segunda-feira, 14 de março de 2016

Práticas sustentáveis para criação e produção de Moda são tema de curso em 5 módulos no LAB Fashion

No dia 16/03, próxima terça-feira, o espaço de coworking vai receber o primeiro módulo, que aborda o design de moda sustentável - São Paulo, 10 de Março de 2016


Espaço voltado para a discussão de temas relacionados ao universo de Moda, o LAB Fashion recebe na próxima terça-feira, 16/03, o primeiro módulo, de um curso de 5 etapas, que tem como tema as práticas sustentáveis nos processos criativos e produtivos da moda.
Desenvolvido pela UN, agência especializada em moda e sustentabilidade criada pelas consultoras e representantes do Fashion Revolution Brasil, Fernanda Simon e Eloisa Artuso, o curso PANORAMA DE PRÁTICAS SUSTENTÁVEIS NOS PROCESSOS CRIATIVOS E PRODUTIVOS DA MODA oferece uma visão prática para quem deseja incluir métodos éticos e sustentáveis no processo de desenvolvimento de moda.
O curso está dividido em 5 módulos, de 2h30 cada, com duração total de 12:30h. É possível fazer a inscrição para o curso completo ou para cada um dos módulos individualmente:

Módulo 1 – Design de moda sustentável: como transformar os processos de criação e produção
Dia 16 de março às 19:30h

Módulo 2 – Comportamento de consumo consciente: como os designers de moda podem se preparar para essa nova demanda?
Dia 06 de abril às 19:30h

Módulo 3 – Tecnologia para um futuro sustentável
Dia 11 de maio às 19:30h

Módulo 4 – Têxteis e sustentabilidade: Tradição e Inovação
Dia 15 de junho às 19:30h

Módulo 5 – Moda ética e novos modelos de negócio que fomentam boas relações socioculturais
Dia 5 de Julho às 19:30h

Valores:
Modulo individual – R$ 176,00
Pacote 5 módulos – R$ 748,00

Inscrições ou outras informações podem ser obtidas no e-mail: contato@labfashion.com.br

www.labfashion.com.br

Tel.: 11 3467 – 1747

Informações para a Imprensa:
Gisele Araújo
gisele@ralcoh.com.br 
(11) 3257.4741 - ramal 16



sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Será que os resíduos têxteis serão a próxima fronteira da moda sustentável?

Mais uma notícia interessantíssima do site Stylo Urbano:
Será que a reciclagem dos resíduos têxteis é a próxima fronteira da moda sustentável? Com certeza esse seria um passo necessário para fechar o ciclo na indústria têxtil, mudando-a de uma economia linear predatória para uma economia circular eficiente. Os seres humanos são a única espécie no planeta que criam resíduos, e as toneladas de lixo que criamos anualmente foi ampliado pelo aumento da revolução industrial.

O que precisamos fazer urgentemente é manter essas toneladas de resíduos sob controle e reciclá-los sempre que possível. Só no Brasil, 95% dos resíduos vão parar nos aterros. Existem dois tipos de resíduos criados quando você compra um produto. O resíduo de pré-consumo que é desperdiçado no processo de fabricação de um item para venda e consumo. O resíduo de pós-consumo que é o que sobra depois de consumir o produto adquirido: a embalagem, o próprio item, ou outros itens que sobraram.

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Os resíduos que criamos podem gerar uma fonte infinita de recursos sem sobrecarregar o meio ambiente. Em 30 anos, devido ao crescimento das redes de fast fashion, o consumo de moda cresceu 400% no mundo todo e isso gerou toneladas de resíduos têxteis que vão para no lixo.

No século XXI, quem é da vanguarda da moda sabe que a sustentabilidade é o único futuro possível num mundo que enfrenta cada vez mais problemas de falta de água e de recursos naturais. A marca espanhola Ecoalf faz um incrível trabalho de reciclagem de materiais para criar coleções de moda sustentáveis e modernas.  O último projeto da marca foi o Upcycling the Oceans criado para limpar os oceanos dos resíduos plásticos, em pareceria com pescadores.

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Lembrando que na fabricação desses materiais que foram descartados, se gastou toneladas de água, energia elétrica e matéria prima que depois foram parar no lixo. Isso não é racional. Por isso grandes empresas de moda estão cada vez mais investindo em novas tecnologias sustentáveis para resolver de uma vez o problema da reciclagem de toneladas de roupas e tecidos que são descartados todos os anos. O concurso internacional de economia circular Global Change Award 2015 criado pela H&M é uma dos exemplos disso.

De acordo com Annie Leonard da divertida série “A história das coisas”, gasta-se em média 70 latas de lixo para produzir o excesso de pré-consumo para fazer os itens que você joga fora em sua lata de lixo a cada semana. É apenas lógico pensar que os resíduos que criamos podem gerar uma fonte infinita de recursos sem sobrecarregar o ambiente ainda mais.

Em termos de materiais têxteis, o poliéster se tornou o tecido número um fabricado no planeta. É um produto à base de petróleo, que responde por cerca de 2%  do consumo mundial de petróleo. Como o barril de petróleo está super barato hoje, o consumo de tecidos de poliéster aumentou e ajudou a diminuir o consumo de algodão.

Mas as roupas e tecidos sintéticos não são biodegradáveis como os tecidos naturais ou artificiais, assim precisam ser reciclados para não contaminar o solo. O algodão é o segundo tecido mais utilizado no planeta, e é um produto muito dependente da água. Gasta-se 2.900 litros para fabricar uma simples camisa de algodão comum e 1 quilo de jeans exigiria cerca de 11.800 litros. Em comparação aos 400 a 715 litros de água que se gasta para fazer uma camiseta de algodão orgânico.
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Um exemplo do impacto ambiental da produção de algodão pode ser encontrada no Mar de Aral , na fronteira do Cazaquistão e Uzbequistão. No passado ele foi o quarto maior lago de água doce do planeta. Agora, ele está 90% seco, porque seus afluentes foram desviados para irrigação do cultivo de algodão. Basta dizer que, quanto menos água doce tivermos no mundo,  teremos também menos acesso ao algodão.

Uma fábrica média de roupas joga fora cerca de 27.215 Kg de materiais de pré-consumo a cada semana. Isso inclui fios, botões, aviamentos e retalhos de tecidos que sobram depois de um produto é feito. A economia circular visa dar um novo uso a esses resíduos e os usar eficientemente para criar novos produtos que podem ser reciclados na cadeia produtiva de moda criando novos tecidos e materiais.

Os dias da moda descartável devem terminar se realmente desejamos criar produtos sustentáveis. Então, se é preciso transformar todos os resíduos de materiais descartados em novos materiais para a moda, então sim, os resíduos têxteis realmente são a próxima fronteira de moda sustentável. Vamos chegar lá juntos.
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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Para as marcas de moda, ser sustentável já não é mais uma escolha

Gosto muito das postagens do site Stylo Urbano, principalmente as que se relacionam com os assuntos de Moda & Sustentabilidade. Essa abaixo é mais uma delas.

Devido a seca sem precedentes de quatro anos no estado da Califórnia, muitas empresas da região foram obrigadas a resolver suas taxas de consumo de água. Várias marcas de jeans do estado mais rico dos EUA desenvolveram maneiras de reduzir as centenas de litros de água que são necessários para produzir um par de calça jeans. A resposta que encontraram foi usar máquinas a laser e lavagem de ozônio, que exigem menos água do que as máquinas convencionais.

Essa mudança não está acontecendo só na Califórnia mas em centenas de empresas de moda em todo mundo, que estão fazendo mudanças a fim diminuir sua pegada ambiental e também seus gastos com água e energia. Uma década atrás, esse não era o caso. Antes que chavões como “sustentabilidade”, “consumo consciente”, “moda ética” e “economia circular” se tornassem assunto corriqueiro na mídia e redes sociais, as pessoas costumavam associar esses termos a “moda hippie”. Em 2014, a empresa Nielsen fez uma pesquisa com mais de 30.000 pessoas em todo o mundo, e mais de metade disseram que elas estão dispostas a pagar mais por itens feitos por empresas “comprometidas com impacto social e ambiental positivo.”
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52% dos entrevistados pela pesquisa da Nielsen disseram que verificam os rótulos dos produtos antes de comprarem para garantir que a marca está empenhada no impacto social e ambiental positivo. As compras ​​que são mais influenciados pelas informações sustentáveis na embalagem são: Ásia-Pacífico (63%), América Latina (62%) e Oriente Médio / África (62%) e em menor medida na Europa (36%) e Estados Unidos (32% ).

Da mesma forma que as as grandes redes de fast fashion, as marcas de luxo também não estão podendo ignorar a sustentabilidade na fabricação de seus produtos.  O mercado de luxo que é formado por jóias, carros esportivos, relógios, bebidas premium, sapatos de alta qualidade e roupas, é a combinação de alta qualidade, glamour, celebridade e atitude.

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Com poucas exceções, essa tem sido uma indústria que tradicionalmente não estava associada com as preocupações sobre impactos ambientais, direitos humanos e bem-estar, mesmo quando essas tendências estavam tomando conta do setor de consumo de produtos. Mas de acordo com o novo relatório “Previsões para a Indústria de luxo 2016: Sustentabilidade e Inovação“, a indústria do luxo também vai ter que se reinventar.

Duas organizações que trabalham em estreita colaboração com empresas de luxo, a Luxury Institute e o Positive Luxury, produziram também um estudo. Diana Verde Nieto, a fundadora do Positive Luxury e principal autora do estudo, apresenta um argumento convincente de que a sustentabilidade e a responsabilidade social são agora requisitos obrigatórios para as marcas de luxo.

O relatório estabelece algumas pressões importantes.

Primeiro, a pressão direta: as leis estão mudando. O relatório aponta para a aprovação da “Lei da Escravidão Moderna” na Inglaterra em 2015, o que exige que grandes empresas que fazem negócios no país façam uma declaração pública anual contra a escravidão e tráfico de seres humanos. Este tipo de lei exige claramente muito mais transparência e monitoramento da cadeia de fornecimento. E é uma coisa boa, pois 71% dos varejistas e fornecedores da Inglaterra acreditam que é provável que existam escravos em sua cadeia de fornecimento.

Em segundo lugar, a pressão indireta é mais poderosa: as normas sociais estão mudando, começando com formadores de opinião de alto perfil. Celebridades estão mais do que nunca investindo em sustentabilidade e promovendo novas formas de tornar a moda mais ética e sustentável como é o caso de Lavia Firth esposa do ator Colin Firth, e diretora criativa da consultoria de marcas sustentáveis Eco-Age, e criadora do “Desafio do Tapete Verde”. Para o Metropolitan of Art’s Costume Institute Gala 2015,  Lavia Firth apareceu com um lindo vestido vermelho desenhado pelo estilista Antonio Berardi feito 100% de garrafas pet recicladas para promover o consumo responsável no século 21.

Em uma escala maior, as expectativas das empresas estão mudando devido á influência da Geração Y que têm diferentes pontos de vista sobre como as empresas devem agir. O relatório cita pesquisa mostrando que 88% dos integrantes das gerações Y e Z na Inglaterra e  EUA, acreditam que as marcas precisam fazer o melhor, e não apenas o “menos ruim”. Esta geração está questionando o consumo em geral e a maioria deles dizem que estão gastando mais em experiências (o que significa, menos ênfase em coisas), o que é uma ameaça para o mundo do luxo.

E eles estão dirigindo uma tendência de “marca limpa” , onde as empresas sentem a pressão para explicar de onde vieram e como foram feito seus produtos. Em terceiro lugar, o relatório destaca o fato de que os investidores estão prestando mais atenção nas marcas de consumo que fazem um gerenciamento ambiental e social eficiente. Finalmente, há a dura realidade dos limites biofísicos que comprometem seriamente a capacidade dessas empresas e a fonte de matéria prima de seus produtos. A mudança climática está alterando a disponibilidade de água e produção de algodão e outras culturas ao redor do mundo.

A gigante do fast fashion H & M e o grupo de luxo Kering se uniram para juntas, investirem em novas tecnologias para criar uma economia sustentável de moda e fechar o ciclo sobre os resíduos têxteis. A Kering pretende ser o conglomerado de produtos de luxo mais sustentável do mundo e a H & M Conscious Foundation financia o Global Change Award para criar tecnologias inovadoras que possam criar novos tecidos sustentáveis feitos de resíduos têxteis e materiais plásticos.

Todo esse investimento em sustentabilidade não visa somente “salvar o meio ambiente” mas também criar mais eficiência e economia para as empresas na redução do consumo de água, energia elétrica, produtos químicos e desperdício de matérias primas valiosas que vão parar no lixo e que podem ser reaproveitadas na fabricação de novos produtos. A sustentabilidade e a economia circular estão se tornando o “novo normal” e com certeza não vai ser uma das inúmeras tendências passageiras na indústria da moda.
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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Conheça 11 tecidos inovadores para a moda do futuro sustentável

A indústria têxtil mundial está entre as que mais poluem e criam desperdício no mundo, mas existem algumas tecidos inovadores feitos de materiais estranhos e maravilhosos sendo desenvolvidos. Nos últimos anos tem surgido um interesse cada vez maior sobre a moda sustentável e novas formas de tornar as roupas mais “conscientes”. Provavelmente você já deve ter ouvido falar de tecidos feitos de algodão orgânico, bambu e cânhamo, mas e sobre os tecidos feitos de algas? Soja? Abacaxi? Banana? Pó de Café? Urtigas? (sim, urtigas.)

Embora atualmente haja um número limitado de vendedores de algodão orgânico ou tecidos reciclados, a tendência do futuro dos tecidos será a utilização de refugos de alimentos, plantas e reciclagem de tecidos desgastados. Abaixo estão algumas amostras da mais nova onda de inovação que sai da indústria têxtil, com foco na sustentabilidade:

1. CRAiLAR é uma fibra de linho que drasticamente reduz o uso de produtos químicos e de água. É um tecido que parece e tem toque quase idêntico ao algodão, enquanto ajuda a evitar o ciclo de dano ambiental que o plantio do algodão tradicional faz. O que poderia se sentir mais natural?

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2. Qmilk é uma fibra natural e renovável 100% derivada de uma proteína de leite coalhado. (Sim, tal como o leite em sua geladeira) O resultado é um tecido semelhante a seda, mas bem menos caro, ao mesmo tempo que suficientemente durável para suportar lavagem e cuidado. Qmilk é naturalmente antibacteriano e pode regular a temperatura, tornando-o ideal para esportes e activewear.

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3. O Econyl é um tecido reciclado da Aquafil que utiliza 100% dos resíduos das redes de pesca feitas de nylon. A inovação tem sido amplamente comemorada por aqueles que estão querendo uma opção de nylon reciclado desde que o poliéster reciclado tornou-se disponível anos atrás. O estilista Kelly Slater usa o tecido Econyl para sua marca Outerknown da mesma foram que a marca espanhola Ecoalf e a italiana Wave-O. O tecido Recyclon é fabricado pela Repreve e é feito de garrafas pet recicladas e é utilizado nas coleções da marca esportiva Patagonia.

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4. S.Cafe é uma nova fibra fabricada de Taiwan que recicla as borras do  café. Grandes nomes como North Face, Puma e Timberland já estão usando o tecido, enquanto empresas  como Starbucks são alguns dos fornecedores. Aparentemente o café tem propriedades para mascarar os odores naturais do corpo sem deixar cheiro nas roupas. Diz-se que  as borras de café requerem menos energia no processo de fabricar  a fibra do tecido, tornando-se uma alternativa mais sustentável aos tecidos tradicionais.

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5. EcoCircle é um tecido feito de PET à base de plantas. A nova fibra contém 30% da cana, que substitui 30% do óleo necessário para o poliéster tradicional. Teijin, a empresa por trás da fibra, disse que o tecido tem um sistema de reciclagem em circuito fechado no final da sua vida útil. A Nissan é uma das primeiras empresas a usar o tecido para o estofamento do seu carro elétrico Nissan Leaf em 2014.
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6. Evrnu é uma nova tecnologia inovadora que promete reciclar resíduos de vestuário de algodão para criar uma fibra renovável de qualidade. Mais de 12 milhões de toneladas de resíduos de vestuário são eliminados a cada ano nos EUA. A Evrnu emergiu uma nova forma de pensar sobre a indústria do vestuário e têxtil, por especialistas têxteis que adoram moda. A equipe Evrnu está atualmente trabalhando para trazer a tecnologia para uma escala maior.

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7. Seacell e uma fibra derivada da polpa de madeira ( Liocel) e algas que, de acordo com o seu fabricante Smartfiber AG, tem propriedades protetoras e anti-inflamatórias na pele, estimulando o metabolismo. É como se suas roupas estivessem vivas! Além do tecido a Seacell tem um colchão cuja tampa removível contém partículas microscópicas de fibra de algas marinhas que ajudam na regeneração celular, segundo a empresa.

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8. Lenpur é um tecido biodegradável feito da árvore do pinheiro branco, e “oferece o conforto de seda e o toque de cashmere que dá leveza a roupa.” A Lenpur afirma que é um fibra acima das outras fibras de celulose devido a sua suavidade, sua capacidade de absorção e capacidade de liberar a umidade, e sua capacidade de sustentar uma gama térmica mais elevada para mantê-lo fresco no verão e quente no inverno. O fio de Lenour é usado em roupas, jeans, roupas íntimas, meias e acessórios para casa.
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9. Liocel é uma fibra celulósica extraída da polpa de madeira utilizando processos livres de produtos químicos. Os solventes não tóxicos que são utilizados na sua produção são em seguida, reciclados, gerando um processo de fabricação com muito pouco subproduto. (No entanto, parece que ele ainda usa uma tonelada de energia, por isso não é perfeito.) Ele pode ser misturado com outras fibras para criar tecidos como SeaCell (Liocel e alga, mostrado acima) e Hempcel (Liocel e Cânhamo).

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10. Tecido de soja é um tecido sustentável 100% biodegradável pouco conhecido e é feito a partir de resíduos de fabricação de tofu. A proteína de soja é liquefeita e, em seguida, esticado em fibras longas, contínuas que são cortadas e processadas como qualquer outra fibra de fiação. Porque a soja tem alto teor de proteína, o tecido é muito receptivo a corantes naturais, por isso não há necessidade de corantes sintéticos. A fibra de soja é macia, delicada e mais resistente que a seda e o algodão, e como é completamente natural, também é biodegradável.
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11. O tecido de urtiga pode ser o tecido mais sustentável de todos. O tecido de urtiga produz uma fibra têxtil excepcionalmente forte, elástica, suave e naturalmente retardadora de fogo. O uso de urtigas para tecido remonta à Idade do Bronze na Dinamarca, onde as fibras de urtiga foram encontrados em locais de sepultamento.

A urtiga é muitas vezes considerada uma praga, pois crescem em terra, muitas vezes inadequados para outras culturas, sem a necessidade de pesticidas, herbicidas ou muita água. Quando a urtiga é mistura com o linho, o tecido se torna naturalmente anti-bacteriano e resistente ao bolor.

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Então é isso. É muito legal ter um vislumbre dos processos inovadores que estão traçando o futuro dos tecidos. Seria bom se a indústria têxtil brasileira parasse de reclamar da concorrência dos tecidos chineses e começasse a investir em tecidos que utilizem matérias primas diferentes dos tradicionais.

Existem várias empresas no exterior que estão tendo sucesso desenvolvendo tecidos que utilizam matérias primas diferentes das tradicionais e também reciclados pois não sofrem concorrência direta dos tecidos chineses que em sua grande parte são feitos de algodão e sintéticos.

10 inovações sustentáveis que estão prestes a mudar a indústria da moda

Notícia do Site: Stylourbano.com.br


A NASA, USAID, Nike e o Departamento de Estado dos EUA estão trabalhando juntos numa aceleradora internacional com foco em inovações sustentáveis ​​e bem social. Em 2010, o quarteto fez parceria com a LAUNCH, uma espécie de incubadora de startups que tem se dedicado a solucionar o impacto ambiental, econômico e social dos métodos de fabricação atual até o ano de 2020. Isso significa numa reformulação dos produtos que usamos todos os dias, e introdução de novos compostos para tomar o lugar dos materiais mais caros e menos ecologicamente sensíveis ao meio ambiente.

Foram escolhidos pelo programa dez empresas inovadoras que participaram de um fórum de três dias na NASA para trocar ideias e colaborar com um conselho de especialistas com o intuito de tornar a sustentabilidade uma norma nas indústrias, incluindo a moda. Conheça as 10 inovações discutidas, e o potencial de mudança que cada uma representa.

1. QMilk : Milhões de litros de leite azedam anualmente e não servem para consumo humano, para solucionar esse desperdício uma empresa alemã criou um tecido maravilhoso que compete com o algodão. A QMilk começou a fabricação de protótipos de uma nova fibra antimicrobiana, resistente a chamas e feita inteiramente de leite. A fibra super macia é 100% biodegradável, criada apenas com recursos renováveis através da caseína do leite azedo, produz desperdício zero e pode ser usado para fazer roupas e tecidos de decoração.
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2. Geckskin : Adesivos inspirados nas patas de lagartos, mas sem o resíduo. A startup americana projetou o produto para se prender e soltar sobre as superfícies repetidamente, sem perder as suas propriedades adesivas. Pense nisso como um poderoso velcro, mas que nunca perde sua força. As aplicações potenciais incluem o setor de eletrodomésticos, militar e moda. A Geckskin ainda está em seus primeiros estágios, e vai legar ainda um tempo antes de colocar seu produto no mercado.

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3. Barktex : Couro feito de casca de madeira? É isso mesmo, transformando a casca de árvore num material que lembra couro, o processo envolve a remoção da casca exterior das árvores, absorvendo essas tiras em água e, em seguida, através de um processo composto, transforma as tiras em um material que funciona como couro para as mais diversas aplicações.

O projeto foi concebido para ser de baixa energia, ecologicamente seguro e fornecer emprego a centenas de agricultores em Uganda na África. O objetivo é levar esse modelo para outras partes da África e do mundo em desenvolvimento. O vídeo abaixo mostra o couro de árvore, muito legal.


4. Blue Flower : Uma iniciativa têxtil que visa apoiar e capacitar as mulheres em situação de risco e reduzir o impacto ambiental da fabricação. O fundador da empresa, a designer de moda Eileen Fisher, quer criar cadeias de valor sustentáveis ​​em todo o mundo. A iniciativa destina-se a ajudar as comunidades pobres a desenvolver de bio-fibras de baixo impacto provenientes de roupas de segunda mão, substituindo a viscose, um têxtil artificial tratado com produtos químicos tóxicos.

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5. Seda artificial de abelhas: Seda bio-sintética produzida através da fermentação dos casulos onde as abelhas estocam o mel. O processo foi criado pela agência de ciência nacional da Austrália, CSIRO, e utiliza bactérias geneticamente modificadas para reproduzir as “teias”, altamente flexíveis que podem ser usadas ​​para tecelagem e tricô, ou enrolados em esponjas, filmes transparentes ou nanofibras.

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6. Ambercycle : Essa startup utiliza micróbios modificados para degradar as garrafas de plástico, como as de refrigerante, tornando a reciclagem do plástico rentável e sustentável. O sistema  reduz o custo da reciclagem e utiliza processos orgânicos sem pegada de carbono. Isso também permite que os produtores possam fazer a reutilização dos plásticos e removê-los dos aterros. A Ambercycle foi uma das selecionadas para a competição Global Change Award da H&M.

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7.  Benigna by Design : Essa startup recolhe e analisa os dados para entender o impacto dos tecidos, e a intenção é mostrar para as empresas como o desgaste têxtil leva à poluição da fibra, e oferecer soluções para o controle de emissões. A Benigna criou um sistema de análise que cientificamente seleciona o material de melhor custo-benefício com o menor impacto ecológico. O Dr. Mark Anthony Browne, que surgiu com a ideia durante o  seu pós-doutorando na Universidade da Califórnia , diz que seu programa “vai criar tecidos mais eficazes e de baixo custo que poluem menos e tem menos fibras tóxicas … em todo o seu ciclo de vida.”

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8. Ecovative : Imagine uma embalagem totalmente biodegradável e isolante feita de cogumelos? O produto é projetado para servir como um substituto para o poliestireno, um polímero sintético utilizado para produzir produtos prejudiciais ao meio ambiente, tais como copos de isopor e material de embalagem. As embalagens da Ecovative “podem ser compostadas a baixas temperaturas em pilhas de compostagem doméstica, e elas vão se desfazer naturalmente“, explica o diretor de design, Sam Harrington. Outros usos para o material são sandálias, pranchas de surf e isolamento.


9. BioCouture : Cria materiais sustentáveis através de micróbios, transformando-os em alta costura. O conceito foi criado pelo designer de moda Suzanne Lee, que prevê que a celulose microbiana é um catalisador que pode revolucionar a moda. A celulose microbiana pode ser cultivada em um balde e utilizada para criar couros biodegradáveis para roupas e acessórios. E, de acordo com sua filosofia “faça você mesmo”, Lee também planeja usar o BioCouture para compartilhar receitas e ferramentas educacionais.

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10. CRAiLAR:  Essa empresa quer tornar o linho competitivo em custos e conforto, com o algodão. Além de sua ampla disponibilidade em todo o mundo, o linho também usa muito menos água, pesticidas e terra para plantio do que o algodão, resultando em emissões de CO2 mais baixas. O processo da CRAiLAR utiliza menos de 97% da água do ciclo de vida necessária para produzir um quilograma de algodão. O produto final é uma fibra suave e natural que é praticamente indistinguível do algodão, sem o preço elevado.



quinta-feira, 26 de novembro de 2015

O futuro da moda pertence às roupas inteligentes e a sustentabilidade

A indústria da moda precisa se adaptar às mudanças provocadas pela falta de água, escassez de recursos, desperdício de matéria prima, aumento da população, crises econômicas e a constante evolução no comportamento do consumidor. Qual o melhor caminho para o futuro da moda? Para a indústria da moda ser sustentável economicamente, ela deve ser sustentável tanto social e ambientalmente. Por quê? Porque nós estamos vivendo tanto num desastre ecológico como numa crise econômica e social.

A população mundial está em explosão demográfica desde a Revolução Industrial que começou na Inglaterra em meados do século XVIII, onde o planeta tinha um pouco mais de um bilhões de habitantes, mas em 2025 chegaremos a quase nove bilhões de habitantes na Terra. O mundo está agora lutando para se adaptar a uma nova realidade ambiental com os aterros sanitários superlotados com toneladas de resíduos industriais, aumento da poluição das fontes de água, terra e ar pelas indústrias além da crônica falta de água em diversos países, põe em risco tanto a produção de alimentos como de fibras naturais para a indústria têxtil.

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A insustentável indústria do Fast fashion já não contará com tantos recursos naturais para continuar sua fabricação em massa, encurtando o ciclo da moda e acelerando a velocidade do varejo. Na realidade, estamos na iminência do que é chamado da “era slow fashion” e da “economia circular”. No futuro, o mero valor material não será mais suficiente para evocar uma sensação de consumo nos consumidores. Com a escassez de água causada pela mudança climática extremas e pelo desperdício humano, vamos precisar de roupas inteligente para monitorar nossa saúde e o clima.

A BioCouture criada pela designer vanguardista Suzanne Lee, une design com bio e nano tecnologias de ponta para criar em laboratório, roupas biodegradáveis feitas por bactérias. Roupas inteligentes também poderão ter uma vida mais longa por causa de sua finalidade altamente funcional com tecidos que se auto-regeneram, não sujam nem se molham, captam energia solar e cinética para alimentar dispositivos eletrônicos, monitoram a saúde e os exercícios do usuário como também se conectam a outros dispositivos eletrônicos.

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A desaceleração da moda vai criar roupas que mudam de cor, estampa e forma, permitindo ao consumidor mudar de acordo com seu ritmo sem precisar comprar novas peças. Marcas de moda focadas na transparência, ética e sustentabilidade serão priorizadas pelos consumidores, e a personalização em massa vai evitar o enorme desperdício do sistema atual de “oferta e procura” para outro mais mais sustentável de “procura e oferta”.

Os produtos de consumo personalizados possibilitam que o cliente participe da sua criação de forma ativa, tornando-se o designer. Através desse processo elimina-se o estoque de produtos prontos, que por si só, gera uma enorme economia por não desperdiçar recursos naturais.

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A moda sustentável é uma tendência paralela a moda tecnológica, onde as pessoas vão possui menos roupas mas de maior qualidade. São roupas projetadas para serem reutilizadas ou biodegradadas com é o caso dos novos tecidos feitos de resíduos de alimentos, reciclagem de roupas velhas ou produtos sintéticos que foram descartados como redes de nylon e garrafas pet.

A evolução da moda é o casamento entre a “tecnologia vestível” e a “sustentabilidade”, e em breve, estaremos dando as boas-vindas a nova realidade da moda conectada onde podemos experimentar roupas multifuncionais e inovadoras. Se você quiser saber mais detalhes de como serão esses avanços na moda, haverá a palestra “Sustentabilidade e tecnologia vestível, as duas vertentes do futuro da moda” nos dias 4/11 no House of Learning e 5/11 no Lab Fashion em São Paulo. Participe, as vagas são limitadas!
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O movimento Fashion Positive visa tornar a Indústria da Moda mais ética e sustentável

Há muitas razões para reclamar dos problemas causados pela indústria da moda hoje como a poluição da água,produtos químicos tóxicos, toneladas de resíduos de vestuário nos aterro, exploração dos trabalhadores em lugares como  Índia, Bangladesh, Camboja e China, enfim a lista continuar. No entanto, estão surgindo novas organizações, marcas, feiras de tecidos e semanas de moda focadas na moda sustentável, que buscam oferecer sinais de esperança para esta indústria que movimenta US $ 1,2 trilhão anualmente e que está mudando lentamente seu curso.

Lançado em 2014 pelo Cradle to Cradle Products Innovation Institute, o Fashion Positive (Moda Positiva) é um movimento de agentes de mudança na indústria da moda, que querem criar um impacto positivo para o futuro através da: Inovação na cadeia de abastecimento, fornecimento de empréstimos a taxas de juros baixos para fornecedores, aumentar a transparência e criação de materiais seguros para os designers e marcas.

O Moda Positiva visa reorganizar toda a cadeia de abastecimento global de moda e ajudar a criar materiais mais sustentáveis, processos e produtos. A iniciativa trabalha com marcas de moda, designers e fornecedores para melhoram continuamente a forma como as roupas são feitas seguindo as seguintes cinco categorias: saúde do material, uso do material, energia renovável, gestão da água e da equidade social.

O projeto de metodologia do Cradle to Cradle foi desenvolvido pelo Dr. Michael Braungart e William McDonough, e a primeira tarefa da iniciativa é a construção de uma biblioteca de materiais ​​e fornecedores sustentáveis que os designers de moda poderão acessar para tornar seus produtos mais ambientalmente e socialmente positivos. A iniciativa já está colaborando com marcas como Stella McCartney, G-Star RAW, Bionic Yarn, Loomstate e lojas de departamento Belk.

Enquanto a maior parte da conversa sobre sustentabilidade na indústria da moda se concentra no zero resíduos, zero água, zero energia, zero toxinas,  o programa Moda Positiva ao invés disso irá destacar as inovações sustentáveis ​​de moda e inspirar a indústria a seguir o exemplo. A maneira de se tornar uma força positiva na indústria é estimular, documentar e apresentar a próxima geração de roupas e acessórios que são projetados pensando na economia circular.

O movimento Fashion Positive visa tornar a Indústria da Moda mais ética e sustentável stylo urbano-2
“A moda é um trem em movimento constante“, disse Lewis Perkins, vice-presidente sênior do Cradle to Cradle Products Innovation Institute. “O que nós decidimos fazer é volta para os blocos de construção da moda. A idéia não é apontar o mal, mas para estimular a inovação e mostrar histórias positivas de modo que o resto da indústria pode dizer, Isso pode realmente se encaixam na minha empresa.”

A inovação têxtil sustentável não é nada de novo: Algumas marcas de moda líderes (Patagonia, The North Face, Volcom, Levi) desenvolveram linhas de produtos feitos com garrafas de plástico reciclado, fibras à base de plantas, tecidos renováveis, e outros resíduos pré e pós-consumo. Mas a utilização desses tecidos ainda não foi sistematizado nas cadeias globais de fornecimento para poder substituir o consumo do insustentável algodão tradicional e do poliéster virgem.

A missão de Moda Positiva não é só incentivar o uso de materiais sustentáveis ​​nas marcas globais de moda, mas também incentivar o pensamento do sistema Cradle to Cradle (do berço ao berço) entre todos os intervenientes-chave ao longo da cadeia de fornecimento do material e o ciclo de vida do produto.
Para fazer uma camiseta de garrafas de água de plástico reciclado, por exemplo, uma empresa pode simplesmente querer se concentrar em como transformar esse plástico em poliéster para fazer o seu produto. A Moda Positiva quer que essa mesma empresa pensar grande: Como o plástico foi feito originalmente? Quais são produtos químicos que existem nele? Como podem as fibras plásticas serem reaproveitadas de uma forma que seja seguro para os seres humanos e o meio ambiente?

E como pode um novo produto que está sendo projetado ser facilmente reutilizado, reciclado ou upcycled? À medida que as pessoas começam a questionar a sustentabilidade na moda, toda a indústria pode identificar quais materiais e processos são problemáticos e encontrar novas tecnologias para resolvê-los. O que a Moda Positiva está construindo é um ecossistema de marcas e organizações inovadoras trabalhando para transformar a indústria do vestuário e têxtil. Claro, essa transformação não vai acontecer de forma rápida, nem de a Moda Positiva vai fazê-lo sozinha.

Um dos objetivos da iniciativa é o de  construir pontes entre a indústria têxtil, fornecedores, estilistas e marcas para impulsionar ainda mais a adoção de materiais e inovações de fabricação. A iniciativa do governo americano chamada Innovation Fund, fornece financiamento para selecionar fornecedores que desejam desenvolver materiais sustentáveis que serão compartilhados com a comunidade de forma positiva. A iniciativa também tem parceria com organizações como a Sustainable Apparel Coalition e a NRDC’s Clean By Design para harmonizar e otimizar os esforços de sustentabilidade dentro da indústria da moda.
O movimento Fashion Positive visa tornar a Indústria da Moda mais ética e sustentável stylo urbano-3
A Sustaintable Apparel Coalition (SAC), é um grupo de trinta organizações que inclui a Nike, Gap Inc, H & M, Levi Strauss, Marks & Spencer e Patagonia, e vai trabalhar para ajudar a indústria do vestuário no sentido de desenvolver melhores estratégias e ferramentas para medir e avaliar o desempenho da sustentabilidade.

A Coalizão tem dois objetivos. Em primeiro lugar, as organizações membros irão desenvolver planos para amenizar o impacto da indústria do vestuário na água e indústria de consumo, ao criar compromissos para a melhoria do desvio de resíduos e a redução do uso de produtos químicos. Em segundo lugar, a Coligação irá desenvolver uma ferramenta baseada em métricas que irão ajudar as empresas na mensuração de seus impactos ambientais e sociais.

“Na indústria da moda, você não quer ficar para trás“, disse Lewis Perkins, vice-presidente sênior do Cradle to Cradle Products Innovation Institute. “Estamos apostando que para fazer parte da vanguarda, a sustentabilidade é definitivamente o próximo desenvolvimento para a indústria do vestuário”. Os Estados Unidos e Europa estão bem adiantados em seus programas de sustentabilidade na moda já no Brasil, a indústria e as empresas estão mais focadas em como vão resistir a crise econômica que só piora a cada mês no país por causa do desgoverno.

Não seria uma boa hora para criar soluções inteligentes para os desperdícios criados pela indústria da moda nacional? Na palestra “Sustentabilidade e tecnologia vestível, as duas vertentes do futuro da moda” no início de Novembro em São Paulo, mostrarei alguma soluções tecnológicas para tornar a moda mais sustentável.




quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Uma breve história sobre a moda sustentável

Digite as palavras “future” e “fashion” no google, e você vai ter inúmeros resultados falando sobre a impressão 3D, tecnologia wearable, tecidos inteligentes e sites de comércio eletrônico, mas a sustentabilidade não é tão mencionada. No entanto, a palavra sustentabilidade está cada vez mais presente na indústria da moda, seja nos desfiles, na mídia, nas campanhas publicitárias e na fabricação de roupas e acessórios que serão expostos nas prateleiras das lojas.

A indústria da moda está crescendo cada vez mais seu foco em práticas sustentáveis e até publicações de negócios, como a revista Forbes disse “O verde é o novo preto.”
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Através de práticas de negócios inovadores, a indústria da moda já percorreu um longo caminho para melhorar as condições ambientais e sociais ao longo de complexas cadeias de suprimentos globais. Ainda assim falta muito ainda. Um breve olhar no passado histórico da indústria mostra que as corporações estão respondendo as mudanças nas demandas do consumidor, tendências de mercado e limitações de recursos naturais ao longo dos anos, sinalizando que o futuro de moda sustentável se manterá.

A partir da industrialização para o Dia da Terra

Quando as primeiras lojas de departamento apareceram nos Estados Unidos no final do século XIX, em meio a ascensão da Revolução Industrial, máquinas de costura eram relativamente novas e o trabalho infantil ainda era legal. A maioria das roupas eram feitas por encomenda no mercado interno, e apenas uma pequena fatia da população possuía roupas suficientes para encher um pequeno armário.
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Mas depois com a explosão do consumo no pós-guerra, os shoppings se tornaram tão comuns da mesma forma que as compras se tornaram um passatempo nacional. A cultura do consumo cultivada na década de 1950 estabeleceu uma economia baseada na produção em massa no momento em que a maioria dos bens de consumo foram fabricados na América. Isso gerou uma proliferação de shoppings, lojas de varejo e vendas sazonais para incentivar mais o consumo.

A mentalidade do crescimento sem limites do pós-guerra não foi cumprida sem dissidência. Com movimentos políticos e sociais surgindo no final dos anos 1960 e 1970 pelos direitos civis e contra a guerra do Vietnã, uma crescente consciência do impacto dos seres humanos no planeta também deu origem: O primeiro Dia da Terra foi comemorado em 22 de abril de 1970. Enquanto o moderno movimento ambiental teve início bem antes desse dia, a moda sustentável brotou do estilo de se vestir dos hippies durante esse período.

Abrindo as portas da inundação

Os movimentos de eco-consciência como o “faça você mesmo” (DIY) e o de conscientização dos consumidores sobre o potencial das roupas de segunda mão emergiram na segunda metade do século XX, pois o consumismo inchou a limites sem precedentes. Durante este tempo, a indústria de vestuário experimentou grandes mudanças na logística de produção, prazos e escala, o que ajudou muito no aumento da produção e incentivou os compradores a encherem seus armários como nunca houve na história humana.

Nossa demanda por fast fashion levou a uma explosão de produção de vestuário e hoje estamos consumindo 400% mais roupa do que há 30 anos. Como isso pode ser sustentável? Não pode!

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Uma mudança importante ocorreu em 1973, quando os EUA e outros países assinaram um acordo que criou um sistema de quotas para limitar a quantidade de importações de tecidos e vestuário de países específicos, para proteger os interesses comerciais. Em vez disso, o acordo dirigiu-se para os custos de produção no mercado interno.

Quando o sistema de quotas foi eliminado em 2005 e substituído por um acordo da Organização Mundial do Comércio, as comportas para terceirizar a fabricação no exterior foram abertas, e todo o trabalho feito para proteger a indústria de fabricação americana foi jogado no lixo por interesse de alguns grandes empresários e de políticos corruptos.

“Mover a produção para o exterior foi o impulso para criar uma moda cada vez mais global”, disse Connie Ulasewicz, co-editora do “Moda Sustentável: Por que agora?” E professora associada na San Francisco State University. “As empresas mudaram sua produção para lugares como Camboja, Vietnã e Mongólia, onde não existem requisitos mínimos de salário ou idade ou regulamentares relativas ao número máximo de horas trabalhadas. Quando isso aconteceu, as pessoas também perderam o contato de como e onde foram feitas suas roupas”.

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Esse movimento de fabricação de roupas no exterior também criou a uma série de controvérsias que levou os consumidores a começarem a questionar a origem de suas vestes. Esse golpe feito pelos grandes empresários da indústria juntamente com políticos corruptos com a desculpa da “globalização do comércio”, fez com que os trabalhadores de países ocidentais que tinham proteção de leis trabalhistas e maiores salários fossem substituídos por trabalhadores escravos em países em desenvolvimento.

Tudo isso foi um golpe ardiloso feito para o lucro máximo das grandes corporações que ficaram livres para explorar países onde os trabalhadores não tem nenhuma proteção ou garantias de seus governos, além de terem que aceitar salários miseráveis e más condições de trabalho. Simplesmente esse acordo da “Organização Mundial do Comércio” foi feito para voltar as péssimas condições de trabalho da Revolução Industrial do século XIX.
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Atualmente os governos dos países produtores de têxteis têm pouca supervisão sobre o que acontece em suas fábricas, pois o que importa é que as tecelagens e fábricas mantenham tudo funcionando, enquanto sistematicamente despejam seus produtos químicos não tratados diretamente nos rios que acabam desembocando no mar.

Graças ao fast fashion a indústria do vestuário se tornou a segunda indústria mais poluente do mundo, ficando atrás apenas do setor de petróleo e também é a segunda maior consumidora de água depois da indústria alimentícia.
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Nós, os consumidores, não somos os únicos responsáveis por tudo isso. As empresas de fast fashion trabalham segundo o modelo de “obsolescência programada”, isso significa que em vez de criar peças de vestuário que sejam resistentes ao desgaste ao longo do tempo, elas criaram uma indústria (suportada pelos meios de comunicação de moda) de micro-tendências.

Os produtos são projetados para sair de moda rapidamente, muitas vezes caindo aos pedaços depois de apenas algumas lavagens. Os beneficiários desse sistema incluem os CEOs de grandes varejistas como o CEO da Zara, Amancio Ortega, atualmente o quarto homem mais rico do mundo na lista da Forbes, e logo após ele vem a família por trás da H & M.

A ascensão do consumo consciente

Em 1991, a Nike foi exposta mundialmente pelos baixos salários e más condições de trabalho em uma de suas fábricas indonésias. Houve protestos e boicotes dos consumidores, bem como uma grande atenção da mídia o que levou a empresa a fazer algumas mudanças sérias na sua cadeia de abastecimento. Este e outros incidentes trágicos (mais recentemente o colapso da fábrica Rana Plaza em Bangladesh) forçaram a indústria a fazer um balanço e mudar.
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Vinte e quatro anos depois, a Nike é uma das empresas mais sustentáveis ​​do mundo. E enquanto ela e outras empresas de vestuário ainda competem para reduzir os custos e aumentar as margens, eles também competem para aumentar a sua reputação como bons cidadãos corporativos e ganhar os corações, mentes e carteira dos consumidores.

A empresa americana de moda esportiva Patagônia é um exemplo de marca eco-consciente que demonstra continuamente aos consumidores, como a sustentabilidade faz parte de seu DNA corporativo. Outras empresas têm habilmente inovado para sensibilizar os consumidores sobre o ciclo de vida de uma peça de vestuário, como as campanhas da Levi do cuidado do desperdício de água na fabricação de seus jeans e reciclagem de garradas PET em novos jeans.
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Até mesmo grandes nomes como Gucci e Calvin Klein entraram no jogo da sustentabilidade, e também outras marcas como Stella McCartney, Puma, H&M, G-Star RAW e grupo de luxo Kering estão correndo atrás desses consumidores atentos aos problemas sociais e ambientais causados pela indústria da moda. Dessa forma, a tendência no sentido da sustentabilidade na indústria da moda é clara.

De volta para o Futuro

Mesmo como as empresas de moda impulsionando a inovação e a sustentabilidade, investindo em fibras sustentáveis, no lançamento de programas de gestão de produtos químicos, melhorando a rastreabilidade dos produtos e da transparência da cadeia de fornecimento, promovendo a reciclagem de garrafas PET e resíduos de lixo em novos tecidos bem como a reciclagem de fibras naturais, o fantasma sombrio da indústria do fast fashion  e seus problemas ambientais e sociais não podem ser ignorados. Enquanto o movimento slow fashion e o movimento de fabricação interna de moda oferecem esperança para a indústria, perguntas difíceis sobre o nosso sistema de vestuário moderno permanecem.

“A globalização nos permite não pagar muito por roupas”, disse Linda Welters, professora de moda na Universidade de Rhode Island. “Se as pessoas sempre compram roupas por causa de seu preço reduzido, elas têm uma mentalidade descartável sobre a roupa, e isso é um problema.”
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À medida que surgem a cada dia mais sites de comércio eletrônico,  tornando mais fácil comprar roupas com o clique de um botão, e talvez um dia entregar nossos produtos de forma rápida  através de drones, essa mentalidade descartável é o calcanhar de Aquiles da indústria da moda. Para prosperar, as marcas globais de moda terão de reinventar seus modelos de negócio, abraçar a economia circular e criativamente convidar os consumidores a acabar com a cultura do descartável. Considerando que dois terços do impacto ambiental total de um vestuário ocorre na fase de utilização do consumidor (lavagem e secagem), as marcas de moda devem envolver os consumidores na sustentabilidade para conseguir melhores resultados.

O futuro da moda sustentável não vai acontecer só por causa das novas tecnologias de impressão 3D, tecidos inteligentes ou tecnologia wearable, ela vai acontecer também pela conscientização de como e onde nossas roupas são feitas, como elas são usadas, e como elas são eliminadas ou reutilizadas pelo sistema do “berço ao berço”. Atualmente, nenhuma marca de moda que se preze pode mais omitir suas responsabilidades sociais, ambientais e a transparência dos métodos de fabricação de seus produtos.

As gerações jovens Y e Z que são totalmente conectadas as mídias sociais e internet tem acesso instantâneo ao que acontece na indústria da moda e são os Y e Z os maiores formadores de tendências e consumidores de novidades. Uma empresa que ignore esse público influente e altamente consciente está fadada ao fracasso comercial e a extinção. Ser sustentável não é uma “moda passageira” mas uma realidade que vai exigir total transparência e engajamento das empresas para mudarem sua filosofia comercial. A “onda verde” veio para ficar!

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