Quando a Lacoste comemorou seu aniversário de 80 anos em 2012 deu-nos um vislumbre de como seria sua camiseta Polo do Futuro. No vídeo feito pela agência MNSTR, mostra uma camisa que pode ser alterada com apenas um toque de sua mão, pois é feita de tecido inteligente OLED com nano-circuitos eletrônicos integrados em suas fibras tornando sua superfície dinâmica podendo mudar de cor e tamanho com o toque das mãos. Um dia essa maravilha da tecnologia wearable vai ser realidade e a indústria têxtil e de moda nunca mais será a mesma.
A LACOSTE prestou uma homenagem ao espírito visionário de seu fundador René Lacoste, mostrando uma visão do futuro da sua invenção mais lendária, a camisa polo L.12.12. Em 1933, René Lacoste lançou a produção em escala industrial da sua camisa polo ele chamada L.12.12. Para a LACOSTE, 1 refere-se ao tecido de algodão Petit Piqué, 2 para o estilo de manga curta e 12 para o número de protótipos feitos antes de René Lacoste dar a sua aprovação. A marca fez esse filme da camiseta polo do futuro que foi lançado no dia 12/12/12 onde a tecnologia têxtil não tem limites.
A Lacoste pediu a seus fãs no Facebook que mostrassem sua visão da Polo do Futuro. Abaixo estão algumas idéias inovadoras apresentadas por eles:
Polo Musical, por Rodrigo Eidy Uemura do Brasil
“Uma polo que muda de acordo com os sons ao seu redor: o som da natureza, música ou som nenhum …”
Polo Emoticroc, por Graça Cai da China
“Uma polo que revela seu estado de espírito!”
Polo Tempo, por Alice Bee da França
“Uma polo que muda de cor dependendo do tempo e a luz do sol.”
Polo Foto, por Miwa Yamauchi do Japão
“O logotipo crocodilo da Lacoste atua como uma câmera. Tire uma foto pressionando o logotipo e a aplica na superfície da camiseta para personalizá-la! ”
A Polo que regula a temperatura, por Guilherme Gerber do Brasil
“Uma polo que conserva o calor no inverno e fica fresca no verão. A polo irá adaptar-se à temperatura ideal para você. ”
Polo de Energia Solar, por Matt Aaron dos EUA
“Um pequeno painel solar em forma de crocodilo, tomará o lugar do logotipo da Lacoste fazendo o possível para carregar dispositivos eletrônicos no final do dia ao vestir a camiseta. “
Polo que vira vestido, por Hyosook Lee da Coreia
“As mulheres simplesmente puxam a barra da Polo para baixo e o tecido se estender para virar um vestido polo”.
Polo UV, por vários fãs, incluindo Bennewitz, Julio Bonaldo, Matty Brady
“Uma polo que repele a água, e quando chove se transforma em um capuz”
Polo de mídia social por Catherine Beaumier Lacroix do Canadá
“Publique um status no Facebook, Instagram Tweet ou foto quando quiser, com sua polo”
KiHoon Kim da Coréia do Sul está por trás da Polo “fácil de armazenar”.
“No futuro, a uma camiseta Polo vai encolher com um simples toque no logotipo de crocodilo. Ficando fácil de armazenar em seu guarda-roupa ou mala de viagem, ocupando pouco espaço! ”
Polo ultra compacta e contra amarrotamento por Christophe Pillet
“Um polo que ocupa nenhum espaço quando se viaje e quando retirada da embalagem, fica livre de amassados.”
A Lacoste imaginou como seria jogar tênis no futuro
Quais serão os tecidos do futuro? Com a exigência cada vez maior de sustentabilidade na cadeia produtiva da moda, a indústria têxtil está começando a prestar atenção e a investir nos tecidos do futuro que possam substituir o algodão que é a cultura mais tóxica, utilizando mais de 25% de todos os inseticidas no mundo e 12% de todos os pesticidas. O World Wildlife Fund diz que 20 mil litros de água são necessárias para produzir um quilo de algodão, o equivalente a uma única camiseta e um par de jeans. Um completo absurdo ainda mais com esses problemas atuais de falta de chuva e água. Cerca de metade de todos os produtos têxteis são feitos a partir desta fonte ambientalmente insustentável, razão pela qual a indústria do algodão deveria ser substituída.
A coisa boa é que há várias opções sustentáveis para adicionar ao seu guarda-roupa. Algumas tecelagens e marcas de moda estão desenvolvendo tecidos feito de frutas e outros produtos orgânicos que não só podem competir com a indústria do algodão, mas também usar em sua fabricação partes das plantas que normalmente são jogadas fora. Muito bom não é mesmo?
Na Itália está acontecendo a exposição Textifood que vai até 14/07/15 e que apresenta os tecidos inovadores e sustentáveis do futuro feitos de fibras de espécies vegetais e animais. Instalado dentro do Pavilhão francês na Expo Milano 2015 com o tema “Alimentar o Planeta, Energia para a Vida“, a exposição mostra ao mundo a incrível diversidade dos tecidos, a fim de combinar as sinergias entre a indústria alimentar e têxtil, reutilizando as sobras das frutas e legumes depois de serem consumidos.
As grandes marcas podem recuperar o atraso na moda sustentável? As empresas menores estão criando tecidos 100% naturais e biodegradáveis com corantes naturais sem produtos químicos, mas as marcas maiores são bem mais lentas para inovar. As empresas maiores também têm um dilema em relações ao público sobre sustentabilidade; assim que introduzem uma roupa “sustentável”, os clientes começam a questionar a sustentabilidade do resto da sua coleção. Assim as grandes marcas tem dificuldades para contar essa história. As verdadeiras inovações estão muitas vezes em pequenas marcas, que começam do zero e não têm o peso de uma história ou uma cadeia de produção massificada. Uma dessa empresas é a Freitag com seu tecido 100% compostável F-Abric.
Na história bíblica, Adão e Eva usavam folhas de figueira como roupas improvisadas no Jardim do Éden. Desde então os seres humanos têm imaginando maneiras de utilizar materiais naturais para se vestir. Os tecidos de hoje estão mais inventivos e tecnicamente avançados do que nunca como os novos híbridos sintéticos-naturais. Muitos dos exemplos a seguir usam resíduos ou subprodutos de fabricação para criar materiais exclusivos. Designers e fabricantes também estão com uma crescente consciência social para eliminar o impacto ambiental.
O processo de fazer tecidos sustentáveis e produtos relacionados com têxteis exige uma reestruturação em vários níveis, como as matérias-primas, fabricação, design, comercialização e preferências dos consumidores. Já tem alguns anos que a indústria têxtil explora a fibra do bambu e do cânhamo para fazer lindos tecidos sustentáveis mas além desses existem outras fibras vegetais e animais a serem exploradas para aumentar a oferta de tecidos ecológicos.
Nas Filipinas, as fibras do abacaxi se transformam na “organza de abacaxi”...
Roupas feitas por estudantes de moda nas Filipinas utilizando tecidos de fibra de abacaxi e abacá
Dentro das muralhas do Palazzo delle Stelline em Milão, lar do Institut Français, o Lille3000 conseguiu criar uma exposição única: fibras e tecidos nunca vistos, vindos de vários continentes para mostrar ao público a nova perspectiva ambiental e científica que tornou possível o tratamento de materiais naturais. Laranja, limão, abacaxi, banana, coco, urtiga, café, arroz, soja, milho, beterraba, linho, lótus, algas, cogumelos, vinhos, cervejas, marisco … frutas e legumes estão a serviço da moda! A indústria têxtil do futuro fará do desperdício de alimentos sua fonte de matéria prima, para criar meios inovadores que atendam às necessidades do mercado e para responder às necessidades de sustentabilidade de um planeta cada vez mais degradado.
As novas gerações de designers têm um objetivo comum, criar uma simbiose entre a indústria alimentar e têxtil. Eles estão com o objetivo de aumentar a conscientização através de suas criações e apresentar a sua visão dos tecidos sustentáveis do futuro. Coralie Marabelle, Design Percept, L’Herbe Rouge, Christine Phung, Orange Fiber e Nina Gautier, são alguns dos novos designers que apostam em resíduos de fibras vegetais e animais provenientes de restos de comida. Eles usam corantes naturais para tingir suas peças sem utilizar qualquer produto químico.
Aqui está uma seleção dos tecidos sustentáveis do futuro
No Japão, desde o século 13, as bananas são utilizadas para fabricar um tipo de tecido chamado “jusi”, ainda usado na embalagem de quimono. É feito das fibras dos cachos de abacá (bananeira nativa das Filipinas) conhecida como “seda de banana”. A estilista filipina Dita Sandico foi a pioneira na transformação de materiais como a fibra de abacaxi (que vira organza de abacaxi), fibra de abacá( que vira seda de banana) e pinalino, uma combinação de fibra de abacaxi e linho irlandês para fazer suas lindas roupas esculturais. Em 2014, a fibra foi apresentada ao público em geral com o vestido feito por Coralie Marabelle, tecido de abacaxi e banana por Elodie Brunet e com o vestido do artista Em Riem feito inteiramente de folhas de bananeira secas (foto acima).
Normalmente, achamos o abacaxi uma fruta saudável e deliciosa, mas a Ananas Anam está usando as folhas do abacaxi para fazer uma alternativa sustentável e mais barata para o couro animal chamado Piñatex. A empresa têxtil compra das comunidades agrícolas as fibras das folhas de abacaxi que passam por um processo de extração chamado decorticação. A biomassa resultante do descasque também pode ser convertido em adubo orgânico ou biogás como uma fonte extra de renda para as comunidades.
Já o Brasil é o maior produtor mundial de abacaxi, uma das frutas favoritas da população brasileira. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país produziu 1,677 milhões de toneladas da fruta em 2015. A indústria têxtil brasileira tem a disposição milhares de toneladas de resíduos que sobram do descarte do abacaxi e da banana que podem ser transformados em materiais sustentáveis para vestuário, decoração, bolsas, calçados, tapeçarias, não-tecidos e tecidos industriais.
Outro tecido versátil vem dos talos da bananeira, uma parte da planta que geralmente é despejada ou queimada uma vez que o fruto é cortado, causando poluição. O tecido é já utilizado no Japão e no Sudeste Asiático, como as camadas exteriores da haste da bananeira sendo usada para cestos ou toalhas de mesa e as finas camadas internas podem ser usadas para embalar os delicados quimonos. As bananeiras muitas vezes não necessitam de pesticidas ou fertilizantes, quando cultivada nos trópicos. Sendo um resíduo da indústria de alimentos, estes caules que já foram muitas vezes apenas jogados fora estão sendo usados como um novo recurso valioso para diversas finalidades.
A empresa eco-têxtil Offset Warehouse reconhece os potenciais da fibra da bananeira, e atualmente tem uma parceria com uma ONG nas Filipinas para garantir a produção de tecidos de banana para apoiar o setor artesanal, baseando-se nas competências locais, onde os trabalhadores são pagos de forma justa e trabalham em condições seguras. O tecido é quase neutro em carbono e sua textura macia tem sido comparada ao cânhamo e bambu, e o material é perfeito para jaquetas, saias e calças.
Nas Filipinas as fibras do abacá se transformam na “seda da banana”
O mundo todo consome anualmente milhões de toneladas de coco, mas as cascas e conchas são tipicamente jogadas fora. Mas o coco é algo terrível de se desperdiçar pois além da água e polpa interna, a sua camada externa fibrosa pode ter uma segunda vida. A fibra do coco pode ser transformado em muitas coisas, de itens comuns, como capachos e cerdas da escova, bem como itens não tão comuns como roupas. Em termos de vestuário, o Cocona é feito de cascas de coco que foram recicladas em carvão ativado e o tecido é feito com 55% poliéster e 45% de Cocona. Quando incorporados em fibras e tecidos, o resultado é uma peça de roupa que seca rápido (92% mais rápido do que o algodão), absorve odor, permanece frio no calor e oferece proteção UV, o que o torna ideal para roupas esportivas.
Quando foi que o café se tornou uma bebida diária? Ninguém pode dizer o tempo exato, mas há uma coisa que podemos ter certeza é que as pessoas já tomam café por um longo tempo. É uma cultura que não poderia ser apagada da nossa vida. E agora, o café não é só para beber, você também para usar. A Singtex Industries de Taiwan descobriu uma coisa que ninguém jamais tenha percebido antes, isto é, combinar resíduos de borra de café com tecido.
Assim criaram o S.Café® que é usado em roupas de inverno ou esportivas pois fornece proteção UV, seca rapidamente e absorve odores. Inicialmente as borras de café foram colhidas de lojas mas com o crescimento da demanda, começaram a recolher os resíduos de fábricas de café, transformando lixo em tecidos úteis para as pessoas viverem melhor. Hoje em dia, o Brasil é responsável pela produção de 1/3 do café mundial, imagina quantas toneladas de borra de café que são descartados todos os anos? Não poderíamos em vez disso tornar esses resíduos em algo mais nobre como tecidos? Lembrando também que o Brasil é o terceiro maior produtor de frutas do mundo ficando atrás somente da China e Índia.
A urtiga não é usada apenas em sopas! Já desde a Segunda Guerra Mundial, os alemães usaram a fibra de urtiga como uma alternativa ao algodão para fabricar seus próprios uniformes, porque o mercado têxtil foi dominado pela Inglaterra. Felizmente a urtiga fez sua reestreia no mundo da moda graças a vários projetos europeus, incluindo o italiano Grado Zero que é uma camisa 100% feita de fibra de urtiga. As vantagens desta fibra são notáveis: ela não precisa de fertilizantes e seu cultivo requer pouca água, classificando-a entre as fibras naturais mais sustentáveis.
Até agora, falei de fibras naturais obtidas a partir de materiais encontrados na natureza e utilizados através de processos mecânicos, mas muitos dos novos tecidos são feitos de fibras têxteis artificiais.
Entre as fibras celulósicas à base de vegetais está a Orange Fiber (fibra de laranja), a primeira fibra derivada a partir da polpa de citrinos, que é o resíduo úmido que permanece após a produção industrial de suco de laranja. A Orange Fiber é um tecido cosmético com óleos essenciais de frutas cítricas em suas fibras, que hidratam e nutrem a pele, como se você colocasse um creme de manhã. O tecido também é biodegradável. A celulose é extraída dos resíduos da laranja.
Nanotecnologia permite, em seguida, fixar os óleos essenciais cítricos no tecido. Um processo de quebra automática das microcápsulas têxteis lançam gradualmente vitaminas na pele do usuário. Portanto, o vestido não é apenas moda, mas também proporciona bem-estar para quem o usa. Os óleos essenciais da Orange Fiber duram até vinte lavagens, mas as duas criadoras estão estudando uma maneira de encher o tecido, com outros emolientes.
Outra novidade fantástica é o poliéster feito com fios 100% de melaço de cana de açúcar. A empresa japonesa Toray desenvolveu um fio de poliéster derivado completamente de materiais de base biológica. Tipicamente, o poliéster é feito do petróleo, ele não é biodegradável e é produzido a partir de produtos petroquímicos que gastam muita energia, é poluente pois utiliza grandes quantidades de água e substâncias químicas nocivas na sua fabricação. O melaço é proveniente de fábricas de produção de açúcar na Índia e no Brasil, onde é um bi-produto natural e abundante.
Ao usar o melaço em vez de combustíveis fósseis, a Toray está cortando os resíduos gerados pelo poliéster de petróleo e usando um material sustentável e biodegradável. A tecnologia para criar este poliéster à base de plantas está ainda em desenvolvimento, mas a empresa japonesa espera em breve poder comercializá-lo em larga escala. A criação de novas linhas de tecidos feitos de plantas poderia ajudar a reduzir o impacto ambiental, eliminando o uso de combustíveis fósseis e substituí-los com materiais mais sustentáveis. O Brasil está em primeiro lugar e produz mais de 30% de toda cana de açúcar no mundo por que não seguir os passos dessa multinacional japonesa e fabricar no país tecidos de poliéster feitos de melaço de cana?
Existem, em seguida, as fibras artificiais, que são obtidas com o tratamento químico de um material de origem animal. Uma alternativa interessante para a lã e seda, cuja produção e eliminação envolvem danos ambientais significativos, é a fibra de leite . A fibra de leite é derivado da caseína, a principal proteína do leite, com o qual pode-se obter uma fibra artificial muito semelhante à lã. A caseína necessária para a sua realização é extraída somente a partir de leite azedo, tornando-se também um projeto muito inteligente de reciclagem.
O QMilk fez grandes progressos no sentido da sustentabilidade: a fabricação requer apenas 2 litros de água para cada quilo de produto, nenhum agente químico e produção de resíduos zero. Interessante isso pois além de um tecido feito de borra de café agora temos também um feito de leite. Imagine um tecido café com leite?
O tecido Crabyon ao contrário, é uma fibra natural reciclável e biodegradável feita da mistura de viscose com o quitosano, um derivado da quitina. A quitina é um composto natural encontrado em conchas de caranguejos e mariscos para protegê-los de seu ambiente. Como a celulose a partir de fibras vegetais, a quitina é fácil de processar em tecidos, porque tem uma textura macia e tinge facilmente.O Crabyon tem propriedades antibacterianas e de controlo de odores. É proveniente de resíduos da fabricação de carne de caranguejo e é totalmente biodegradável.
A empresa com sede na Suíça, Swicofil afirma que a quitina utilizado no tecido foi cientificamente processada, e o tecido resultante é seguro e hipoalergênico para pessoas com pele sensível. Esta é uma boa notícia para as pessoas com alergias a marisco. O quitosano representa cerca de 5 a 20% da misturas do tecido. Os derivados da quitina também são usados em coisas como lente de contato, pontos cirúrgicos e pele artificial.
Alguns especialistas da indústria e designers de moda estão começando a experimentar com tecidos alternativos que usam bactérias em sua produção. É nesse sentido que se encaixa a BioCouture da designer de moda Suzanne Lee. Sua receita? Uma mistura de bactérias simbióticas, leveduras e outros micro-organismos que produzem folhas finas de celulose num processo de fermentação. Quando as folhas estão secas, podem ser cortadas e costuradas como um tecido normal ou modeladas quando ainda estão úmidas. Obviamente que a pesquisa de Suzanne está ainda em fase inicial pois o processo será sintetizado em laboratório para que os bio-tecidos possam ser melhorados e depois comercializados.
“A necessidade é a mãe da invenção” como disse o filósofo grego Platão, por isso existe a necessidade urgente de achar novas soluções eco-sustentáveis para a indústria têxtil pois ela é responsável por 25% dos produtos químicos produzidos em todo o mundo que são despejados no ar, água e terra. Um dos países mais drasticamente afetados pela poluição causada pela indústria têxtil é a China que produz cerca de ¼ das roupas do mundo.
Um dos maiores desafios ambientais da China é a poluição da água. A Organização Mundial de Saúde estima que a água poluída é responsável por 75% das doenças na China, e o país usa três vezes mais energia do que a média global, quatro vezes mais do que os EUA e oito vezes mais do que o Japão. A poluição é endêmica pois quatrocentos mil chineses morrem prematuramente a cada ano devido à poluição do ar e devido ao resultado de três décadas de crescimento econômico, 70% das águas da China estão poluídos. Além disso, toda a China sofre cronicamente com falta de água e a produção têxtil usa grandes quantidades de água e energia.
Esse é o “preço do progresso” que os chineses estão pagando com altíssimos custos para o meio ambiente. Parte dessa poluição química vem impregnada nos produtos “Made In China” como já foi denunciado pelo Greenpeace no caso das roupas infantis. Tudo isso graças ao fast fashion, e já passou da hora de mudar todo esse sistema de consumo descontrolado para um mais baseado na “procura e oferta” e não na “oferta e procura”.
Novas investigações do Greenpeace revelaram que os compradores de todo o mundo estão comprando roupa contaminada e involuntariamente espalhando a poluição na água quando eles lavam suas roupas novas. Dos 78 artigos analisados pelo Greenpeace Dirty Laundry 2 report, 52 testaram positivo para a presença de etoxilatos de nonilfenol (NPE) acima do limite de detecção de 1 miligrama NPE por quilograma de material (mg / kg). Roupa de todos, mas um dos quinze marcas testadas (GAP, duas amostras) continham NPE acima do limite de detecção. As amostras das roupas foram adquiridas de lojas em dezoito países.
Estes resultados demonstram que tanto o uso destes produtos químicos na produção e nas consequentes descargas tóxicos nos cursos de água e rios vão muito além do país de fabricação. O problema e a solução não são apenas preocupações locais, mas sim um problema verdadeiramente global.
Acaba de ser lançada em Botucatu-SP, a primeira grife de moda infantil sustentável do País. Intitulada Gruta da Cuca, a confecção foi planejada e desenvolvida pela médica pediatra e empresária, Ana Paula Aguiar Ferraudo.
A Gruta da Cuca Moda Ecológica é uma confecção de roupas e acessórios infanto-juvenis que traz consigo a preocupação com o desenvolvimento sustentável em peças modernas e confortáveis. São utilizados três tipos de tecidos nas peças de roupas: malha PET reciclado, tecido de aproveitamento de aparas e retalhos (upcycling) e algodão orgânico.
O PET reciclado é feito com fibras de poliéster proveniente de garrafas coletadas por inúmeras cooperativas e seus catadores. Esta fibra tecida com fios de algodão confere à peça maciez e durabilidade. Cada camiseta recicla em média duas a três garrafas PET.
O tecido de aproveitamento utiliza resíduos de tecidos oriundos de confecções e tecelagens que podem ou não ser associados ao PET reciclado. Este processo dispensa o uso de produtos químicos, água e elimina zero carbono no ambiente. A cada metro de tecido desenvolvido, são retiradas da natureza oito garrafas PET e 480 g de resíduos têxteis.
O algodão orgânico é cultivado sem fertilizantes químicos, pesticidas ou reguladores de crescimento. Os recursos naturais, como lençol freático e a biodiversidade são preservados, já que não há contaminação do meio ambiente.
A Gruta da Cuca também confecciona acessórios coloridos e modernos, como presilhas e tiaras. Feitos em crochê e feltro, carregam consigo o trabalho manual com responsabilidade social.
Sem perder o foco na consciência ambiental, nem a embalagem e o TAG são descartados após a compra. Com o cuidado de diminuir o lixo produzido, a Gruta da Cuca desenvolve embalagens reaproveitáveis e seu TAG é produzido com papel semente, que deve ser molhado e plantado para germinar.
"Nosso objetivo é resgatar a inocência e a liberdade do mundo infantil, incentivar a educação socioambiental e contribuir de forma direta para que nossas crianças tenham um futuro digno", explica Ana Paula.
Além de utilizar matérias primas sustentáveis e de primeira qualidade, a marca também incentiva entidades sociais. "Utilizamos o serviço de uma lavanderia industrial com importante trabalho social de Piracicaba e também procuramos terceirizar vários serviços com instituições ligadas ao Fundo Social de Solidariedade de Botucatu, fazendo da Gruta da Cuca uma fonte de renda para famílias de baixa renda", completa.
COMO NASCEU A GRUTA DA CUCA
Trabalhos manuais sempre fizeram parte da vida de Ana Paula Aguiar Ferraudo. Filha de dona Lúcia, uma habilidosa professora de artesanato, aprendeu desde muito cedo a bordar e costurar, atividades que nunca deixaram de ser sua paixão. Apaixonada por crianças, dedica-se à Pediatria há 16 anos, profissão que lhe trouxe um contato mais intenso com esse mundo todo especial e que permitiu identificar necessidades que iam além do processo saúde-doença.
Para ter um desenvolvimento saudável, a criança precisa de muito mais que um remédio. A alimentação, o estímulo imaginativo, o faz de conta, o amor dos pais e os limites morais fazem parte da base desse desenvolvimento. No consultório, Ana Paula percebia a fragilidade destes alicerces frente ao mundo moderno.
Foi em dezembro de 2013, após o sucesso de um vestido temático de Natal que fizera para suas duas filhas, nasceu a ideia de montar uma confecção que resgatasse a liberdade da criança brincar, com roupas confortáveis e divertidas.
Mas sabia que o caminho era longo. Para isso, teria que transformar sua paixão em profissão.
Iniciou então uma maratona de cursos, buscou orientação no SEBRAE, SENAI, passou a frequentar feiras de moda, visitar tecelagens e de repente, foi apresentada aos tecidos ecológicos.
Dedicou o ano de 2014 às pesquisas e estudos sobre essa área. De um lado, passou a conhecer a riqueza do material ecológico para a indústria têxtil e seus benefícios. De outro, a rara oferta desse tipo de roupa em nosso país, especialmente no segmento infantil. Tudo isso, associado à falta d’água, aumento da temperatura global e a escassez de recursos naturais.
Foi nesse cenário que nasceu a Gruta da Cuca Moda Ecológica, que tem como filosofia resgatar a inocência e a liberdade do mundo infantil, incentivar a educação socioambiental e contribuir diretamente para a indústria da reciclagem e cultivo de produtos orgânicos.
Serviço - As coleções podem ser adquiridas e entregues em todo território nacional através da loja virtual: www.lojagrutadacuca.com.br. Para obter mais informações, acesse o site www.grutadacuca.com.br.
As vendas das roupas doadas ao Exército de Salvação terão agora um apelo fashion. Com o apoio de nomes da moda como Chiara Gadaleta, Dudu Bertholini, Marta Meyer, Carla Fincato e Sonia Kiss, a WMcCann criou um projeto de reestilização de roupas de segunda mão com a marca Refashion.O lançamento acontecerá com um desfile durante a quinta edição do BR.EcoEra, evento semestral que reúne a cadeia produtiva da moda, como empresas, designers e consumidores, em torno do tema sustentabilidade. O desfile do Refashion by Exército de Salvação + Chiara Gadaleta, com styling de Dudu Bertholini, mostrará sete looks reciclados no dia 3 de dezembro.“O projeto busca ajudar o Exército de Salvação a otimizar os recursos que tem, não só gerando peças com maior valor agregado, mas trazendo para a ONG uma informação sobre moda que pode impactar positivamente seus colaboradores e frequentadores”, explica André Santa Cruz, redator da WMcCann, que idealizou o projeto junto com o diretor de arte Fabiano Gomes. O Exército de Salvação recebe a doação de cerca de 100 mil peças de roupa anualmente.
Não é apenas na área musical que o cantor norte-americano Pharrell Williams tem se destacado. Além de todas as suas habilidades como instrumentista, cantor e produtor, ele também já foi eleito o homem mais bem vestido do mundo. Detentor de uma marca de roupas, Williams está prestes a lançar uma coleção feita com plástico retirado do oceano. A proposta de transformar esses resíduos em tecido surgiu em 1993, por Tyson Toussant, co-fundador da marca Bionic Yarn. A ideia inicial era contribuir de alguma forma com a redução do lixo plástico nos oceanos, diminuindo também o perigo que eles representam, principalmente, aos animais. Após muitos anos desenvolvendo a tecnologia, a empresa conseguiu chegar a um tecido tão resistente quanto os tradicionais. A coleção de jeans feito com plástico será lançada no próximo mês e só se tornou realidade porque o cantor Pharrell Williams gostou muito do projeto e se ofereceu para atuar como designer na criação das peças e ainda lança-las no mercado com sua própria marca. Apelidada de “RAW for the oceans”, a linha colabora com a retirada de nove toneladas de resíduos dos oceanos. De acordo com Toussant, da Bionic Yarn, o fio desenvolvido pela empresa é feito em três camadas: um núcleo, que dá resistência ao tecido, uma camada intermediária de material reciclado, que constitui 45% do fio, e um revestimento superior de qualquer fibra, para deixar o tecido com a aparência desejada. O empresário não quer parar por aí. A ideia é produzir tecidos com materiais reciclados para outras marcas também e ajudar os consumidores a serem mais conscientes. “Espero que essa inovação de materiais pegue, mas, ao mesmo tempo sabemos que essa não é a única coisa a ser feita para sermos mais sustentáveis”, declarou Tissout à Wired.
Desde o início da conquista de espaços no mercado de trabalho, as mulheres vêm se destacando em cargos importantes, mesmo com as dificuldades e as desigualdades de gêneros impostas pela sociedade. Com a moda, desde sempre, não foi diferente. Basta pensarmos por alguns segundos que nos vem à cabeça nomes como Gabrielle Chanel e Mary Quant, revolucionárias em adequar, à beleza e estilo das roupas que criaram, uma necessária e já tardia liberdade.
Décadas mais tarde, com o avanço do fast-fashion e de suas enormes corporações, a consciência de uma moda mais justa, humana e ambientalmente eficiente começou a ganhar força no trabalho desenvolvido por mulheres. A britânica Vivienne Westwood, que, desde a época do punk incorporava às suas coleções mensagens de ativismo e insatisfação com as regras de conduta de uma sociedade desigual e intolerante, começou a agir com o mesmo entusiasmo em prol de uma moda menos insustentável.
Ela passa a questionar o consumo desenfreado, criar e apoiar campanhas ambientais – como sua Climate Revolution e outras tantas em defesa ao meio ambiente. Sua frase “Buy Less, Choose Well, Make It Last” (Compre Menos, Escolha Melhor, Faça Durar), já é lema entre os defensores da moda slow e do consumo consciente.
Também de Londres e igualmente renomada, a designer Stella McCartney praticamente dispensa apresentações de seu “ativismo fashion”. Vegetariana convicta e defensora da causa, assim como seu pai, o Beatle Paul McCartney, deixa claro que não usa matéria prima animal, como couro e peles. Frequentemente participa de eventos e campanhas pela moda cruelty free, apoiando ONGs como o Fashion Revolution, ITC Ethical Fashion Initiative e o PETA – People For The Ethical Treatment of Animals (Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais). Em seu site, é possível acompanhar todas as ações e projetos que recebem seu suporte.
As duas estilistas, que se encontram no topo da pirâmide da moda consciente, são, felizmente, inspirações e incentivo para a criação de uma moda com responsabilidade harmonizada ao estilo, elegância, identidade, estética e luxo – características que fizeram com que a área se transformasse, ao longo dos anos, nessa arte notória. No Brasil, já temos nossas representantes, exemplares da moda consciente. Designers que inovaram com coragem e persistência e agora, mais do que nunca, começam a se destacar e ganhar reconhecimento, também inspirando novas gerações de profissionais.
Flávia Aranha
Das pioneiras no país, em sua marca Flávia Aranha se especializou em modelagens atemporais, tecidos de algodão puro e linho e tingimento com corantes naturais, como folhas, cascas de árvores e chá. Desenvolve projetos com comunidades para a troca de experiências e o desenvolvimento de novas matérias primas, preza pelo artesanal e a busca da brasilidade, perdidos pelo ritmo acelerado da moda e pela globalização e massificação do estilo. Flávia representa o slow fashion brasileiro exportando suas peças para a Europa e o Japão.
Fernanda Cannalonga
Estilista, empreendedora, engajada e antenada, ainda novinha, com apenas 13 anos, Fernanda criou a marca Violet Shop, pioneira loja virtual voltada ao público adolescente. Depois de alguns anos de muito sucesso e já formada em moda, criou a Canna, marca de acessórios 100% brasileiros que são produzidos de forma artesanal e em pequena escala, privilegiando o design minimalista. Sua matéria prima é produzida em unidades fabris ecológicas na Bahia e no Rio Grande do Sul, que realizam reciclagem de matéria prima e de resíduos industriais, além de reaproveitamento quase total da água. As peças da Canna também são vegan-friendly, feitas apenas com materiais sintéticos e vegetais. O comércio justo também é prioridade da designer e seus artesãos recebem pagamento acima da média e um horário de trabalho flexível.
Gabriela Mazepa
Foto: Cortesia Gabi Mazepa
Nós já falamos aqui do trabalho com upcycling dessa estilista curitibana, que, em seu ateliê no Rio, onde mora, (des)costura e transforma com sua marca Gabriela Mazepa, reaproveitando o que já está pronto e “abrasileirando” suas criações, para que cada uma delas carregue sua própria história. Ela já chegou a fazer parceria com uma das maiores facções do Sri Lanka, transformando peças com pequenos defeitos e coleções passadas em roupas e acessórios novos. Seu talento com o reaproveitamento na moda foi reconhecido no Prêmio Brasil Criativo, onde foi semifinalista, e, atualmente, faz parte do movimento Roupa Livre.
Ana Sudano
Foto: Reprodução
Estilista há 15 anos, a mineira de Nova Lima, logo ao lado de Belo Horizonte, já trabalhou com profissionais e marcas de renome, como Graça Ottoni, Printing, Patricia Motta, Alphorria, Gilda Midani e Animale. No ano passado, seguindo a proposta consciente da moda em que acredita, lançou sua própria marca, a Grama Roupas Ecológicas, onde ações e políticas empresariais socioambientais são o foco. Atuam com diversas comunidades e ONGs em Nova Lima, incluindo um grupo carcerário, para empoderamento e comércio justo. A marca já participou, com premiações, do Minas Trend Preview e do Paraty Eco Fashion. Também desfilou seu Inverno 2015 no Vancouver Fashion Week, em março desse ano, no Canadá.
Pamela Magpali e Bárbara Mattivy
Foto: Pamella, Bárbara e Laura // Reprodução
A Insecta Shoes, outra marca presente em diversos momentos aqui no Modefica não teria como ficar de fora dessa lista, pelo trabalho cada dia mais reconhecido das sócias gaúchas Pamela Magpali e Bárbara Mattivy, que agora contam também com Laura Madalosso. A ideia surgiu quando Barbara não sabia o que fazer com algumas roupas XXL que tinha comprado e veio o clique de reutilizar o tecido das peças produzindo sapatos artesanais, veganos, ecofriendly e feitos no Brasil. O mix de boas atitudes deram tão certo que, além da loja virtual que entrega em todo o mundo, elas inauguraram, há pouco tempo, a primeira loja física da Insecta em Porto Alegre. O espaço também segue a proposta e mantém práticas sustentáveis diversas. Como elas não param, já vem mais novidade por aí: uma linha criada com tecidos de garrafas pet recicladas e com as estampas, desenvolvidas por elas, impressas em tintas à base d’água.
Débora Nardello
Foto: Reprodução
Gaúcha que mora no Rio de Janeiro, Débora escolheu trabalhar com o upcycling em sua marca Lusco Fusco para colocar em prática a consciência para questões ambientais. Sua base é o aproveitamento total de tecidos e retalhos vindos de confecções, para o mínimo possível de desperdício e o apoio à mão de obra local. Além das roupas, ela mantém um blog da marca onde escreve sobre os conceitos da moda sustentável e o consumo consciente. Nesse ano, lançou também o FanZine Semente, uma publicação independente que aborda moda, design e sustentabilidade mostrando projetos sustentáveis que estão fazendo a diferença pelo Brasil. É gratuito para os assinantes de sua newsletter.
Em abril, pela primeira vez na história da Califórnia, o governador Jerry Brown decretou estado de emergência devido à seca e ordenou um corte de água generalizado de 25%.
A decisão do executivo do estado mais populoso dos EUA surge na sequência do agravamento da seca que assola a região americano há quatro anos, em resultado da reduzida queda de neve durante o último inverno, que se fixou nos valores mais baixos já registrados.
A região sul da Califórnia produz 75% de todo o denim fabricado nos EUA e é um elemento-chave no ecossistema da moda de Los Angeles, um mercado que gera anualmente 10 milhões de dólares em receitas, contribuindo em cerca de 10% para as suas vendas anuais.
Os Pioneiros
Uma das principais entidades no universo do denim californiano, a Levi's, preparou-se (para a crise de água) com antecedência. A marca de jeans lançou seu processo de finalização 'Water Less'.
A empresa estima que são utilizados 3.800 litros de água no ciclo de vida do denim, com 68% aplicados na produção de algodão, 9% na fabricação e 23% na utilização feita pelo cliente final.
A Levi's encoraja, também, o consumidor a reduzir o seu próprio uso doméstico de água, limitando o número de lavagens dos jeans.
Inovações
As máquinas de ozônio, que substituem o processo de branqueamento de máquinas de lavar tradicionais, oferecem uma alternativa às marcas premium de denim na redução do consumo de água, uma vez que o processo exclui a sua utilização.
A marca Citizens of Humanity usa máquinas de ozônio há mais de cinco anos. "O nosso compromisso na preservação dos recursos naturais começou anos antes da implementação das mais recentes medidas de emergência. Nos últimos anos, aumentamos nosso investimento em tecnologias inovadoras de forma a reduzir o consumo, não apenas de água, mas também de gás e eletricidade", explica a presidente, Amy Williams.
A produtora de denim Eco Prk, sediada em Los Angeles, tem investigado formas de replicar a lavagem do denim tradicional, utilizando ozônio, e introduziu a nova tecnologia 'Wiser Wash', que usa menos 80% de água face aos métodos tradicionais.
"O ozônio é usado já há muito tempo, mas ninguém foi capaz de atingir um look desbotado bonito com ozônio até agora", afirma Kevin Youn, CEO da Eco Prk.
O processo tem o benefício adicional de permitir a reciclagem de 99% da água usada, que pode ser reutilizada em futuras lavagens.
A utilização de máquinas de ozônio implica o acréscimo de um dólar ao preço final de um par de jeans premium e, até o momento, as marcas têm absorvido este custo suplementar.
As máquinas de ozônio custam habitualmente 65.000 dólares cada, o que significa que "este sistema requer um investimento inicial, mas o custo (de produção) é muito mais barato e o ambiente de trabalho é melhor – não há água quente, nem produtos químicos", revela Youn.
Adriano Goldschmied, designer italiano responsável pela criação das marcas Diesel e AG, acredita que as inovações de empresas como a Eco Prk podem ajudar pequenas marcas da indústria californiana a sobreviverem à ameaça de seca através de tecnologias pioneiras.
"A Eco Prk pode ajudar diretamente pequenas marcas a alcançarem seus objetivos, mas elas podem também ser um exemplo a seguir por toda a indústria, não apenas na Califórnia, mas em todo o mundo", comenta o especialista na ganga.
A lavandaria de denim Blue Creations, que dentre os clientes figuram as marcas Frame Denim, CJ by Cookie Johnson e BCBG, usa a tecnologia de ozônio desde 2011 e planeia adquirir outra máquina no próximo ano.
"Várias marcas procuram, cada vez mais, usar máquinas de ozônio. Eventualmente, queremos usar ozônio em quase todas as nossas lavagens de denim", explica Oscar Quintero, diretor de vendas e marketing da empresa.
"Até o momento, poupamos cerca de 50% de água em comparação com os métodos tradicionais, permitindo-nos cerca de 15.000 a 20.000 dólares", acrescenta.
As marcas estão, simultaneamente, a testar outros métodos limitadores do uso de água, entre eles as técnicas de laser. De acordo com Lynda Grose, professora associada de Design de Moda da California College of Arts e especialista em marketing no Projeto Algodão Sustentável, esta tecnologia pode ser usada para criar diferentes variações de cor.
"A Levis já trabalhou com isso", explica ela. "Eles usaram (essa tecnologia) para obter um efeito estampado em t-shirts, mas pode ser usada em qualquer tecido ou em denim, é verdadeiramente boa".
Williams revela que a Citizens of Humanity usa o laser para replicar lavagens vintage no denim e está desenvolvendo tecidos que requerem menor quantidade de água na sua fabricação.
"Neste momento, todos os tecidos são fabricados para lavagem com água", explica o CEO da Eco Prk. "Mas, se as tecelagens compreenderem o novo processo de lavagem sem água e se fabricarem tecidos que necessitem menos água, seremos capazes de fazer jeans sem água".
O que acontece agora?
Enquanto a chuva se nega a cair, os fabricantes preocupam-se com a futura imposição de normas mais rígidas. "Se forem impostos custos ou normas restritas, teremos de recusar ciclos futuros de produção ou investir fortemente em mais máquinas de ozônio e outros métodos que permitam a economia de água", afirma Quintero, acrescentando que a Blue Creations está atualmente a executar testes em laboratório que procuram determinar qual a água que é reciclável.
No entanto, as marcas continuam determinadas em manter a sua produção na Califórnia. "Ficar na Califórnia significa que as marcas aceitam jogar o jogo da qualidade e da inovação de produto", aponta Adriano Goldschmeid. "A água é um problema global, não apenas da Califórnia", ressalta. Fonte: Fashionmag.com
Pesquisa do Sebrae aponta áreas que têm potencial de crescimento, como roupas voltadas a gordinhos e evangélicos
Se o Brasil tem cerca de 800 mil pequenas empresas ligadas ao mundo da moda, como quem está começando um negócio agora nesse setor pode fazer diferença? A resposta pode estar nos nichos, afirma a coordenadora de varejos de moda do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Wilsa Sette.
A aposta em segmentos específicos, segundo ela, permite atuar junto a pessoas com características e interesses comuns. “Para o pequeno é sempre mais vantajoso, pois você atende de perto as necessidades do seu consumidor. Além disso, é uma forma de escapar de bater de frente com uma grande rede”, comenta.
Wilsa liderou um estudo para investigar quais os nichos mais promissores para investir no momento. Usou, para isso, o cadastro de empresas do Sebrae. “Separamos aqueles que mais cresceram nos últimos anos, que têm mais fornecedores e menor concorrência, oferecendo as melhores oportunidades”, diz. Confira a seguir.
Moda Plus Size – além de faturar alto (movimentou R$ 5 bilhões no último ano), este mercado tem um grande potencial. Segundo dados do Ministério da Saúde, 50,88% dos brasileiros estão acima do peso, e 17,5% são classificados como obesos.
Dica: aposte em peças com bom caimento e conforto e que, ao mesmo tempo, estejam antenadas com as tendências da moda.
Moda Brechó – Consumir peças usadas, exclusivas e reaproveitadas, tem se tornado uma alternativa de consumo na moda. É um segmento de baixo risco e pouca concorrência, público diversificado e fiel e investimento inicial relativamente baixo. Não por acaso, o número de pequenos negócios com este viés cresceu 210% nos últimos cinco anos.
Dica: ofereça atrativos, como bar, café e música ambiente. Isto ajuda a atrair novas pessoas que podem tanto consumir como se tornar fornecedores de peças usadas.
Moda Streetwear – este estilo nasceu nos anos 90 relacionado à prática do skate. Porém, ampliou-se e hoje forma um estilo que inclui pessoas que nem se atrevem a colocar os pés numa tábua rolante – mas valorizam características como frescor e juventude.
Dica: dê ênfase a canais de venda on-line e ações nas redes sociais.
Moda Sustentável – mais do que a estética, o preço ou o conforto, o público aqui valoriza as marcas que seguem princípios relacionados a preservação ambiental e respeito às pessoas. Portanto, entrar neste nicho é obrigatoriamente se comprometer com isso – qualquer deslize pode ser fatal para a imagem do negócio.
Dica: busque bons fornecedores com viés ecológico e invista no e-commerce para ser visto por aqueles que buscam alternativas “verdes”.
Moda Country – um dos ritmos mais ouvidos no Brasil, o sertanejo também inspira outras áreas. No campo da moda, caracteriza-se por um corte mais alto da calça, uso de fivelas e cintos, manga longa nas camisas, estampa xadrez, botas, chapéu, entre outros elementos.
Dica: Faça parcerias com duplas sertanejas, casas de shows e festas do gênero para promover a marca.
Moda Gestante – trata-se de um nicho interessante por conta das mudanças constantes no corpo da mulher, que a levam a rever o vestuário várias vezes ao longo de nove meses. Por outro lado, as gestantes são consumidoras bastante exigentes e que passam por um momento de ansiedade, impaciência e insegurança.
Dica: ofereça peças que melhorem a autoestima e valorizem a silhueta da mulher.
Moda Gospel – os adeptos da religião evangélica buscam elegância, estilo e conforto, mas geralmente com um visual menos ousado. Focar seu negócio nisso pode garantir o acesso a um amplo público consumidor – afinal, de acordo com o Censo 2010, o Brasil tem 42 milhões de evangélicos.
Dica: algumas peças de pouco apelo junto ao público geral encontram grande aceitação neste nicho, como saias mais compridas e blusas sem decote.