões de dólares.
Enquanto os maiores fornecedores de algodão biológico se encontram em países como Índia, Turquia, Tailândia e Estados Unidos, a Europa lidera o ranking mundial dos distribuidores de roupas e acessórios 100% naturais, com 76% do mercado, seguida pelos Estados Unidos e pelo Canadá.
Atualmente, os produtos têxteis executados exclusivamente com fibras naturais derivadas do cultivo biológico são certificados e respeitam os critérios estabelecidos pelo Global Organic Textiles Standard (GOTS).
Um exemplo emblemático de moda consciente é o tecido biológico à base de soja desenvolvido pela La Reda, empresa italiana especializada em moda masculina.
“O tecido é tão brilhante quanto a seda e mais transpirante que o algodão porque absorve a umidade do ar com facilidade”, explica Ercole Botto Poala, proprietário da empresa. Além disso, graças à presença de aminoácidos, o tecido de fibra vegetal é macio, totalmente compatível com a pele e extremamente resistente.

 Camiseta italiana é feita com fibras do leite

Outra substância que começa a ser explorada no setor têxtil é a caseína, a proteína do leite, da qual pode-se obter um tecido ideal para a fabricação de camisetas e peças íntimas. Na Università Statale di Milano, a caseína é tratada com soda aquecida e assim se polimeriza, formando verdadeiras fibras estáveis que podem ser entrelaçadas sozinhas ou juntamente com a seda, o algodão ou caxemira.
Na Itália, um exemplo da aplicação do leite na indústria têxtil é a linha de camisetas chamada Milk Wear, lançada em junho do ano passado e distribuída pelo Woolgroup. Para produzi-las, inicialmente o leite é desidratado e desnatado. Em seguida, graças a modernas técnicas de bioengenharia, é utilizado também para a tecelagem. O resultado final é uma fibra com uma capacidade de absorção da umidade superior àquela típica das fibras sintéticas. Atualmente, o preço médio de uma camiseta da marca Milk Wear está por volta de 84 euros. 
O preço, ainda elevado, também é uma característica da transformação em fibra do cânhamo (a mesma planta da maconha). Um consórcio da região da Emilia-Romagna, na Itália, está apostando nesta inovação, mas o maior obstáculo deste projeto é o custo do metro quadrado do cânhamo biológico: cerca de 22 euros, um valor superior ao do linho ou do algodão biológico. Este último tem sido muito apreciado pelos consumidores europeus. Basta pensar que, na Itália, um dos sucessos de crítica e de público é o Life Gate, um jeans totalmente confeccionado com algodão biológico.
Recursos marinhos – Outra novidade é o Crabyon, uma fibra realizada com a casca de caranguejos ou lagostas e empregada na produção de roupas esportivas. Trata-se de um tecido com ação antibacterial, analérgico, 100% biodegradável e composto de quitosana – derivado da quitina – e celulose. A quitina é uma substância cuja aplicação também está sendo estudada nos campos médico e nutricional e, o melhor de tudo, é que suas características não se alteram com o tempo ou com as lavagens frequentes.
Trata-se de um polissacarídio natural com uma estrutura química muito similar à da celulose. Uma de suas grandes vantagens é a sua capacidade de ativar duas enzimas que bloqueiam o desenvolvimento de bactérias responsáveis por inúmeras doenças.
Do ponto de vista prático, a fibra de Crabyon é obtida graças a um processo que inicia-se com a desproteinização da casca dos crustáceos descartados pela indústria de alimentos – a soda cáustica é utilizada neste processo. Em seguida, sofre a descalcificação com o uso de ácido clorídrico e a solução de quitina obtida depois dessas fases é misturada com a celulose. O último passo é um processo de fiação a úmido.
Na Itália, a empresa que comercializa a fibra de Crabyon é a Pozzi Electra e o custo médio da fibra misturada com cerca de 15% de algodão é de aproximadamente 11 euros por quilo.
Os recursos marinhos também se transformaram em suporte de uma grande inovação proposta por uma indústria alemã, ou seja, uma fibra de base celulósica com algas marinhas como a ascophyllum nodosum. Trata-se de um produto com características similares às da viscose, com valores de tenacidade comparáveis ao Lyocell ou às fibras de Tencel.
Projetada pela Smartfiber AG, a Seacell contém minerais, aminoácidos, hidratos de carbono, vitaminas e outras substâncias ativas contidas nas algas. Por isso, possui propriedades anti-inflamatórias e facilita a transpiração. Uma prova de que o binômio pesquisa e natureza ainda é uma estratégia válida para diferenciar-se em um mercado cada vez mais competitivo.

Anelise Sanchez, de Roma

Fonte: http://www.quimicaederivados.com.br/revista/qd483/atual/atual01.html